sexta-feira, 27 de junho de 2008

CENAS DE AMOR PERFEITO


Inicio da tarde... neste período de tempo há certa dificuldade para mim em conciliar meus pensamentos, não importa se faz chuva ou sol... lembro-me de outros inícios de tarde em que a alegria não demorava a chegar: um banho morno no chuveiro do pátio, entre canteiros de rosas e pássaros ou ainda um mergulho na piscina de plástico, brinquedo armado, pronto, sempre a esperar... o pé de acerola, carregadinho de frutos apetitosos e avermelhados... a sombra se estendendo, a crescer no quintal... o vento, ora forte, ora fraco passa, trazendo histórias em suas asas... a roupa a secar no varal... início de mais uma tarde de amor... o pequeno portão de ferro, quebrado, range quando o abrem... sinal de que voltou...correria, sorrisos, gritos de crianças, saudades, beijos e braços... o suor a escorrer pela face bonita e jovem, tristeza a se esconder no olhar... verdades atrozes... na vez, chuva grossa a bater no telhado de folhas de amianto, um sossego esparramado no aconchego do quarto, na cama quente entre lençóis perfumados, segurança, apenas um instante, nos braços calorosos de uma esposa-amante... a morte e a dor aguardam, inquietas, ao lado de fora ... dia seguinte, céu límpido, de um azul estonteante; o sol brilha tanto que ofusca a visão... o sol é belo, a vida é bela, mas, nada se pode ver devido ao clarão... a alma cega... a mesa posta, manhã ou tarde, café para quatro... a alegria está de volta... acordes altos de um contrabaixo... um bebê a chorar... uma canção de ninar... linda visão do futuro... eternamente... juntos... um doce entardecer... assim deveria ser... não há lágrimas que desbotem essas ternas lembranças... quadro familiar pintado por um deus esquecido, mas, invejoso do amor perfeito que, por breves instantes, por descuido, baixou à terra e, rebelde, desatinado, ao céu não mais desejou retornar...

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