segunda-feira, 5 de abril de 2010

GULISTAN - O JARDIM DAS ROSAS


 


GULISTAN – O JARDIM DAS ROSAS

Saadi de Shiraz

A partir do original persa traduzido por Omar Ali Shah
Tradução para o português; Rosângela Tibúrcio, Beatriz Vieira e Sérgio Rizek
Attar Editorial 


INTRODUÇÃO

Gloria a Deus, que Ele seja louvado e glorificado! Adorá-Lo é aproximar-se d’Ele, e render-Lhe graças é aumentar nossas bênçãos.
Cada respiração contém duas bênçãos: a vida na inspiração e a rejeição do ar viciado e inútil na expiração. Agradece a Deus, pois, duas vezes a cada repiração.

Quem pode subtrair-se à obrigação
De venerar a Deus em palavras e atos?
Como está dito no Corão:
“Daí graças, ó família de David.
E pouquíssimos de meus servidores são gratos”[1]
Que o servidor confesse suas faltas
E peça perdão junto ao Trono de Deus.
De outro modo, não cumpre com toda humildade
Seu dever para com Ele

Sua Misericórdia estende-se a tudo o que existe e Sua mesa está servida em todos os lugares. Ele não revela os pecados de Seus servidores e não pune os pecadores privando-os da subsistência.

Deus de Misericórdia, Tu que dás
O pão de cada dia
Ao guebro[2] e ao cristão, 
Como poderias privar Teus amigos,
Se contemplas com bondade
Até teus inimigos?

A Seu comando, o zéfiro desenrola o tapete de esmeralda; as nuvens da primavera são as nutrizes das ervas verdes que dormem no berço da terra parda; Ele cobre as árvores com um manto de folhas verdes, semelhante a uma veste de honra, e na primavera, coroa os ramos com guirlandas de flores. Faz que o suco da uva supere o sabor do favo de mel. Transforma a modesta semente da tâmara na alta tamareira que projeta uma sombra refrescante.

Nuvens, ventos, lua, sol e céu
Trabalham a fim de que o homem
Receba a subsistência que lhe cabe.
Não esqueças da generosidade de Deus para contigo.
Os elementos e os planetas a Ele obedecem,
Trabalham e evoluem para o teu bem.
Por tua vez, também deves obedecer.


Continua...



[1] Corão, XXXIV, 13. “Família de David! Dá graças! Poucos são os meus servidores agradecidos”.
[2] guebro: Assim eram chamados os zoroastristas sob o domínio islâmico; eram adeptos da tradição fundada por Zoroastro ou Zaratustra (séc. VII a.C), reformador do masdeísmo, do qual conservou a concepção dualística do Universo. Derrotados pelos árabes muçulmanos no séc. VII d. C., passaram a ser chamados de “adoradores do fogo”. 
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