domingo, 7 de setembro de 2008

DISTANTES




Por que meu amigo
Não podemos mais simplesmente sentar e conversar
Como fazíamos antes?
O que mudou nesta longa história?
Não aprecias mais minhas indagações?
Não aprecias mais minhas observações?
Não aprecias mais a música que ainda escuto?
Ainda te resta algo de Songs From The Wood?
Por que meu amigo
Não podemos mais rir de tuas piadas sem graça?
E hoje mal se escuta a tua gargalhada?
O que mudou nessa longa estrada?
Certamente mudou a expressão de meu rosto
A calma nele é tristeza disfarçada
E como “os olhos são a janela da alma”
Deve te incomodar a verdade do que vês
Por que meu amigo
Não podemos mais contar velhas histórias?
Ou falar pequenas e grandes bobagens
Divagar sobre a vida, a evolução do homem ou a expansão do Universo?
Por que não podemos mais aprender, beber direto da fonte
da sabedoria dos antigos, comentar e meditar sobre os grandes livros
Compartilhar um bom copo de vinho como fazíamos antes?
Para onde foi nossa amizade?
Ou será que talvez ela nunca tenha existido?
Nossos cantos não nos contentam sabemos disso
Não espantam nossos males escondidos
Sinto muito meu amigo que as coisas tenham caminhado dessa forma
Não posso mais contar com teu ombro...amigo...
Ainda vamos juntos na mesma jornada afora
Companheiros de viagem na travessia dourada, na caravana de sonhos,
da coragem irmanada e do esforço sobre si
Caminhada dura caminhada
Mas não podes mais segurar minha mão
E por mais que eu queira não consigo mais segurar a tua...
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