domingo, 23 de novembro de 2008

RECORDAÇÕES DA CASA DA COBRA-REI DE MIM



REI DE MIM

Tem dia em que custo a me perder ou a me encontrar. Fico assim, entre um meio termo, que é puro exagero. Teimo em me afogar em um imenso mar de solidão, lá aonde os sonhos deixam de ser sonhos... Mas, aí o que eles são? Mistérios intraduzíveis... sem solução.
A lua paira no céu e eu me imagino também no alto, um ponto brilhante, uma estrela antiga a iluminar os amantes, e só quem me vê e entende são aqueles com almas de poetas.
Fujo as agonias, despisto a infelicidade e vou ao jardim colher uma rosa cor-de-rosa que nunca murchará; uma rosa eterna, cujo perfume preencherá a casa, e cuja beleza adornará a fugacidade do lento/veloz passar das horas e a fragilidade dos dias de chuva ou de sol.
Bem no meio do pátio da casa mais encantadora do bairro há um poço que nunca seca... mas não é um poço dos desejos, nem em suas profundezas habita um gênio servo de nossas vaidades, capaz de nos curar ou tornar-nos ricos ou famosos num abrir e fechar de olhos...
Assim, inconformado, sigo eu nas águas do abandono; sigo eu na esteira de um sonho; sigo eu, enfim, sem dar por mim, nas pegadas de um mito obscuro e medonho, que confronta meu rosto desconhecido a um espelho de dupla face... ambíguo...
Corro contra o tempo... ou o tempo é que corre contra mim... ?! Tanto faz...
O tempo... o tempo parece brincar... ora se estira, ora se encolhe, ora torna a se esticar e eu, por mais que corra, não posso tocá-lo, enrolá-lo ou esquecê-lo... Qu
em sou eu...? Um pobre rei destronado... um nobre senhor sem palácio... um mendigo escondido, traído, apaixonado... perdido de mim!
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