terça-feira, 15 de abril de 2008

ANNA E BEATRIZ [1]


Na praia, sob o sol de um maravilhoso dia de verão, Anna e Beatriz constroem castelos de areia. Elas conversam animadamente enquanto vão dando forma às suas magníficas obras.
Anna é moreninha, tem os cabelos cheios de cachos e um sorriso doce. É muito extrovertida e adora fazer perguntas. Beatriz é completamente diferente. Seus cabelos, de tão claros e brilhantes, chegam a ofuscar a própria luz do sol. Exagero? Vocês não conhecem Beatriz... Uma cortina de fios de ouro desce por sobre seus ombros, escondendo a perfeição do rosto infantil. Quase não fala, fato que preocupa e intriga os pais, porém, quando está com Anna, não parece haver o menor problema.
Ultimamente, as duas amigas só têm se encontrado na praia, pois, Beatriz acabou de se mudar para uma casa nova e Anna ainda não teve a chance de ir visitá-la. Anna está curiosa para saber como Beatriz se sente, e então, dispara a lhe fazer perguntas.
“Que tal Bibi, gostas de tua casa nova?”.
“É... Gosto...” Respondeu Beatriz, sem muito entusiasmo.
Ana não se contentou, queria saber mais.
“Hum! Que resposta mais sem graça, Bibi. Então, agora me diz como é a tua casa por dentro?”.
“Ah! Minha casa é muito boa; é grande, confortável, tem varanda e jardim onde os pássaros cantam o dia inteiro. Acho que ela só tem um defeito”...
“Um defeito?” Estranhou Anna. “E qual é?”.
Beatriz, solta um suspiro de desânimo.
“É que dentro da minha casa não entra o sol, e eu gosto tanto de sol”...
“Mas, e o jardim? Não há sol no jardim?”.
“Sim, no jardim há bastante sol; lá, há sempre sol”.
Anna e Beatriz se calam por um momento. Os castelos já estão quase prontos, mas, Anna deixa Beatriz se ocupando com os últimos detalhes. A menininha põe a mão no queixo e franze o cenho, sacudindo a cabecinha cheia de cachos. Ela está preocupada, pensando no que seria possível fazer para ajudar a amiga a resolver aquela difícil situação. De repente, “Eureka”, encontra a solução, “mas é claro! Como diria meu pai, é óbvio”.
“Já sei, Bibi, como resolver o teu problema!”.
“Sabe Anna?” Pergunta Bibi, que de tão contente quase desfaz os castelos. “Então, não perde tempo e me conta logo de uma vez”...
“Escuta, Bibi, se não entra o sol dentro de tua casa, mas no jardim há sempre bastante, por quê, então, não mudas a tua casa para o jardim?”

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Do livro EL CABALLO MÁGICO; Caravana de Sueños, Idries Shah; 1988; Editorial Kairós. Tradução e adaptação, Virgínia Allan

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