Deus é vida. E a impulsão da vida é para cima, sempre para cima. “O animal sobrepuja a planta, o homem sobrepuja a animalidade, e o conjunto da humanidade, no espaço e no tempo, é um exército imenso a galopar ao lado, à frente e atrás de cada um de nós. Em carga esmagadora para dar em terra com toda resistência e vencer todos os obstáculos”. Até a morte. A corrente da vida sobrevive a morte do indivíduo. Sobrevive à possibilidade do fracasso e a tendência da matéria por aniquilar-se. Ao topar com um beco sem saída, as suas múltiplas energias cavam novo atalho e dirigem as suas torrentes irresistíveis no sentido de novas e maiores realizações. A vida não pode ser sufocada por uma derrota temporária; nunca pode ser detida.
Um corvo, um cobre
Se quiser jogar um cobre a um corvo pobre, será muito bem vindo: chave pix: virginiallan@hotmail.com
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
domingo, 25 de maio de 2008
SOB A LUZ DO CREPUSCÚLO
A menina, regando as plantas,
inunda de alegria o crepúsculo que cai.
Seu sorriso, doce antídoto,
para um coração envenenado
por uma taça de tristeza.
***
***
Dia cinzento.
Cadeiras vazias.
Silêncio no jardim.
***
A rosa que desabrocha
enche de amor e encanto
um coração de criança.
***
A passarada,
na janela faz a festa!
Ao menor ruído,
voa em debandada.
***
Para o silencioso espelho d’água,
***
Para o silencioso espelho d’água,
a onça sedenta, sorri.
***
Passarinhos na goiabeira.
***
Passarinhos na goiabeira.
Entardecer no quintal.
Minha alma sorri.
***
Eu estava quase adormecida
***
Eu estava quase adormecida
quando escutei o canto da cigarra.
sábado, 24 de maio de 2008
TODO O MANÁ SAGRADO DA MONTANHA
“Olho, aterrado, a grande mesa posta.
Quem presumiu em mim fome tamanha?
Todo o maná sagrado da montanha
Servido lautamente
A um só conviva!
À luz do sol poente,
Numa quase agressiva
Pressa de comunhão, as penedias
São raras iguarias
Dum banquete irreal
De que sou comensal
Apenas eu…
Como se um pigmeu
Pudesse devorar num breve instante
A refeição eterna de um gigante!”
(Miguel Torga)
(Miguel Torga)
***
TODO O MANÁ SAGRADO DA MONTANHA é sabedoria, alimento cultivado pelo homem e ofertado aos deuses.
TODO O MANÁ SAGRADO DA MONTANHA é sabedoria, alimento cultivado pelo homem e ofertado aos deuses.
TODO MANÁ SAGRADO DA MONTANHA é esforço consagrado da labuta cotidiana, que sustenta o corpo e alimenta o espírito humano.
O sol já está a se pôr. Com os olhos cansados, voltados da terra ao céu, regressa o miserável de mais um dia de trabalho e eu em minha inconstância, olho a mesa posta mas não corro imediatamente para ela, apavora-me a idéia de tamanha pompa, de tão fausto banquete pára um só vil e nada gentil convidado. Quem adivinhou o tamanho de minha fome?
TODO O MANÁ SAGRADO DA MONTANHA ao alcance de minha mão. Embora seja mesmo grande a minha fome, eu, solitário, não posso dar cabo do alimento sagrado. Pequenino em minha ambição; ando sem direção, silenciosamente, sem saber a que caminho escolher.
Procuro um ser de grande saber, feito de carne e osso, mas que tenha a alma pura e infinita, livre dos desgostos... Daí, quem sabe, possa ele me dizer como escapar do circulo vicioso no qual vivemos todos.
Almejar TODO O MANÁ SAGRADO DA MONTANHA é não tê-lo a disposição para comê-lo afoitamente. Se assim o fizer, os deuses, certamente, não virão ao meu encontro, pois, não terei sabedoria suficiente ou ao menos um conhecimento profundo das coisas como são, e, então como ousarei dizer ao fiel trabalhador que TODO MANÁ SAGRADO DA MONTANHA está também ao seu inteiro dispor para dele poder comer, não num banquete irreal, mas, sim, num banquete ideal, onde o esforço, unido ao tempo, ao momento correto lhe dará muito mais que uma substancial refeição. Dar-lhe-á capacidade em elevar-se às alturas de um gigante, além da paz, sabedoria e tranqüilidade de um ser humano de verdade, pronto a seguir, firme e reto, em sua evolução...
Partiu a caravana dos sonhos.
Não importa o destino, somente a viagem
Pelo caminho os peregrinos misturam-se à poeira e ao brilho das estrelas, mas eles partem em busca do sol!
Não importa o destino, somente a viagem
Pelo caminho os peregrinos misturam-se à poeira e ao brilho das estrelas, mas eles partem em busca do sol!
***
Dia cinzento!
Gosto dele assim, quando me sento
em uma velha cadeira, no sossego do jardim,
em uma velha cadeira, no sossego do jardim,
para ouvir cantarem os passarinhos.
***
Voam os pombos no céu. Fim de tarde.
Na rua vazia, o sol deita seus últimos raios.
Alguém sentado à soleira de uma porta... espera!
Na rua vazia, o sol deita seus últimos raios.
Alguém sentado à soleira de uma porta... espera!
***
Noite escura!
No telhado
o soluço da chuva.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
JURUPARI [1] O PODEROSO SENHOR DO MEDO
Jurupari passeia pela noite.
Jurupari passeia pelo terreiro.
Jurupari é o poderoso senhor do medo que chega para assustar pequeno guerreiro.
Devagar, a grande sombra entra na oca, escurecendo a taba por inteiro.
Pequeno guerreiro não consegue adormecer.
Jurupari é espírito sem forma.
Jurupari é espírito mau
Mas pequeno guerreiro é valente
Jurupari é o poderoso senhor do medo que chega para assustar pequeno guerreiro.
Devagar, a grande sombra entra na oca, escurecendo a taba por inteiro.
Pequeno guerreiro não consegue adormecer.
Jurupari é espírito sem forma.
Jurupari é espírito mau
Mas pequeno guerreiro é valente
E a grande sombra olha de frente
Jurupari se encolhe, pra longe foge, a grande sombra desaparece!
Jurupari, o poderoso senhor do medo, tem medo de pequeno guerreiro, que depois, exausto da cansativa batalha, em paz adormece, iluminado pela vigilante luz da lua.
Jurupari, o poderoso senhor do medo, tem medo de pequeno guerreiro, que depois, exausto da cansativa batalha, em paz adormece, iluminado pela vigilante luz da lua.
***
[1] JURUPARI: Do tupi Iuru-Pari que quer dizer boca fechada, mistério, segredo. Entidade tida pelos indígenas como “filho do sol”, o legislador, o gênio da música, temido e respeitado pelos povos da selva, que, porém, com a chegada dos missionários jesuítas foi rebaixado a categoria de “diabo”, o espírito malévolo que rondava a floresta.
Do livro MORONETÁ-Crônicas Manauaras; Virgínia Allan; Editora Valer
Do livro MORONETÁ-Crônicas Manauaras; Virgínia Allan; Editora Valer
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Quisera que meus versos fossem leves como a pena e que tivessem a candura das cantigas de roda
Quisera que fossem belos como as noites amenas e que possuíssem o agradável perfume dos botões de rosa
Quisera ainda poder calar-me Quisera mesmo, meu Deus, nada querer e assim não lamentar-me dos meus versos que choram.
Quisera que fossem belos como as noites amenas e que possuíssem o agradável perfume dos botões de rosa
Quisera ainda poder calar-me Quisera mesmo, meu Deus, nada querer e assim não lamentar-me dos meus versos que choram.
***
Certa vez, há muito tempo, assistindo a um filme antigo, vi uma ponte que, não sei por que, deu-me a sensação de infinito. Era uma pequena ponte, por onde um casal caminhava, mas, para mim, ficou a impressão de que a ponte nunca acabava.
***
Dormiram os anjos que velavam os sonhos. Esquecida ao pé de alguma nuvem ficou a felicidade embrulhada pra presente.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
TARDE DE DOMINGO
A irritação dominou a minha tarde de Domingo; tarde de Domingo quente e abatida, sem água e sem luz.
Não estou só. Na sala está também um cachorro velho que em seu cochilo inquieto, talvez esteja a sonhar com ilhas perdidas e arcas cheias de ossos.
No quarto, minha mãe; minha sobrinha e minha filha montam um rosário de histórias que enfeitam as horas ociosas.
A tarde vai passando devagar, deixando-me com a desagradável sensação de que não aproveitei o dia.
Lá fora, chama o vendedor de doces, mas, irritada, ignoro estes detalhes que poderiam me fazer feliz!
Não estou só. Na sala está também um cachorro velho que em seu cochilo inquieto, talvez esteja a sonhar com ilhas perdidas e arcas cheias de ossos.
No quarto, minha mãe; minha sobrinha e minha filha montam um rosário de histórias que enfeitam as horas ociosas.
A tarde vai passando devagar, deixando-me com a desagradável sensação de que não aproveitei o dia.
Lá fora, chama o vendedor de doces, mas, irritada, ignoro estes detalhes que poderiam me fazer feliz!
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