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segunda-feira, 12 de maio de 2008

HISTÓRIA ALEGÓRICA-AMOR DE MÃE, AMOR DIVINO [1]


Lá vem Maria, remando em sua canoa para lavar a roupa às margens murmurantes do rio.
Maria não vem só. Traz ao colo o seu bebê, que adormece no doce balanço.
Todo o dia é assim, pois Maria, mãe amorosa, não descuida do menininho.
Chegando à margem, atraca a canoa num velho tronco de árvore, e com paciência começa a labuta.
Por um instante, ela sai da canoa e não percebe que o laço, dado com tanto cuidado no velho tronco, desfaz-se, e aos poucos a canoa se afasta, levando o menino.
Na canoa, o pequeno acorda e olha curioso para o espelho de água escura e ao ver de dentro dela saltar um peixe de escamas brilhantes, tenta pegá-lo com as mãozinhas rechonchudas. Porém, o peixe mágico mergulha de volta para a água e o pequeno, fazendo beiço, mergulha atrás do “brinquedo”.
O menino ainda não sabe nadar e em seu desespero bate os braços e as pernas.
Maria está paralisada!
''Depressa, Maria, acode. A água é forte e para longe leva o teu rebento''.
A canoa, cada vez mais distante, e a criança bem-amada rolando, rolando pela superfície da água. Como ela desejava estar naquela canoa...
''Anda Maria, o tempo passa...''
E Maria, angustiada, se atira dentro d'água; nada, nada, nada! Finalmente, alcança o seu bebê, trazendo-o são e salvo de volta às margens do rio, e então, sentindo-se segura, descobre o seio e o alimenta com seu leite, apertando-o com amor e alívio de encontro ao peito.

***
[1] Inspirado em História Alegórica, Farid ud-Din Attar; O Parlamento dos Pássaros, Attar Editorial .

sábado, 10 de maio de 2008

MÃE


Mãe! Em teu regaço deito minha cabeça, descansando das tarefas de um árduo dia de trabalho. Sim, árduo, pois cada dia é uma batalha travada no campo íntimo de nosso ser e nas ruas da cidade.
Procuro esquecer das dores do mundo, quando ao teu lado me sento para conversar amenidades, saber se vovó passa bem, ou mesmo ainda no ato infantil de apanhar as goiabas maduras, naquele velho pé de goiabeira no fundo do quintal. É! É um velho pé de goiaba que teima em manter-se vivo apesar dos maus tratos do tempo.
Queixo-me muitas vezes de teu mau humor, das preocupações excessivas, e dos resmungos de impaciência quando encontras as coisas fora de lugar, ao falar das incompreensões de teus filhos e do quanto gostarias que fossem diferentes.
Mas, logo tudo passa e aquela mágoa, antes tão doída, transmuda-se numa sensação de paz diante de teu sorriso, e com calma, retomo meu processo de libertação, no qual me ajudas sem saber, talvez até o saibas e finges que não sabes para não me amedrontar e assim eu poder firmar meus passos.
Sou novamente um bebê aprendendo a andar e sinto muito medo, mas quando isso acontece, corro de volta para casa e em teu regaço deito minha cabeça, descansando das tarefas de um árduo dia de trabalho, procurando esquecer das dores do mundo.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

REFLEXÕES DE UMA ALIENIGENA SOBRE O INTRIGANTE COMPORTAMENTO DOS SERES HUMANOS PARTE IV



Bom... me desculpem, mas a velha depressão voltou. As férias na lua não foram o sossego esperado, como antes... Há muito lixo à deriva no espaço (tive que me desviar de uma porção)e há terráqueo e máquinas demais indo para lá e para cá Universo afora, afim de descobrir os seus "mistérios insondáveis". Assim, estou novamente no “olho do furacão”, de volta à Terra, solidária em espírito, já que não posso estar lá, em carne e osso, ao povo de Mianmar, antiga Birmânia, no Sudeste Asiático, conhecida também como “terra dos templos”, que, além da recente devastação provocada pela natureza, sofre ainda o descaso das autoridades, uma junta militar ditatorial desumana, que governa o país e impede que a ajuda das nações estrangeiras chegue ao povo mais rápido, bloqueando o acesso, inclusive de funcionários da ONU - Organizações das Nações Unidas.
Há uma loucura generalizada tomando conta da Terra... pervertendo as mentes, deixando o mundo de pernas para o ar... e a banalidade toma conta de tudo. Por todos os quatro cantos, perigo, guerra, destruição, violência, morte e dor... nem as crianças são poupadas, em nenhum sentido... lágrimas incessantes que descem dos olhos de quem fita o ar, o rio ou o mar... lágrimas incessantes de quem não tem a proteção, nem o consolo dos seus, e que vive inseguro e infeliz dentro de seu próprio lar... realmente algo não vai bem por sobre a superfície do planeta, já disse isso antes, estou sendo repetitiva... Os monstros dizem que não são monstros, pois, aparentemente, sob a aparência humana, invertem situações e expressões, querendo, tentando enganar aos que ainda possuem alguma sanidade e bom senso (como podem ver, nós, os E.Ts, não somos os únicos a recorrerem a este estratagema). Portanto, cuidando com o que você pensa, cuidado com o que você diz, cuidado com quem você anda e principalmente, cuidado, mas muito cuidado mesmo com o que você deseja. Desejos costumam se realizarem das formas mais inesperadas e muitas vezes, de um jeito tão surpreendente, que chegam a deixarem arrependidos aqueles que o desejaram tão ardentemente,pois acabam soando como um castigo, um “karma” a ser pago... um favor a ser cobrado...
Aqui, no lugar onde moro, na vasta e cobiçada, região Amazônica, “celeiro do mundo”, chove muito, chove sem parar... Agora mesmo, por exemplo, está chovendo. De vez em sempre, as casas são arrasadas pelas chuvas torrenciais e as pessoas perdem tudo, até a vida. Embarcações lotadas que navegam pelos rios caudalosos, vão a pique com uma facilidade inacreditável. De uns anos para cá, tais “acidentes” têm sido bastante comuns, o que não deveriam ser. Das noticias do dia a dia, de dez, nove são pura tragédia, sobra uma para te dar algum conforto, assim como a sensação de que nem tudo está perdido, e o sentimento de que o que é bom existe, o “normal” acontece, e o impossível é possível.Como a tocante história do taxista que devolveu a um músico distraído,o seu instrumento, um Stradivarius avaliado em seis milhões de reais, esquecido no assento de seu carro. Infelizmente, estou numa fase em que não consigo apreciar o romantismo das coisas... não vejo graça nem beleza no tamborilar da chuva, não me enche de paz e leveza o pôr do sol, não me enchem de esperanças as boas atitudes... Não pensem que, apesar de mim e desse meu pessimimo, nada está sendo feito a respeito dos problemas humanos... Não... os sábios guardiões, zeladores incansáveis do bem e da evolução consciente que é oferecida ao seres, estão sempre atentos a cada detalhe... Há um chamado para que os humanos olhem e busquem a si mesmo, um chamado que quase sempre é ouvido, mas, propositalmente ignorado pela mioria, seja por descuido, seja por excesso de orgulho ou ignorância. Eu, embora sofra em meu mal-estar costumeiro,ainda assim procuro fazer algo a respeito... Talvez eu deva trocar meus óculos ou então mudar a posição usual pela qual vigio/avisto o planeta. Acho que uma cibercadeira giratória, na verdade, me cairia muito bem...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

DESOLAÇÃO



Guardarei o amor. Guardarei a saudade. Guardarei a dor...
No silêncio da noite, procuro me recompor e diante da tv esqueço-me de você.
O tempo vai passando. As crianças vão crescendo. E eu, aos poucos, vou morrendo...
É necessário que assim seja. Para que o pranto não perdure e o encanto não desvaneça.

***

Na ponta de uma caneta um pálido sentido; do impossível que insiste em ser dito.
Na televisão, as notícias de todo dia. Cansaço. Há no cotidiano um quê de desengano.
A chuva miúda cai lentamente e meus pensamentos se dispersam na estranha quietude de um tedioso fim de tarde.
O silêncio é o morador constante desta casa. Indisponho-me com a vida, mergulhando num louco sentimento de saudade de momentos não vividos.

***

Mas um dia se passa e eu aqui, de pé, à janela do meu quarto. Não há cantos de pássaros; nem de cigarras; não há murmúrio de vento em meio às árvores.
Desolação!
O silêncio que paira sobre a tarde só é cortado pelos arrufos de impaciência do homem que chega e se deita, inconsolável.
Logo a noite cai e então, o simples gesto de fechar a janela, pesa-me imensamente. Por fim a fecho e ela se fecha sobre mim como a tampa de um túmulo e tal qual um moribundo, dirijo-me à cama e deito-me também.

DECISÃO ADIADA


Francisco era um desses homens em cuja mente os bons pensamentos nem sempre fincavam raízes. Possuía um espírito débil, fragilizado por uma infância protegida e ao mesmo tempo, carente do carinho e amor tão necessários que só os pais conseguem dar nessa etapa da vida.
Já homem feito, uma loucura contida, quase imperceptível, se instalara em sua mente, adoecendo-lhe a alma e o coração, cobra enrodilhada, serpente malfazeja... Às vezes, lembrava-se do que dizia seu amigo Gaston sobre a mente: “O processo de funcionamento de nossa mente é ainda um mistério, mas, ouso compará-la a um castelo, devidamente projetado e arranjado para que dele possamos fazer o melhor uso, entretanto, o que fazemos? Ao não entendermos o processo de funcionamento e toda a sua vasta potencialidade; deixamos o castelo desprotegido, à mercê de toda espécie de invasores e sob as mais diversas influências, que acabam por dele se apoderarem, tornando-se então senhores absolutos”.
Bem, Francisco registrou esse modo de pensar, mas decididamente não o entendia. Processos mentais... Gaston e suas metáforas... Francamente, ele, Francisco, estava mais para prisioneiro do castelo do que o único senhor...
E foi assim que um dia, enfrentando a fila quilométrica do supermercado; irritado com a voz anasalada da esnobe atrás dele, teve um pensamento amalucado, para ele e talvez para muitos nem tanto assim, pois pensou naquilo com a naturalidade de quem diz que vai tomar banho ou preparar o jantar.
“Vou acabar com tudo... melhor assim, de hoje não passa... não agüento mais.... todo santo dia é a mesma coisa; as mesmas chateações... a mesma droga de vida... será que existe algo mais além de um dia atrás do outro? Pronto, está decidido, vou fazer isso assim que chegar em casa”....
Quem conhece Francisco (Chico para os íntimos) sabe de sua propensão para o drama... num instante, pronto... para ele uma situação boba vira um caos... um dramalhão...
Tá... conta paga, mercadorias embaladas, dirige-se ao carro. Pra sair do estacionamento... uma novela; pra escapar do trânsito.... uma vida... vida que logo deixaria... “iam ver”... era só chegar em casa... “ia chutar o balde de uma vez”... “mandar tudo pelos ares... pros quintos dos infernos...”
Mau-humorado estaciona o carro; passa pelo porteiro, sussurrando “boa noite” de forma não muito amigável.
Em frente ao apartamento procura a chave da porta no bolso da calça. Por pura falta de praticidade (ou seria preguiça mesmo), ele não a põe no chaveiro do carro, junto às outras... mas, “ah... está aqui... finalmente”.
Uma vez no conforto do lar pensa em como dar cabo de sua existência... “Bem, de qualquer modo, será melhor decidir isso de barriga cheia... é melhor preparar o jantar... daqui a pouco Ana Lúcia chega com as crianças... estarão famintas... mas, o que era mesmo que eu ia fazer?”
Pensando, vai à cozinha, abre o armário e tira uma taça de cristal onde serve o vinho francês, presente de Gaston, em seguida vai à geladeira e tira de lá o peixe que havia deixado de um dia pro outro, descansando em um molho com ervas, sal, limão e azeite de oliva, Francisco adora bancar o gourmet, para um preparo especial, afinal, esta será sua última refeição e “depois Ana Lúcia e as crianças vão adorar”... Quando todos estiverem dormindo, ele porá seu plano em ação... se existir vida após a morte vai sentir tantas saudades.... infelizmente, a vida é assim... eles ficarão bem...
Nisso, o telefone toca (é o Gaston). Ana Lúcia chega com as crianças; o almoço fica pronto e depois de assistirem, todos juntos, um pouco de televisão se preparam pra dormir... Isto feito, Francisco, já de madrugada, resolve fazer o que pensou o dia inteiro... então se levanta e vai até a cozinha beber água; abre a porta do banheiro... espera aí, ainda não havia decidido... “como ia ser? Se enforcar; cortar os pulsos? Enfiar uma faca no peito? Brrrr.... melhor se jogar pela janela...mas eles moram no primeiro andar, subir para o alto do prédio despertaria desconfianças do porteiro ou de qualquer outro que estivesse por ali, fosse chegando de uma farra ou fosse porque estivesse com insônia e Santo Deus... suicida que se preze, não pode ser interrompido... mas, pular?... ele ficaria todo amassado, irreconhecível... não... deve existir uma forma mais elegante”.
Sai do banheiro; vai para sala e espia pela janela... acende um cigarro e pensa... “o dia está quase amanhecendo... Há... já sei... veneno... veneno sim... é a solução ideal, mas qual? Tem que ser um que não provoque dor; quero estar bonito dentro do caixão. Assim que chegar ao escritório, vou fazer uma pesquisa na Internet. É... acho que vai fazer um belo dia... é melhor descansar um pouco antes de sair”.
Não demora muito, toca o despertador. Francisco acorda, vai para o banheiro, faz a barba, toma banho... sai do banheiro; entra no quarto, troca de roupa e segue para a cozinha... mesa do café posta; família reunida... que belo quadro!... Pensa Francisco, que então sorri; Francisco é feliz e ele sabe disso, nesses instantes de plena harmonia, então reconhece que há, na vida, algo mais além de um dia atrás do outro, nem sabe porque havia pensado em suicídio ...
Saem todos. À porta do prédio, Ana Lúcia e as crianças seguem juntas enquanto ele dirige-se só ao seu carro. Naquela bela manhã, fresca e luzidia, o sentimento gratificante é logo substituído pela irritação de um trânsito que não anda...; pedintes nos sinais... e o perigo de ser assaltado ou seqüestrado a qualquer hora, ou pior... assassinado... O inferno e as preocupações que permeiam uma grande cidade recomeçam e elas tomam conta da cabeça de Francisco “Será que Ana Lúcia e as crianças estão bem?”
Pega o celular e tenta ligar, mas logo é perturbado pelo estressado de trás... haja paciência e Francisco, diante do caos nosso de cada dia, é novamente assaltado pela vontade de desistir...
No escritório, atrasado, sobre a mesa, uma pilha de papéis... A pesquisa sobre venenos ficará para mais tarde, porém está decidido de hoje não passa... ainda hoje ele manda tudo pro inferno, inclusive a ele mesmo...
Saiu tarde do escritório... ainda bem que não precisava passar no supermercado... que trânsito caótico... tinha que chegar logo em casa e pesquisar sobre os venenos na Internet ou seria melhor comprar um livro sobre o assunto? Será que preparo frango ou carne? Devia ter perguntado a Ana Lúcia.
Francisco chega a casa pensando em sua pesquisa e no que fazer para o jantar. Irritado, estaciona o carro, dá um “boa noite” arrastado ao porteiro e sobe para o apartamento. Demora a encontrar a chave (estava no bolso de detrás da calça) mal entra, o telefone toca (não era o Gaston) era Ana Lúcia avisando que ia jantar com as crianças na casa da mãe... Pronto... Francisco tem muito tempo para se dedicar à sua pesquisa e fazer o que está há muito querendo fazer... mas é tão bom estar em casa... e agora que tem tempo de sobra, vai, antes, tirar uma soneca... dormiu tão pouco a noite passada... descansado poderá pensar melhor... “vou descansar aqui mesmo no sofá... quando acordar, entro na Internete... não... não .... de qualquer jeito, vou ter que preparar o jantar... acho que será mais fácil dar um pulo na livraria...”

quarta-feira, 7 de maio de 2008

INTELECTUAL?! QUEM?EU?!...



INTELECTUAL... Eis aí uma palavra pela qual não gosto de ser chamada; muito menos, definida. Incomoda-me profundamente. Não sou intelectual, nem literata.... Quando alguém possuidor de um vasto conhecimento ou muito “inteligente” quer elogiar outro alguém, chama-o de INTELECTUAL querendo este dizer com isso, que ele e o “elogiado” estão em um mesmo pé de igualdade em se tratando de inteligência ou os mais diversos interesses, incluído nessa diversidade a leitura como ponto de partida.. Assim, chamar outrem de INTELECTUAL é para o “amigo em questão”, o máximo dos elogios.
Bem, para um melhor esclarecimento, comecemos como começam tantos outros ao escreverem um artigo ou dar a sua opinião sobre qualquer assunto que, para maior efeito, exija-se primeiro uma clara definição, sem complicações... comecemos portanto, pelo dicionário, pejorativamente alcunhado de pai dos burros - e aqui faço uma ressalva; uma alcunha duplamente ofensiva já que para um dicionário (embora não seja uma criatura pensante) ser tachado dessa maneira diminui o seu valor enquanto livro de consultas, e, para quem a ele precisa recorrer, ser chamado de burro por causa disso é muito injusto, posto que nem todos nós somos tão burros assim...
Segundo o dicionário Aurélio; em edição revista e ampliada, INTELECTUAL é palavra originada do latim intellectuale, ou seja, relativo ao intelecto; ou seja, aquele que possui ou é, de modo predominante, predisposto aos dotes de espírito, de inteligência. Entretanto, aquele que se diz INTLECTUAL, aquele que se diz amante das coisas do espírito, nem sempre é um verdadeiro amante das coisas do espírito, nem sempre é simplesmente inteligente, no mais simples sentido da palavra, e nem sempre faz um bom uso dessa tão apregoada inteligência e conhecimento.
Clarice Lispector, uma de nossas maiores, delicadas mas, acima de tudo inteligentes escritoras não se considerava uma intelectual e quando alguém a chamava assim ela costumava dizer que não era não. Sua opinião sobre si mesma não era por modéstia e sim por achar que não fazia uso da inteligência. Usava a intuição, o instinto, mas a inteligência... Para Clarice, em sua crônica INTELECTUAL? NÃO. do livro APRENDENDO A VIVER (2004, Editora Rocco) um INTELECTUAL, em sua concepção, além de saber usar a inteligência, é detentor de uma vasta cultura. E é verdade... mas, às vezes, O INTLECTUAL despeja em cima de nossa ‘ignorância” a sua “vasta cultura” e “profundo conhecimento”, que mais parece uma central de informação, de tudo sem entretanto fazê-lo com a devida aplicação e sapiência, pois, certo é, que nem todo aquele que possui conhecimento possui sabedoria. Um sábio, diferentemente do intelectual, alia a inteligência do intelecto à intuição do espírito e ao instinto, colocando cada um, considerada as devidas proporções e naturezas, em seu devido contexto. Um sábio não precisa ser um intelectual ou disso ser chamado já que sabe empregar com sabedoria a inteligência e o conhecimento que tem. Ele aprendeu com o coração, e é exatamente aquilo que é.
INTELECTUAL? QUEM? EU? Eu não...! E se não sou intelectual, se não sou literata, então, afinal, o quê ou quem sou? Ainda não sei, mas, quero antes de tudo ser como Clarice que, descrita por suas próprias palavras é “uma pessoa que por vezes percebe, uma pessoa que pretende por em palavras um mundo ininteligível e palpável, mas sobretudo ser uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa da vida humana ou animal”.

terça-feira, 6 de maio de 2008


RALO ABAIXO: Um momento de distração.... e lá se foi a vida pelo ralo.

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SOFREGUIDÃO: Sorvia a vida em altas doses e era tanta a pressa, que se engasgou...

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GRAVIDEZ: Estava grávida... de idéias... e seu corpo inteiro, por dentro e por fora, da cabeça aos pés, era só aflição.

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AVULSO: Fez uma grande bola de seus pensamentos e jogou-a na cesta... de lixo.

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SOBRE HOMENS, CRÂNIOS E TIGRES: Do crânio esfacelado salta um tigre faminto.

***

VORACIDADE: O mar voraz vomita na praia os restos da refeição indigesta.

Cantilena do Corvo

DEMÔNIOS... OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS

  Sempre indaguei da vida, se ela presta mesmo, apesar de, lá no fundo de mim, acreditar que sim, “a vida presta”, apesar de tantas barbarid...