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domingo, 23 de março de 2025

DEMÔNIOS... OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS

 


Sempre indaguei da vida, se ela presta mesmo, apesar de, lá no fundo de mim, acreditar que sim, “a vida presta”, apesar de tantas barbaridades cometidas debaixo do sol. Contudo, uma tristeza me invade ao deparar-me com tantas coisas ruins que aconteceram e continuam a acontecer, dado ao espírito que tem se apossado das pessoas de um modo estranho e até surreal. Elas têm deixado seus demônios tomarem conta de suas mentes e de seus corpos; temos estado à mercê de pessoas degradadas, que se entregaram ao mal total. Somos todos, uma espécie de monstros ou melhor, trazemos todos, dentro de nós, algum tipo de monstro, que só espera um deslize grave de nossa idoneidade, para tomar conta de vez de tudo o que um dia, teve a intenção de ser algo bom. É a velha história do aforismo Nietzchiano, “se você olhar demasiado para o abismo, pode ter certeza, que o abismo também estará olhando para você”, então, quem é presa de quem? Os monstros estão à solta, vagando por aí, feito pessoas boas e bem comportadas, até apresentarem o primeiro sinal de contrariedade na realização de seus desejos, desde os mais simples até os mais contraditórios, afinal, o Universo lhes deve e portanto, deve pagar para continuar a ser agraciado com sua soberana presença… penso no quanto somos indefesos, diante dessas forças malignas, que nós mesmos liberamos para fora de nós, feito lança-chamas infernais, contaminados por presenças demoníacas. Não falo de demônios da forma mística ou supersticiosa, falo de demônios como coisas que carregamos por dentro, como problemas mal resolvidos, humores mal tratados, transtornos mentais não diagnosticados, os demônios são metáforas que criam vida e nos destroem, é impressionante como eles nos deixam despidos de inteligência, bondade e empatia… tem como se proteger dos demônios? Não sei… não sei… deve ter uma fórmula, um exorcismo, mas, a verdade, é que são de difícil combate, pois eles estão por todos os lados, em legiões, que nos tiram a vontade de lutar. Falta força, energia, falta luz… a escuridão avançou tanto, que nos subjuga, nos suga e nos mata. Não é uma batalha entre o bem e o mal, é uma batalha sobre quem somos, o que somos e quem queremos ser… no entanto, o que somos, tem levado vantagem sobre quem queremos ser, isso se se levar em conta, se queremos mesmo ser seres bons, no sentido de sermos melhores, para que a humanidade sobreviva a si mesma, pois o que parece é que a entrega a maldade tem obtido resultados avassaladores, assustadores. Acordar todo dia, nos sentindo no umbral, nos dá a sensação de batalha perdida, mesmo que a guerra em si, não tenha terminado ainda. A barbárie sempre existirá, é fato, mas, talvez, um dia, possa ser que amenize e nos deixe ao menos, algum poder de escolha.                   


domingo, 9 de março de 2025

UM TREM PRAS ESTRELAS COM TRÊS PASSAGEIROS



A morte do ator Gene Hackman, atinge, para mim, um alto grau de insensibilidade humana, principalmente, na esfera familiar; não dá pra entender certas situações e ainda mais à distância. Quero dizer, com isso, que Hackman e sua esposa, Betsy Arakawa, viviam independentes e isolados, talvez por vontade própria? Não se sabe; só acho estranho que o casal procurasse fazer tudo sozinho, com uma casa daquele tamanho e mais alguns cachorros. Claro que, o trabalho todo, recaia nas costas de Betsy, pois o marido Gene, a padecer de Alzheimer, não teria a menor condição de ajudá-la em nada, ele é, que, enfim, dependia dela para tudo. 

Acho a vida, na maior parte das vezes, muito triste; o casal morto, dizem que de causas naturais, mais Zina, a cadelinha de estimação de Betsy, também encontrada morta dentro de sua caixa, ainda fechada. Contudo, as "causas naturais", não as considero tão naturais assim, pois Betsy, 65 anos, padecia do hantavírus, e no dia de sua morte, nada levava a crer, que seria, enfim, o dia fatal, o ponto final de uma vida glamourosa. No dia 11 de Fevereiro, Betsy saiu... foi pegar Zina no veterinário, parou em uma casa de ração e em uma farmácia, após isso, nunca mais foi vista. Gene morreu uns cinco dias depois, (talvez de inanição?!) uma vez, que, por sofrer de Alzheimer, nem teria se dado conta do passamento de Betsy; o que comeu, bebeu, como ficou em suas últimas horas, é um mistério que, espero, possa logo ser desvendado. Que repousem em paz, Gene, Betsy e Zina e onde quer que estejam, que possam desfrutar da presença um do outro, assim como foi nesse mundo e Zina, esteja livre e feliz, a correr por algum campo estrelado, atrás de um agrado. Gene é uma estrela, uma lenda e assim como as lendas, não morrem nunca ou se acontece de morrer, através do esquecimento, será como as estrelas, que mesmo apagadas a milhares de anos, continuam a emitir sua luz.



sábado, 8 de março de 2025

DIA DA MULHER




MULHER

Não vou dizer-te mulher,
O que és e tão pouco dizer-te o que deves ser,
o que fazer, ou sequer por onde ir
São teus todos os caminhos
Onde é teu lugar?
Não há véus a te cobrirem...
Não há grilhões a te prenderem os pés
E visíveis estão tua cabeça e teus olhos
És livre de corpo, alma e coração
Novas te são sempre as estações
Repletas de surpresas e indagações
O futuro é sempre um sonho a se alcançar
Não importa!
Mulher, rainha de tudo e de nada
Dona de tudo e de todos
Não és criança, nem jovem, nem velha,
Nem morres em morna, imprecisa espera
Não há frio ou calor, não há dor
Há somente amor a pavimentar a estrada
Por onde passas a plantar flores perfumadas, nunca solitárias
A serem colhidas em tempo in/certo
É fato jurado, sacramentado determinado pelos fados

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

CONSUMMATUM EST (Lançamento)



Natal chegando e meu livrinho de true crime, aí, só te esperando... Escrevi um livro sobre histórias de vidas com fins trágicos, terríveis, mas, que são enfim, histórias do cotidiano, que nos levam a pensar sobre nós, seres humanos... que nos levam a repensar sobre nossa humanidade e brevidade da existência e também por que também nós vivemos na selva de pedra, e não diferente de outros animais, somos caças e caçadores de nós mesmos... o lobo é o lobo do homem? Sim... o lobisomem.


PRÈ-VENDA


Consummatum Est é um livro de contos policiais, sendo que a maior parte deles é inspirado em fatos reais. Unindo filosofia e um pouco de didática, uso argumentos sobre Vitimologia, tentando entender o por quê de muitas vezes, nos transformarmos em vítimas de predadores de nossa própria espécie; por quê, tantas vezes, fazemos opções por situações claramente perigosas, alarmantes e mesmo assim não nos detemos para avaliarmos o potencial mortal da situação, pois, parece que estamos sempre à espera da sorte benfazeja que nos protege na hora H. É tentando levantar e discutir questões que já aconteceram a outros, para que possamos retirar dessas trágicas histórias de vida, alguma espécie de conhecimento sobre nós mesmos, para que, enfim, possamos evitar a escuridão que tanto tenta nos alcançar.






ATENÇÃO PARA OS PRAZOS


A pré-venda ocorrerá até o dia 19 de dezembro de 2024.
A previsão de envio dos livros para quem comprou na pré-venda é a partir do dia 20 de dezembro.
A editora fará o envio do código de rastreamento do livro no e-mail fornecido na hora da compra.
A editora não se responsabiliza por endereços preenchidos com erros, portanto, preencha seus dados com atenção para que o produto chegue até você.
O cliente deverá acompanhar o código de rastreamento, para evitar que seu produto retorne, em caso de não haver ninguém para receber o pedido.
• Código do produto: 974ED7
• Quantidade mínima: 1
• Disponibilidade: produto feito sob encomenda
• Pagamento no momento do pedido: 100% de sinal
• Frete: grátis

https://www.editorafolheando.com.br/pd-974ed7-consummatum-est.html?ct=&p=1&s=1 

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

EE-SE BLUE HAVEN


Ee-se encontrou Ahemed na saída de Hus. Dirigia-se ela aos campos de refugiados, nos arredores de Palmira, enquanto Ahemed seguia com seu pai para mais um dia de trabalho. Jornada dura, de 10 horas por dia pra uma criança de 10 anos. 

Ahemed era um dos que trabalhavam na fábrica de armas dos revolucionários rebelados. Seguia ele com seu pai, cedinho pela manhã, caminhando pela semi-iluminada rua da cidade de Mooujir, uma das poucas jóias que ainda restavam da humanidade, comunidade cristã, onde ainda se podia ouvir a língua de Jesus, o aramaico, mas, cuja maioria da população, por apoiar o ditador Bayad al-Bayouth, sofria, por isso, graves retaliações. Mooujir, agora, está em mãos de rebeldes descontrolados, e atacaram o vilarejo do alto da montanha, em que estavam aquartelados. O vilarejo virou mais uma de suas bases. Não apenas Mooujir, sua população e seus tesouros estão semi-destruídos, todo o povo e todos os tesouros de Hus, que encerram em si, todo um patrimônio histórico-humano, estão sob o jugo ou soterrados pela ignorância e intolerância. 

Ee-se estava deixando Hus, para se acomodar em um dos acampamentos para os refugiados. Verdadeiras cidades, a aumentarem em tamanho e problemas. Mais de um terço da população de Hus, já deixou para trás seu pais, seu lugar, suas memórias. Vivem à mercê de improvisações e indagações, sujeitos a todo tipo de infortúnio, enquanto esperam... O sol já despontou de vez, ó, Osíris, tu que possuis tantos olhos, ao menos repousa sobre nós a tua calma, a tua paz, e ao lado de Ee-se, além de outros médicos, se encontram outras crianças, outros Ahemeds e Mohameds, Aminas, Semiras sem futuro, sem esperanças .. sem sonhos.. crianças de colo sem canções de ninar, crianças a crescer sem ouvir os conselhos das velhas historias. Tão triste conviver com o desencanto.

O governo de Bayad al-Bayouth, ainda sob as ameaças de Brack Ormul, finalmente concordou em entregar as armas químicas e o Conselho dos Anciões Permanentes conseguiu, enfim, concluir sua inspeção e relatório e agora todos sabem que tanto o governo frio, sem alma de Bayad al-Bayouth quanto os rebeldes revolucionários, atacam, maltratam, pressionam, chocam, sufocam, intimidam matam seu povo em nome de suas próprias convicções equivocadas. O único interesse tanto de um lado quanto de outro é tornar o povo servil, maleável e sem vontade, para que possam espoliar, escravizar e tomar para si os bens que possuem, os mais preciosos. São crápulas predadores, não libertadores ou mantenedores. 

As pessoas, em seu mundinho tão confortável e distante, nem imaginam, a dor de um êxodo forçado, com crianças doentes e feridas; mulheres a se lamentar de sua sorte e velhos inconformados, que, com toda razão, depois de longo tempo de vivência e trabalho, apenas queriam um descanso merecido. Ee-se pensa que existem coisas que é melhor você não ver; existem coisas que é melhor você não saber! Ee-se se recosta à janela do carro, à busca de um afago do sol ... às vezes pensa que não dá mesmo pra salvar o mundo, pensa assim no sentido figurado, claro... do seu lado, o escuro também se faz intenso e Ee-se pensa, pensa ... você se omite?! você se esconde? você encara?! dá a cara à tapa?! Tudo isso é muito lindo e admirável, mas, há os limites a saber e respeitar, quando o cansaço da luta renhida se apresentar e se fizer mais intenso, mas, Ee-se não é humana, é uma deusa que abriga em si todo principio da vida, da existência então, sabe que não pode parar, cansar ou descansar no esquecimento.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Dylan Thomas: Dois Poemas




1. No meu ofício ou arte sombria

(do livro Deaths and entrances, 1946)

Tradução: Gilmar Leal Santos


No meu ofício ou arte sombria

Exercida na calada da noite

Quando somente a lua se enfurece

E os amantes estiram-se na cama

Com todos os pesares em seus braços,

Eu trabalho sob uma luz que canta

Não por ambição ou pedaço de pão

Ou a ostentação e encantamento

Dos palcos de marfim

Mas pela pequena paga vinda

Do fundo de seus corações.


Não é para o homem orgulhoso despegado

Da lua furiosa que eu escrevo

Nestas páginas úmidas

Nem pelo monumental cânon morto

Com seus rouxinóis e salmos

Mas para os amantes, seus braços

Enlaçam as dores eternas,

Que não louvam ou remuneram

Nem dão atenção ao meu ofício ou arte.


2. Não entre sereno naquela noite boa que cai

(do livro In country sleep, 1952)


Não entre sereno naquela noite boa que cai,

A velhice deve arder e celebrar no limiar do dia;

Rebele-se, rebele-se contra a luz que se esvai.


Os luminares sabem que ao fim, precisa, a treva recai,

Eles, suas frases não dividiram nenhum raio que luzia,

Não entram serenos naquela noite boa que cai.


Os bons, no último aceno, sofrendo pelo brilho que vai

Luzir de suas parcas ações a dançar na verde baía,

Rebelam-se, rebelam-se contra a luz que se esvai.


Os loucos, após colher e exaltar o sol em seu voo solais,

Aprenderam, tarde, que o magoaram nessa travessia,

Não entram serenos naquela noite boa que cai.


Homens soturnos, à morte, que veem feito débeis visuais

Olhos cegos podem brilhar como meteoros e ter euforia,

Rebelam-se, rebelam-se contra a luz que se esvai.


E você, desde lá da angustiante altura, meu pai,

Amaldiçoe-me, benza-me, com pranto feroz, eu pediria.

Não entre sereno naquela noite boa que cai.

Rebele-se, rebele-se contra a luz que se esvai. 


***

Dylan Thomas nasceu em Swansea (País de Gales) em 1914 e morreu em Nova York (EUA) em 1953. Foi um dos poetas líricos mais influentes do século XX. Escreveu os livros de poemas Eighteen poems (1934) e The map of love (1939) e os contos de Retrato de um artista quando jovem cão (1940) e Adventures in the skin trade (1955). Além de poeta e dramaturgo, Thomas foi locutor de rádio da BBC entre 1937 e 1953. Esses programas e o modo de vida boêmio lhe renderam fama e notoriedade em sua época. 

   P.S: Gilmar Leal Santos nasceu em Apucarana (PR) e vive em Maringá (PR). É poeta e tradutor. Publicou os livros de poesia Trapezista, Carmesim, Cartas poéticas e A Terra Árida — tradução do clássico poema The waste land, de T. S. Eliot. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

SÍNDROME DE VIRA-LATA


Complexo  ou Síndrome de  vira-lata é uma expressão e conceito criada por Nelson Rodrigues, dramaturgo e escritor brasileiro, que originalmente, referia- se ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando a Seleção Brasileira foi derrotada pela Seleção Uruguaia de Futebol na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã. 

Para Rodrigues, o fenômeno não se limitava somente ao campo futebolístico:

“Por "complexo de vira-lata" entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima. 

(Fonte: Wikipédia)


Ontem, li no blog da comunidade de um desses youtubers, ao comentar sobre o atentado ao Mingau, baixista do Ultraje a Rigor, (li fazendo vozinha e revirando os olhos): "O Brasil está cada vez mais violento e bizarro". O cara escreve isso, como se fosse apenas aqui, no Brasil, que ocorresse "violência" e "bizarrice"; um pensamento simplista, raso e completamente destituído de inteligência. Por acaso, as leis de Portugal, e outros países da Europa e América do Norte, que nem o Canadá, são melhores? Quer país mais bizarro, violento, com racismo estrutural de fato, que os Estados Unidos? E preciso dizer por quê? Não, né? Não preciso. 

Esses dias, um brasileiro, assassino, com duas mortes nas costas, condenado à prisão perpétua por feminicídio, fugiu da cadeia americana pelo teto; empreendeu a fuga, inspirado por um outro preso americano, que algum tempo antes, havía fugido também pelo teto, que mostrou-se um lugar acessível e fácil rota de fuga; porém, o americano foi logo recapturado, já o brasileiro, faz agora, mais de uma semana que está sendo caçado. Até o estão a chamar, aqui no Brasil, de "o novo Lázaro", vocês lembram do Lázaro? Sabem o porquê, então. Se o encontrarem, não será capturado vivo. Tenho quase certeza disso. 

Outra frase: "Não confio na Justiça Brasileira". Oras, é preciso ler, conhecer as leis, o Código Penal e a Constituição para poder entender. Se você não "confia", não concorda com certos resultados de julgamentos, se acha absurdas certas leis, faça por onde mudar ou ajudar a mudar isso. Basta votar nas eleições em canditados com propostas sérias, com programas sérios. Pessoas que duvidam de tudo no Brasil, que odeiam o seu país, são, no mínimo, pessoas com ideologias descabidas ou com simpatias pelos extremismos, seja de Direita ou de Esquerda. Para mudar um país, para mudar leis precisa-se de pessoas engajadas nas lutas por mudanças para melhor. Cansada de quem só senta e reclama. Se não gosta de alguma coisa, vá lá e mude… lute, grite, fale. Para mudar alguma coisa, precisamos de PESSOAS!


Pessoas saem do país para trabalhar em subempregos porque dizem que o Brasil não dá oportunidade. Os outros países dão? Se você não estudar, vai continuar em subemprego em qualquer lugar. As pessoas esquecem que 4 anos de desgoverno, quase acabou com o Brasil, mas os extremistas, continuam a bater palma pra maluco dançar. Gente que se queixa e vê defeitos no novo governo, é aquele tipo que acredita que a política só é boa quando somente lhe favorece. A maior parte dessas pessoas que se queixam do Brasil, são aquelas que não viram defeitos no governo passado e se agora, temos o feminicídio, mortes provocadas pela polícia e mortes de todo tipo, provocadas pelo tráfico, é porque em 4 anos, ninguém fez nada para a vida se sobrepor. Foram 4 anos de uma política de ódio mortal às minorias, aos mais fracos, aos mais vulneráveis. O que vivemos agora é um reflexo do ódio. Não, o amor não venceu. Ainda não venceu.






terça-feira, 5 de setembro de 2023

A FOLHA E O RIO


Foto by Bob Medina

Assim como a folha levada pelo rio, assim vai a minha dor, assim vai o meu amor... Vai, feito folha leve e velha que nem essa, para onde o rio levar...  A descansar nas margens ou quiçá, nas profundezas de uma vida imperfeita.

A folha, leve e velha surpreende o mundo por onde passa pela graça, beleza e estranheza com que se deixa levar, pacientemente, sem se queixar, para onde e como o rio quer, para onde e como o rio quiser.

Segue em silencio, sem queixa, a velha folha, para juntar-se a outras folhas, tão velhas quanto ela, contadoras de histórias, que sabem que, antes, precisam primeiro apodrecer para depois, voltar a viver...  A voltar, a prosseguir, a percorrer, a insistir em novos ciclos, outros caminhos.

A folha, em essência, se encontra presente em todos eles... Tal qual a água do rio que a levou para longe.

 


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

"ADEUS TAMBÉM FOI FEITO PRA SE DIZER"




Em nota breve, venho dizer que Dylan não resistiu a maldita cinomose. Morreu no sábado à noite e tudo foi muito triste assim como foi sua curta existência. Não houve chances. Eu ainda tenho 5 cães. Três cadelas e dois machos e 3 gatos fêmeas. Nem consigo imaginar minha vida sem eles, embora muitos dos gatos eu tenha perdido de vários modos pela minha vida afora. Minha relação com os gatos é mais complicada, mesmo amando-os muito, os cães, porém, ocupam um lugar especial em meu coração e se eles sofrem ou são maltratados, sofro com eles, amaldiçoando as almas condenadas que em vez de cuidá-los os fazem sofrer ao extremo.

Schopenhauer caminhando com seu poodle Atma”, feito pelo poeta e caricaturista alemão Wilhelm Busch.

Para o filósofo alemão Schopenhauer, grande amante dos cães, a dor seria o vínculo mais importante entre os humanos e os animais, aquele que os une como seres consoladores um do outro. 


A autora Olga Tokarczuk diz em seu livro Escrever é muito perigoso: “Para mim, é mais fácil suportar o sofrimento de um ser humano do que o sofrimento de um animal. O ser humano tem uma posição ontológica própria, elaborada e anunciada aos quatro ventos, e assim constitui uma espécie privilegiada. Tem cultura e religião para o apoiarem no sofrimento. Tem suas racionalizações e sublimações. Tem Deus que, enfim, o salvará. O sofrimento humano tem sentido. Para o animal, não há nem consolo nem alívio, porque não existe salvação que o espere. Não há sentido. O corpo do animal não lhe pertence. Ele não tem alma. O sofrimento do animal é absoluto, total. Se procurarmos vislumbrar esse estado com nossa capacidade humana de reflexão e compaixão, desvenda-se todo o horror do sofrimento animal e, em consequência, o terrível e insuportável horror do mundo” (2023, p. 39)." 

Dylan morreu no sábado e tivemos que chamar um crematório particular, dado que a Prefeitura não disponibiliza, mas deveria, esse tipo de atendimento, já que por ter morrido de cinomose, não se pode enterrar. Estou com saudades e sempre que penso nele, meus olhos se enchem de lágrimas, porque, de certa maneira, eu não sei o quanto ajudei, o quanto contribui em seu sofrer, pois ao pensarmos estar a fazer o bem, muitas vezes, fazemos é o mal. Não há mais muito o que eu tenha a dizer. Não é o primeiro cachorro que perco, mas, com cada um que se vai, um pouco da minha alma vai junto, são anjos na terra, eles guardam mundos em si, segredos e mistérios e se você quiser aprender mais da vida, tenha um cão e o trate com todo o amor no coração… é como dizia Kafka: "Todo o conhecimento, a totalidade das perguntas e respostas, se encontra nos cães”. 



quinta-feira, 31 de agosto de 2023

#PAREM DE NOS MATAR!



Eu não me conformo com pessoas que se acham donas das outras. Todo dia, um "homem" comete feminicídio e em muitos comentários sobre assassinatos de mulheres, vem os misóginos dizerem que a vítima procurou seu destino fatal ou que "teve o que mereceu". Isso é de uma desumanidade… todo dia assassinatos, espancamentos, cárceres privados, motivados pelos motivos mais banais, como ciúme, inveja ou "honra ferida de macho", matam as mulheres, matam seus filhos também e muitas vezes, os filhos são do próprio assassino. Mulheres fortes, lindíssimas, de todos os níveis sociais e profissões, com carreira, com sucesso, e mesmo as mais trabalhadoras, simples donas de casa, que tantas vezes, possuem vida independente e de repente se ligam ao sujeito mais abjeto, o mais vagabundo e cruel possível. Por que isso acontece? Não sei se são apenas problemas de carência como tantos dizem. Medo da solidão? Não sei também… por que se dedicar a relacionamentos ruins, apenas por medo de estar só? Os "homens" enganam, mas fingem tão mal… Temos que parar de fazer péssimas escolhas, não sei como, mas temos que tentar. 

Ao tentar se afastar de relacionamentos abusivos, essas mulheres se vêem acuadas, ameaçadas e mortas. A chacina na Bahia, é mais um desses exemplos terríveis, dessa cultura patriarcal e nojenta, de despersonalizar a figura feminina, sempre com o intuito de que a violência gerada contra ela é, e sempre será, culpa dela; apenas dela. 

A chacina na Bahia é só mais uma tragédia que vem se somar a tantas outras mais, do que um ser trevoso, com minhocas na cabeça, é capaz de engendrar só por imaginar que a namorada ainda se relacionava com o ex; pensem… isso é de uma estupidez sem limites; aí, munido dessa ideia superficial, subjetiva, incerta, o sujeito vai lá, todo cheio das armas, certezas e "machezas", na casa da companheira, ladeado por mais três marginais para matar um só, um seu igual, tão tosco e bruto quanto ele mesmo, atolados ambos, até o pescoço na mesma lama, e acabam matando quase toda a família inteira, culminando a tragédia, no atear fogo na casa e assassinando mais duas pessoas, que não tinham nada a ver com a situação, duas mulheres, claro, como "cereja do bolo" da barbárie cotidiana; duas mulheres corajosas, que resolveram ajudar uma das crianças que lhes fora bater à porta, já que a família da moça visada, naquele momento, era composta apenas por crianças e adolescentes, jovens entre os 12, 16, 18 anos e um bebê, de apenas 1 ano, que foi poupado.

A criança de 12 anos, que, a princípio, escondeu-se embaixo da cama, a fim de escapar da execução, foi a que fugiu, ao ver a casa com o fogo ateado. Com parte do corpo queimado, imaginem a dor, ele correu e foi pedir ajuda às vizinhas, lhes selando assim, sem intenção, o trágico fim. Poucas pessoas, no luģar dessas duas mulheres, teriam ajudado o garoto, posto que o preço a pagar, foi alto demais, e no fim, pra quê tudo isso meu Deus? A pessoa é movida por tanto ódio, que mesmo sabendo que ao fazer mal ao outro fará mal a si mesmo, prossegue nesta autodestruição. É tudo tão insano e incompreensível. 

PAREM DE NOS MATAR! Simplesmente, PAREM!

Não somos propriedades, não somos objetos, somos pessoas, com livre arbítrio, alma e coração. Há na brutalidade desses homens, o resquício da besta-fera, que ressurge toda vez que um deles se sente enganado, espoliado em sua essência… na verdade, um "homem" assim é amaldiçoado. 

Mulheres, parem de se iludir. Não há amor no ciúme, não há romance na relação forçada, no estupro, no espancamento, na profanação dos corpos femininos, no abuso psicológico, mas há inveja, desamor e muito desequilibrio mental por parte deles.

Lembram da história A BELA E A FERA? pois é… por ser um clássico, mas possuir inúmeras versões, faz com que você geralmente, comumente, pense em Bela, apenas como uma boa moça, que para proteger a família, arrisca-se a viver em um castelo abandonado à mercê de uma besta-fera, que no final da história, se redime diante do amor e da bondade passiva mostrada pela protagonista. Claro, podemos dar inúmeras interpretações para esse conto de fadas, desde a concepção mais ingênua até o terror básico e clássico de ver a história toda psicanalisada, passando por dramas familiares, que vão do Complexo de Electra, incesto, narcisismo, inveja e manipulação. 

Bela, em minha interpretação da história, vive uma relação abusiva tanto com a família quanto depois, com a Fera. A Fera a mantém prisioneira, sem poder nem visitar a família, subornando a moça, enquanto faz toda espécie de chantagens emocionais e sentimentais. 

Mas, não apenas a família de Bela ou a Fera, que tem problemas. Bela também os tem, uma vez que ela faz parte do círculo problemático, vicioso, defeituoso, tempestuoso. Penso que sua submissão proposital para com a Fera, algo tipo "Síndrome de Estocolmo"; o apego exagerado ao pai e a relação unilateral e "compreensiva" que mantém com as irmãs, faz de Bela não uma pessoa boa, mas sim, narcisista, superior e um pouco manipuladora, contudo, não má. É apenas uma pessoa em busca de si mesma e como pessoa humana, com defeitos, quem não os tem? Todo mundo tem, por isso mesmo, devemos aprender a identificar os homens problemáticos. Tarefa fácil não é, porém, impossível, também não. Saibamos também identificar os nossos próprios defeitos, porque, ao conhecermos nossas falhas, poderemos fazer, com suavidade e sabedoria, nossas próprias boas e produtivas escolhas, enquanto estamos a pavimentar a estrada de nosso destino. Ter um parceiro de vida é bom, porém não é tudo. Aprender a conviver com nós mesmos e com nossa solidão, nossos problemas ajudar-nos-á a seguir em frente, sem depender emocionalmente de tantos ogros, alguns disfarçados de príncipes, mas tendo em comum entre si, o fracasso como ser humano; seres fracassados, libidinosos, invejosos, dispostos a nos mandar pro inferno, seja sozinhas (a preferência deles) ou junto com eles.






 

domingo, 27 de agosto de 2023

O CORVO


Assisti ontem, ao filme O Corvo, na HBO, estrelado por John Cusack. A produção é de 2012, mas, só agora lembrei de ver, graças a uma postagem que vi no Facebook. Eu amo Edgar Allan Poe e leio e vejo tudo que lhe diz respeito. 

O filme trata dos últimos cinco dias da vida de Poe, em Baltimore, em meados do século XIX, em pleno período de eleições. Ninguém sabe o que aconteceu com Poe nesse meio tempo, pois foi encontrado praticamente desacordado, largado em um parque. Sozinho, sujo e completamente fora da realidade. Muitos acharam até que estava bêbado ou que estivesse sob efeito de outros tipos de drogas e há inclusive, a suspeita de que foi usado, sendo levado para votar várias vezes em diversos distritos. 

Bom… no filme, Poe, a essa altura, já viúvo, como sempre, está apaixonado perdidamente por uma bela mulher, de onde tira inspiração para seus poemas; no filme, é sugerido que o poema Annabel Lee foi dedicado a ela, a jovem branca e loira Emily Hamilton (Alice Eve), mas, claro, tudo é obra de ficção, Poe nunca teve essa namorada e o poema, provavelmente, foi escrito para sua jovem e finada esposa, Virgínia Clemm Poe. Enquanto vive essa paixão avassaladora, um assassino resolve recriar na vida real os contos assombrosos e sanguinolentos do mestre. Há uma corrida contra o tempo, quando Emily é sequestrada e em cinco dias, com a ajuda do chefe de Polícia, o detetive Emmett (Luke Evans), e sua equipe, Poe tenta descobrir quem é o autor de tantos crimes e o sequestro de sua amada. Um filme muito bom, com John Cusack, inteiro, na pele do maior escritor de todos os tempos.

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sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Porquê eu sou... sincero?!


É cansativo esse pessoal que pratica o "sincericídio"; com a desculpa de ser sincero, verdadeiro, comete erros impensáveis como humilhações, racismo, ódio, confunde "alhos com bugalhos" em nome de uma verdade que só cabe a eles mesmos, à sua realidade distorcida e muitas vezes horrorosa. 

Eu já disse tantas vezes que sou sincera, pois existem os sinceros e os "sincericidas"; eu sou sincera mas a medida do possível, sincera até onde me manda o bom-senso, porque ser sincero não requer confissões despudoradas, de foro íntimo ou de conceitos e preconceitos que atingirão outras pessoas de forma malévola e ignorante. 

A era Bolsonaro, inaugurou esse tipo de "sinceridade" maligna, posto que ser sincero não requer falta de educação ou frases disparatadas sem a menor compostura. O "sincericida", traz à tona a maldade subjacente que há dentro dele e com isso se passa por "autêntico", quando simplesmente está mesmo é a ser um hipócrita, um sádico, distorcendo algum tipo de verdade (como se existisse apenas uma verdade, a dele, claro), ou algo do tipo verosimile; um hipócrita que usa de uma pseudo-verdade que, como já disse acima, só lhe diz respeito. Um "sincericida" é autodestrutivo e destruidor da ordem social pelo qual as pessoas se relacionam.

Hoje em dia, tenho pavor de quem se diz "sincero", "autêntico"; o "sincero", o "autêntico" ou o "sincericida", é, no fundo, um fascista, um bolsonarista, um extremista. É cruel sem a menor necessidade e gosta de ser assim. Sinceridade é uma faca de dois gumes; para se fazer uso da sinceridade, é preciso ter empatia, bondade, arcabouço moral. Um "sincero" atual, de nossos dias, é um alguém destituído de humanidade, um amoral, é um debilitado emocional que desconhece a ética. Deus me livre de "sincericídios"; "autenticidade", em nossos dias, não tem nada a ver com autenticidade, de fato. Prefiro concordar com Cazuza, quando dizia: "Mentiras sinceras me interessam"... sim, mentiras sinceras me interessam de verdade.



quinta-feira, 24 de agosto de 2023

O Lagarto e a Aranha


 
Reflexões de Idries Shah

'Um lagarto e uma aranha se encontraram. O lagarto disse: 'O que você come?' e a aranha respondeu: 'Moscas.'

'Eu também', disse o lagarto, 'parece que somos companheiros adequados.'

Eles montaram casa juntos.

Uma noite, eles estavam caçando moscas. Um gato se aproximou. Um instante antes de se lançar sobre ele, o lagarto gritou para a aranha:

'Um gato vai me pegar, o que devo fazer?'

A aranha respondeu: 'Apenas teça um pouco de teia e escape para este pequeno buraco onde estou.'

Enquanto o lagarto tentava entender isso, o gato o pegou.'



VAN GOGH'S ROOM



Foto_Krzysztof Buchowicz, Poland

VAN GOGH'S ROOM

O quarto solitário, pobre, desfeito
Não é triste, nem sombrio
Sequer vazio
Em verdade, é um quarto modesto, de baixo teto
Todo amadeirado, em tom ocre, alaranjado, onde o chão segue no mesmo riscado, do mesmo jeito e cor, a por calor, amor ...
Ali, duas cadeiras “feias” e uma mesa quadrada, pequena, compõem poemas...
Quadros nas paredes, simples persianas verdes
Na cama, acomodados, dois travesseiros brancos, pálidos e mais o colchão duro e magro... trastes carcomidos, amor/tecidos...
Porém, ao fim de tudo, a emprestar-lhes graça, leveza, nobreza e beleza, singela tinta acesa, eis uma colcha vermelha... 
Perfeita moldura a finalizar o quadro/quarto/retrato pós-impressionista do pintor inspirador de sonhos.

 

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Desabafo: Bozo, o desclassificado


Bolsonaro merece cadeia e muito mais. Só mesmo sendo gado, capacho para dizer que esse ser trevoso é um sujeito "honesto", "bonito", "decente", "bonzinho". Bolsonaro é um cancro, que, como tudo que é ruim nessa terra, difícil de ser extirpado. Ele, porém está sofrendo e que sofra bastante e lentamente com essa demora em ter seu destino decidido pela Justiça, posto que, de um jeito ou de outro, seu fim será a cadeia para pagar por todos os seus crimes. 

O caso das jóias é de uma canalhice inclassificável, assim como foram as mortes pelo Covid e tantos outros crimes praticados por ele e sua família de degenerados. A lista é longa e não preciso elencá-los aqui. Como conseguimos aguentar quatro anos com esse energúmeno no poder? E o pior, ele tinha certeza, que iria se perpetuar como "imperador" no Brasil e o gado bestificado passando pano, almejando e trabalhando para manter esse verme, esse parasita no poder, nos consumindo, nos sugando, nos destruindo. É incompreensível ainda haver quem "ame" o Bozo, esse "mito" com pés de barro… aliás, algumas pessoas amam cada coisa… só mesmo a Psicanálise para nos fazer entender, essa série de transtorno que acomete quem apoia os demônios que nos fazem tanto mal.





sábado, 19 de agosto de 2023

Do Calor Amazônico ao Inferno Hawaiiano


Natureza morta no quintal da minha casa
Uma casa alugada, porque se fosse minha teria dado outro tipo de solução.


Por entre céus e fios


Largo de São Sebastião 
Manaus/Am

Não sei quanto a vocês, mas o calor está me matando. 

Eu moro na região Amazônica e estamos em pleno verão. Agosto é um mês fervente. Manaus, capital do Amazonas, é uma cidade cujos governantes não primam muito pela estética e nem pelo meio-ambiente, pois pense numa cidade quente onde em vez de plantarem árvores, eles as cortam e com os propósitos e desculpas mais esfarrapadas. Para começar o governador, Wilson Lima e o prefeito, Davi Almeida, são ambos bolsonaristas, aliás, Manaus é uma cidade pró-Bolsonaro infelizmente. Pense e eleve ao quadrado o que é viver num embate com esse tipo de gente. Como manter a floresta em pé com governantes que apoiam a destruição em nome do poder e da ambição?


O inferno hawaiiano



A situação climática tem me assustado demais, posto que, o que aconteceu - ainda está acontecendo - no Hawaii, foi simplesmente surreal. Pessoas tiveram que abandonar seus carros e se jogar ao mar, para poder fugir do fogo. Dizem que entramos na era da fervura. Tudo está esquentando, inclusive as águas dos oceanos, estamos a atingir um ponto em que não há como retornar. Temos um auto sabotador em nós que nos lança em uma busca frenética pelo fim. Não vou entrar em detalhes técnicos, nem em campos de estudo sobre o assunto, feitos por especialistas, existem vários por aí, se quiser é só procurar e estudar, mas, falando sério: Por que será que as pessoas não pensam? Não sentem medo, diante de situações apocalípticas que nem essa do Hawaii? Eu tenho medo… o calor demais me mata e as chuvas em demasia me deprimem, sim, porque em minha região é assim, quando não é 8 é 80. Tudo isso que vem acontecendo no planeta em relação às condições climáticas, são avisos, alarmes tocando em nossos ouvidos o tempo inteiro enquanto a gente dorme. Negacionostas continuam pregando suas fakenews, enquanto alguns ocupam altos escalões do poder.

Eu teimo em esperar… quero dizer, teimo em ter esperança porque mais que tudo, eu confio na vida… a vida arranja seus meios de se manter e fazer valer, mas para isso, a humanidade tem que despertar. Não estou afim de ser consumida pelo calor, pelo fogo infernal e muito menos ser tragada por ondas vorazes, altas, quentes e totalmente fora de controle. Viver dançando à borda do abismo é para loucos. Então, somos todos loucos?! 

Eu não sou tanto uma pessoa supersticiosa, talvez um pouco mística, mas ando bem propensa a acreditar em carma, expiação, dualidade, ou seja, a luta do bem contra o mal, posto que, nunca vi tanto demônio em forma humana por metro quadrado sobre a terra, prontos a espalhar o sofrimento, a dor, a desesperança… tem os demônios, toda espécie de monstros e ainda os ajudantes, sim, aqueles que estão dispostos, por vezes até em troca de nada, ajudar a degradar, prejudicar, matar todas as origens de vida. Mais da metade do planeta busca para si e para os outros, a extinção em massa, a extinção total. 

Talvez, seja esse o nosso destino, talvez o mereçamos, enfim…FIM.


 

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

A BESTA ARGENTINA



E está todo mundo falando do "ogro", "a nova besta argentina", Javier Milei. Imaginem, quem gosta de contos de terror, a "vida moderna" está recheada delas. O Brasil passou por Bolsonaro e agora vemos a Argentina cair no mesmo golpe da extrema-direita. Não adiantou o nosso exemplo, agora, os "los hermanos", querem passar por si mesmos pelo caos.

Javier Gerardo Milei, de 52 anos, mas parece ter bem mais, além de sofrer do defeito estético que carregam todas as almas corrompidas, é um economista, recém-chegado na política pertencente ao que se chama de baixo clero, disputa a presidência pelo partido Liberdade Avança; ele se declara um libertário, adepto do "anarcocapitalismo", recentemente, venceu as eleições primárias, que são obrigatórias para a definição final dos candidatos que concorrerão à presidência da República, no próximo 22 de Outubro.

Milei é o novo pesadelo da América do Sul e se seguir os passos de Bolsonaro, e parece que vai, será o maior pesadelo da vez no circuito mundial; depois de Trump e Bolsonaro, eis que surge um Milei. Nem preciso dizer que ele vem de um lar desestruturado, e desde a adolescência, sofreu bullying e era conhecido como "O Louco"… daí você tira. Seus amigos mais próximos são a irmã Karina, taróloga, a quem consulta e pede conselhos e a quem também chama de "chefe", e seus cinco cachorros da raça Mastiff. Dizem que ama tanto os cachorros, que até estuda telepatia e se comunica com seu cachorro mais velho, morto em 2017, também para se aconselhar. Milei só confia no tarot da irmã Karina, e através dele, escolhe em quem pode ter ao lado ou não, daqueles que estão em seu entorno. Milei promete tudo o que já prometeu Bolsonaro, inclusive indiferença às causas das minorias, violência e morte e sobretudo, promete abrir as portas do inferno sobre a terra.

Pobre Argentina… havemos de chorar por ti e por nós. A sensatez e a inteligência, a tolerância e a bondade, parece que foram varridas da face da terra.





 

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

LUMINESCER

Todos nós temos um pouco o dom da clarividência, embora muitas vezes, de modo inconsciente.. principalmente quem escreve... Assim foi com muito de meus poemas.. o desta foto, por exemplo, repostada em 30 de Outubro de 2018... na verdade, é de bem antes.. Fevereiro de 2015... 

Foto de um tronco cuja imagem esculpida pela natureza, faz lembrar um homem sentado, espantado no centro da calçada da Avenida Getúlio Vargas. Talvez, em seu espanto, adivinhasse o futuro escuro... tão escuro quanto a tarde do dia em que o vi.

Manaus, 4 de Fevereiro de 2015

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

"UM LUGAR MELHOR EM ALGUM LUGAR"


Dia 27 de Julho, o MIS (Museu da Imagem e do Som), inaugurou a exposição "Um Melhor Em Algum Lugar", sobre a vida do lendário bluesman, B.B.King, morto em 2015, aos 86 anos. Homenagem mais que merecida. A exposição vai até o dia 08 de Outubro.

               https://youtu.be/nIlX8_ycSNU


B.B King by Jean Okada 


1934, Itta, Bena; Mississipi. Sem melancolia, Boy atravessou o vasto campo de algodão. Ora murmurando uma canção; ora apenas olhando o céu e sentindo o sol sobre e sob a pele. Os raios entravam, penetravam, entranhavam.. Ardiam, como sempre arderiam, porém, o fogo/ardor/calor do sol afugentavam qualquer tristeza. Era sozinho no mundo e talvez, sozinho viveria até o fim de seus dias, tinha apenas nove anos e já sabia, conhecia a solidão.

Começou a tocar por alguns trocados, na esquina da Igreja com a Second Street. Mas, a vida, algumas vezes, se nos apresenta de forma um tanto enigmática. Não era escravo, não tinha nada, nem ninguém, apenas a pobreza extrema a lhe achacar o corpo, mas, a alma, não, poderia ir, pois, pra onde quisesse, ganhar 35 dólares aqui ou em qualquer outro lugar, tanto fazia.. quem sabe, mudando, sua sorte, haveria de mudar também e assim, Riley Ben King foi, se foi com o violão, seu bem mais precioso tal como o de tantos outros... foi-se arribou do Mississipi, deu adeus ao campos brancos de algodão... Por fim, chegou a Memphis, Tenesse, ponto de esperança onde o destino não o decepcionaria... dito e feito e um dia, sábado a noite, ouviu um som diferente, o som mais lindo que já ouvira em toda a sua vida, era Stormy Monday, tão bem tocada na guitarra por T-Bone Walker - .. então, ele soube, Young Boy, soube que era aquilo que queria fazer, tocar blues. Desenvolveu um estilo de tocar simples, com poucas notas, preferiu, e ainda prefere, assim, já que ele mesmo diz que "posso fazer uma nota valer por mil." Deste modo, comprou uma guitarra, uma Gibson de 30 dólares, que quase queimou num incêndio numa noite de inverno de 1949. 

Naqueles tempos, soía comum nessas casas noturnas, sem muito luxo, para aquecer o salão, encher meio barril com querosene. Dois homens puseram-se a brigar e derrubaram o barril, espalhando as chamas por todo o lugar. Soube depois, que a briga começou por causa de uma mulher chamada Lucille e por causa disso, desde então, passou a chamar a todas as suas guitarras de Lucille, para que assim o episódio jamais esquecido, não mais acontecesse.

Agora, Blues Boy King, não estava mais só, tinha o blues, tinha Lucille, tinha toda a gente e consideração e tocando blues, alcançou fama, fortuna, posição social, reconhecimento, satisfação. Era e continua a ser, um dos grandes entre os grandes. Não fazia, nunca fez e nunca fará, vergonha a si mesmo. Devia/deve tudo ao blues e ainda hoje, quando ouve alguém dizer que não entende o blues, que não gosta de blues, old Blues Boy King, volta aquela noite de sábado, onde ouviu T-Bone tocar pela primeira vez e imbuído do espírito do blues que nunca o abandona, põe-se a tocar e não desiste até que o outro, por sua vez, esteja também totalmente convencido.

Cantilena do Corvo

DEMÔNIOS... OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS

  Sempre indaguei da vida, se ela presta mesmo, apesar de, lá no fundo de mim, acreditar que sim, “a vida presta”, apesar de tantas barbarid...