sábado, 9 de fevereiro de 2013


Desenho_Morte




 
PONDERAÇÕES DE ALICE


Sempre pensando muito, Alice, arrumou a cama e trocou de roupa .. tinha hora para o café, aliás tinha hora para tudo, apesar de seus quase vinte anos. Seus pais não deixavam passar batido... As coisas com eles eram a base de regime militar, muitas vezes, cansativo, opressivo, porém eles não pareciam entender isso. O engraçado é que deveriam ser mais abertos, mais acolhedores e mais ainda compreensivos com a sua situação, afinal, foram hippies, foram do tempo “flower power”; “paz e amor”; sexo, drogas e rock ‘n’ roll e por aí vai ... agora eram uma espécie de “hipsters” mal acabados. O que houve com eles em meio ao caminho?
No passado lutaram por causas nobres, e a vontade de uma sociedade livre, com liberdade e justiça para todos; os ideais da Revolução Francesa levados às ruas, inseridos em poemas e letras de canções, ecoam agora em seu ouvidos apenas como lições de história, matéria para a prova; os sonhos estão mortos e o passado também, ele já não os influencia em sua trajetória vacilante de vida.. Ela sempre refletia sobre isso, não só a partir de seus pais, via como pessoas promissoras decaiam tão inesperadamente, constatar a decadência lhe assombrava o espírito, posto que, temia ficar assim. Seria falta de amor? O que seria o amor? Seria falta de paixão? O que seria a paixão?! Amava seus pais, mas, a ela, sabia, faltava paixão para levar adiante sua própria vida; seus pais a amavam?! Eles pensavam que sim, por isso agiam daquele modo, entretanto, faltava-lhes paixão, estimulo, para deixar-lhes a vida mais completa, colorida e estimulante. Havia amor entre eles? Pensava que sim, todavia, certamente faltava-lhes paixão; paixão por tudo. Se com amor já era difícil, sem paixão seria impossível... não entendia como prosseguiam a vida de forma tão apática, ela já teria morrido, aliás, estava prestes a morrer, não via esperanças para si nem para ninguém neste mundo cada vez mais sombrio; assim era sua impressão, talvez fosse mesmo apenas impressão, mas, fosse como fosse, de um jeito ou de outro, neste momento, esta era sua real condição; a da absoluta sensação da total, fatal perda de tempo... fracasso, fracasso total... Teria por onde ir?! E se tivesse, teria tempo?! Bom! Chega de ponderações. Melhor se apressar e descer antes que um dos dois viesse lhe bater a porta.
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