quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A SORTE DE CATARINA PARTE II

Mulher árabe
Quadro_Andrea Pandolfi 





Finalmente alcançou uma aristocrática cidade longe de seu próprio país, e parou um instante no meio da rua, imaginando aonde ir. Tinha um pouco de dinheiro, que uma antiga ama havia lhe dado, e estava pensando aonde poderia comprar um pouco de pão.

Uma senhora de boa posição, olhando para fora de sua janela, viu-a e chamou-a:

- Quem é você, minha querida, e de onde vêm? Você não é dessa parte do mundo.

- Senhora, estou sozinha no mundo, pois meu pai, que uma dia foi um rico mercador, morreu. Procuro um lugar onde possa comprar um pouco de pão.

- Venha para minha casa, eu preciso de uma criada e você desempenhará essa função muito bem, disse a nobre senhora; e Catarina entrou agradecida na enorme construção.

A senhora afeiçoou-se muito a ela, e lhe confiava todos os seus bens. Um dia a dona da casa lhe disse:

- Preciso sair por um momento; feche bem a porta e não deixe ninguém entrar ou sair até que eu volte.

Então Catarina fechou a porta e sentou-se perto do fogo. Mal a nobre senhora havia saído, a porta se abriu e sua Sorte entrou.

- Olhe, aí está você, Catarina! gritou sua Sorte asperamente. - Arranjou um bom lugar para ficar, não é mesmo? Bem, você não pode escapar de mim dessa maneira, sabe... E começou a atirar no chão todos os objetos de valor da dona da casa, quebrando vidros e porcelanas, rasgando em pedaços linhos caríssimos.

- Oh, não, não, não!!! gritou Catarina. - Isso vai me causar problemas terríveis! A senhora confia em mim!!

- Ela confia? zombou sua sorte. - Bem, então explique isso quando ela voltar... e transformou a longas cortinas de seda em farrapos.

Catarina colocou as mãos no rosto e fugiu, correndo da casa, sem nunca olhar para trás, no caso de sua sorte estar lhe seguindo. Mal ela acabara de sair, sua Sorte colocou tudo novamente como estava antes e desapareceu.

Quando a senhora retornou, a casa estava perfeitamente arrumada, mas Catarina tinha ido embora. A senhora chamou e chamou, mas claro que a pobre garota não ouviu, pois estava já muito longe.

A dama examinou tudo, pensando que talvez Catarina a tivesse roubado, mas nada estava lhe faltando. Ela não podia entender o que acontecera, pois a garota parecia ser de toda confiança.

Ora, a pobre Catarina correu até alcançar outra cidade e, ao procurar um lugar onde pudesse comprar um pouco de pão, outra senhora que estava parada na janela a notou. A dama abriu a janela e lhe falou:

- De onde você é e o que faz neste lugar, já que é obvio que está perdida?

- Sou uma pobre garota de longe e procuro algo para comer, pois tenho muita fome, respondeu Catarina.

- Bem, venha para minha casa, disse a dama. - Eu vou alimentá-la, vesti-la, e arranjar-lhe um lugar entre a minha criadagem. Então, Catarina entrou. Mas a mesma coisa aconteceu, como antes.

Assim que ela se estabeleceu na casa e todos os valores lhe foram confiados, sua Sorte apareceu e criou o caos em apenas alguns segundos.

- Você pensa que há algum lugar nesse mundo onde eu não seja capaz de encontrá-la? gritou sua sorte asperamente, derrubando frascos de incenso de valor incalculável que se espatifaram no chão. Catarina colocou as mãos no rosto e correu.

E assim foi durante sete anos. Cada vez que Catarina era acolhida por alguma simpática senhora, o aparecimento de sua Sorte fazia com que ela tivesse que partir em viagem, infinitamente, parecia-lhe. Mas ela nunca conseguia escapar por muito tempo. Porém, - e isto Catarina não sabia – sua Sorte sempre restaurava tudo à antiga forma, no mesmo minuto em que Catarina desaparecia.

Continua...
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