domingo, 29 de agosto de 2010

A EXPLICAÇÃO DO MERCADOR DE COBRE PARTE VII





Pulyah olhou-nos imperturbável Eu tremi. Será que estávamos dormindo? Logo eu acordaria e descobriria que estivera cochilando após o café da noite na casa de Ali em Peshawar. Mas não... não estávamos dormindo. Um sonho não respeita o tempo e, esses dois últimos dias de angústia e a dura cavalgada não se passaram fora do tempo ou, como nos sonhos, sem fadiga para os sentidos físicos.

Ali Shazar passou a mão na testa. Pulyah guiou-nos com deferência até a área de sol.

“Se os senhores esperarem um pouco aqui neste pátio, correrei para avisar a princesa e a senhora Mamina de sua chegada. Por favor, por aqui.”

Era a única coisa a se fazer no momento. Sem saber em que direção ficava a ala feminina, não podíamos nos precipitar par lá. Alem disso, o que havia para se temer? Apenas o fato de que tudo era tão fantástico! Assim, seguimos o negro em silêncio.

Adentramos o pátio ensolarado e dobramos à direita, através de um alto arco cinzelado abrindo-se para um espaço aberto... Meus olhos piscaram uma, duas, três vezes... sahib, como era lindo! Esse pátio fora construído para fora das paredes maciças do palácio avançando abruptamente como que dependurado sobre um desfiladeiro. Nas três laterais à nossa volta havia muretas de textura lisa rosa coral. Em um dos cantos, uma sólida palmeira erguia-se dos quadrados negros que cobriam o chão. Almofadas e tapetes de maravilhosa manufatura, belos e macios haviam sidos colocados à sombra, sob uma palmeira, na expectativa da chegada de alguém. A fonte, um óvalo de requintada simplicidade com mais ou menos oito ou nove pés de diâmetro, brotava do vhao no centro do pátio. Era modelada em metal macio furta-cor desconhecido para mim, às vezes esverdeado, às vezes açulado. Uma naja esculpida em prata erguia-se em toda a sua extensão de um pequeno pedestal no centro da fonte, e a água jorrava, cristalina de sua boca e narinas.

Sentamos e esperamos. O pequeno Ali adormeceu quase que imediatamente, com a cabeça, de cabelos escuros, aninhada em uma almofada de seda. Ali Shazar e eu, com os olhos ainda piscando, olhávamos o céu azul que parecia vir beijar as muretas do pátio. Os três negros tinham desaparecido nas sombras do caminho em arco das colunas por onde havíamos entrado... A fonte murmurava tranquilamente, e em algum lugar acima, talvez na torre mais alta que parecia um caminho branco cortando o azul do céu matutino, duas pombas arrulhavam. O rosto de Ali Shazar perdia-se na sombra e vi sua cabeça inclinando-se para frente... Quando Mamina viria? São vozes? Não, somente o cantar suave da naja na fonte. Estávamos muito cansados da longa viagem em marcha forçada, e bastante ansiosos...  

Dormi; e em sonho vi no céu escuro salpicado de estrelas um cavaleiro descendo na minha direção. Suas roupas, embora esplêndidas, eram simples, e uma estrela brilhava no centro de seu turbante branco iluminando o céu à sua volta à medida que ele se aproximava... As muretas do pequeno pátio pareciam exalar uma tênue luz fosforescente; a naja na fonte estava silenciosa e a torre das pombas erguia-se resplandecente à luz fria de uma lua invisível. O cavaleiro chegava cada vez mais perto. De repente, à entrada do pátio, surgiu um vulto cintilante, envolto num manto dourado da cabeça aos pés. Caminhou silenciosamente em minha direção até chegar bem perto e então parou. A capa caia magnífica em pregas desde o barrete redondo sobre a cabeça, feito do mesmo tecido, até os tornozelos. Ali se juntavam as pregas que faziam um movimento ao redor dos pequenos pés morenos. Dois tristes olhos escuros fitavam-me docemente através de uma estreita fresta debruada com fio dourado... Zarhil...

Continua... 






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