terça-feira, 3 de agosto de 2010

A EXPLICAÇÃO DO MERCADOR DE COBRE PARTE VI


 


















“O príncipe...” murmurou Ali Shazar com mau humor.

“Esta é a estação das estrelas cadentes,” falei, “e nós não somos parte das Mil e Uma Noites... Zarhil talvez esteja doente, ou tenha sonhado outra vez... Que perigo pode haver?”

“Sim, sim, meu irmão, mas... e se houver alguma febre maligna na região das montanhas? E se a princesa for uma de sua vitimas... talvez... Oh Mamina, o que se apossou de você? É muito estranho, não posso pensar claramente. Só sei que devemos encontrá-la. Aquela estrela... Quem sabe Xerazade tenha inventado outra história para seu senhor e nós fomos convocados por Allah para seus fantoches...”

“Fique calmo Ali. Pode ser que o príncipe não seja um mito dessa vez. Zarhil não é tão velha, e há muitos homens por aí que se casariam com uma viúva. Vamos, é apenas a escuridão que nos amedronta. Provavelmente descobriremos que não havia necessidade de viajarmos até aqui.”

Dessa maneira, sahib, tentei mitigar as sensações de perturbação sobrenatural que apertavam nossos corações.

Ao amanhecer do segundo dia, chegamos ao palácio de Hassan. Sim... as pessoas da aldeia viram passar uma carruagem com as janelas fechadas. Havia passado um dia antes em direção à colina... A princesa Zarhil? Não, há seis meses que não a viam... podia-se reconhecê-la por sua burqha de seda azul claro... A carruagem entrou pelos portões do palácio?Estava escuro, senhores, mas certamente foi nessa direção. Subimos o monte, e o calor do sol recém-desperto bateu em nossas costas. Os portões do palácio abriram-se, descemos dos cavalos e atravessamos apressadamente o limiar dos domínios da princesa Zarhil. Passamos por uma longa fileira de colunas de mármore trabalhado e arenito cinza-azulado. Ao longe, à nossa direita, uma torrente de luz do sol cortava a obscuridade da passagem com um raio tremeluzente.

Saindo dessa luz, um negro alto veio em nossa direção; seu rosto demonstrava surpresa. Ali Shazar passou à minha frente e perguntou: “Você é Pulyah?”

O negro espantou-se mais ainda, mas inclinou a cabeça, dizendo que sim.

“Minha esposa está aqui?” continuou meu cunhado. “A senhora de véu verde... Está tudo bem?”  

Pulyah parecia confuso.
“A princesa Zarhil mandou-me buscá-la, a senhora de verde, meu senhor, porque alguém chega hoje. É uma promessa. A princesa não sabia que o senhor também... Não há nada preparado para hóspedes. Nós esperamos viajar para longe. O meu senhor poderia aguardar no pátio do palácio até que eu consulte a princesa? Aqui, á direita... Não será tão quente, há sombra.”

“Por que razão a princesa Zarhil mandou buscar minha esposa desse jeito? Um sonho, um sonho... onde estão elas agora?”

“Senhor, estão no terraço, esperando. Que perigo pode haver? O príncipe está chegando... Há três noites, sua estrela, a que fica pendurada bem abaixo da lua, um pouco à direita, caiu de seu lugar, e minha senhora o ouviu durante a noite. Ele disse que estava vindo para ela... hoje.”   


Continua...       
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