domingo, 13 de junho de 2010

A EXPLICAÇÃO DO MERCADOR DE COBRE PARTE II



Mamina, disse ele, “a fiel servidora da princesa Zarhil, era minha irmã. Capturada durante um ataque a uma caravana, o que custou a vida de meu pai, ela – que tinha apenas três anos de idade – e minha mãe tornaram-se propriedades de Hassan. Nesse tempo ele era apenas um príncipe, um rapazote. Minha mãe morreu quase em seguida, dos maus tratos que recebeu nas mãos desses saqueadores – que Allah faça queimar suas almas impiedosas! Eu, sahib, na idade de dez anos, fiquei órfão e tornei-me um aprendiz de Habib Alam, o oleiro cego de Tiflis, um devoto servidor de Allah e amigo de meu pai.

Mamina cresceu servindo a Hassan. Nós nos encontrávamos duas vezes por ano, sempre que eu tivesse juntado dinares suficientes para fazer, em lombo de camelo, a viagem de Tiflis até Kabul... já faz quase vinte anos.

Quando Hassan tomou Zarhil por esposa, Mamina tornou-se sua serva e amiga pessoal.

Hassan agora está morto... Mamina, três anos depois, com a idade de vinte e três anos, casou-se com um nobre proprietário de camelos e usa a burqha de seda preta das ricas senhoras de Peshawar. Ela o encontrou... bom, mas isso não importa, essa é uma outra historia, sahib, e o mundo está cheio de histórias, não estou contando uma? Muito tempero estraga até o melhor carneiro... isso foi há doze anos. O filho de minha irmã traz alegria aos meus últimos anos ajudando-me na loja.

Na noite em que Mamina partiu para a zenana de seu marido, a princesa Zarhil ficou muito triste. De seus olhos, Mamina contou-me, rolavam lágrimas grandes e belas como as pérolas do Ceilão... Ah, como ela devia estar bonita, sahib... O s olhos, sempre escuros de saudade, brandos de paciência, enternecidos de amor pelo Príncipe das Estrelas... enchendo-se facilmente de lagrimas... Ela tirou o manto verde do baú de cedro e entregou-o à minha irmã.

“Minha fiel amiga,” falou com suavidade, “leve isso, o símbolo do confinamento em que tenho vivido, e memória inesquecível de meu sonho de verdadeiro amor. Se for a vontade de Allah que esse sonho se torne realidade; pedirei a você, através de uma mensagem, que me faça outro ainda mais belo, num brilhante tecido de ouro, e que o traga para mim; e você deve aparecer trajando o manto verde que eu tanto estimo. E então veremos. Não me decepcione, Mamina.”

E assim Mamina partiu, com o brilhante manto da imunidade escondido sob a burqha... Sem saber o que pensar, com soluços apertados na garganta.


Continua...
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