segunda-feira, 17 de maio de 2010

O MANTO VERDE DA IMUNIDADE PARTE V



“Venha,” disse o desconhecido. “Finalmente a encontrei. Nenhum véu é capaz de ocultar de mim a sua beleza.”

Rapidamente ele tomou em seus braços a forma envolta da princesa e saltou para a sela. O cavalo resfolegou uma vez e logo subiram no ar, navegando para além do minarete e dos bazares, onde as pessoas, como tontas formiguinhas agitavam-se de um lado para o outro.

“Erga sua burqa e coloque os braços a minha volta,” disse o desconhecido, “e você estará mais confortável.”

“Não posso,” sussurrou Zarhil, “tenho outro véu sob a burqha, e não posso esticar meus braços, pois estão confinados num manto interior impenetrável, sem nenhuma abertura.”

O estranho baixou os olhos para aquele rosto invisível e sorriu.

“Uma beleza como esta está bem guardada,” murmurou, “mas já veremos.”

Assim viajaram em silêncio por muitas horas. O coração de Zarhil encheu-se de uma estranha alegria. Logo ela sentiu estar caindo e tentou agarrar o braço do príncipe.

“Descansaremos aqui,” disse ele.

O corcel alado desceu suavemente e o desconhecido com maneiras de príncipe ergueu Zarhil da sela e colocou-a no chão. A lua crescente estava sumindo no horizonte, e a aurora derramou seus pálidos raios sobre eles.

“Venha, deixe-me ver seu rosto, amor,” e ele retirou a burqha da princesa, que tremia diante dele. Então, desatou o manto da imunidade, que caiu como uma cascata cintilante aos seus pés.

O dia estava nascendo e a luz crescente mostrou-lhes que estavam numa planície fértil,, pontilhada por pequenos bosques de palmeiras. O lugar estava coberto de lindas flores brancas, cujo leve aroma enchia o ar com um estranho e envolvente perfume.

“Meu amor...,” murmurou o desconhecido, “o êxtase que tomou meu coração me impede de falar... Você é bela demais para ser real... Nós estamos em um sonho. Ó luz do meu desejo, vamos nos amar antes que o sol, em seu afã pela realidade, lance seu olhar sobre nós e nos faça desaparecer.”

“Não fale assim, meu príncipe,” suspirou Zarhil, enlaçando os dedos nos cabelos dele, “pois esperei muito tempo por isso para que passe assim. Muitas vezes, no terraço mais alto de minha zenana, cantei sua chegada, nunca ousando ou esperando que isso pudesse ser verdade. Meu senhor é tão rígido, e eu sou jovem e, como você diz, bonita... É estranho eu não estar envergonhada por estar sem véu, pois sempre estive tão velada e de um modo tão severo; mas se alguma forma, sinto que sempre o amei, meu nobre e desconhecido príncipe. Veja, o sol está surgindo, e eu tenho medo que você me abandone...”

Eles deixaram-se cair sobre as flores brancas a seus pés. O vento leve da manhã ergueu o manto da imunidade de onde a princesa o havia deixado cair espalhou-o sobre seus pés. A vida para Zarhil havia apenas começado. As horas pareciam passar depressa, sussurrando entre si...

Continua...        
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