sexta-feira, 7 de maio de 2010

O MANTO VERDE DA IMUNIDADE PARTE IV















Ela estava muito excitada e, embora com todos os seus véus a pobrezinha mal pudesse ver, era o suficiente para fazer com que seu coração batesse forte dentro do peito.

Pelas avenidas de palmeiras, onde as crianças brincavam alegres ao sol do fim da tarde, caminhava a princesa, segurando sua burqa da melhor forma possível, bem junto ao rosto, para que seu olhos nada perdessem... Novamente a brisa da noite sussurrava pela esquina da praça do mercado e pressionou levemente suas vestes contra um dos lados do seu corpo. Ela sentiu uma sensação de aconchego, de estar bem resguardada dos males do mundo e dos olhares lascivos, e encolheu-se prazerosamente como alguém numa cama quente em noite fria.

Em silêncio andou pelas ruas e bazares, onde outras mulheres muçulmanas envoltas em branco ou negro regateavam em voz baixa e monótona e levantavam a barra de suas burqas para pegar suas compras, recolhendo-se novamente como tartarugas.

A princesa dobrou uma esquina entrando numa alameda, e avistou meio indistinta, a lua crescente acima de um alto minarete. Balcões de zenanas, que se projetavam a pouca altura sobre as ruas – todos fechados como ela, para olhos curiosos – lançavam sombras densas à sua frente e atrás dela. De repente sentiu medo, estava tão indefesa; totalmente sem liberdade de movimentos...

A luz do dia parecia diminuir e começava a desaparecer do céu. Ela continuou andando sem destino, espiando pelas portas abertas, onde mercadores de tapetes e artesãos joalheiros guardavam calmamente suas mercadorias, sentados com as pernas cruzadas sobre algum tapete de valor inestimável... Então, das sombras purpúreas atrás de um estábulo em ruínas surgiu um vulto alto de homem. Estava vestido de branco; como névoa e o rosto, sob o turbante, era o mais belo que a princesa Zarhil jamais havia visto – nem mesmo em sua juventude, antes de se tornar purdah. Uma estrela parecia irradiar de sua testa. O coração de Zarhil parou e ela se encolheu. O olhar do homem queimava através de todos os seus véus...

Seria este o estranho príncipe de quem falavam suas canções? Onde estavam seu cavalo?

Mal esse pensamento lhe veio à mente, viu atrás do jovem o corcel, com as asas reluzentes na luz que se extinguia.


Continua...
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