quarta-feira, 5 de maio de 2010

O MANTO VERDE DA IMUNIDADE PARTE III





“Será?!” murmurou a princesa Zarhil. “Parece ser realmente impenetrável, e deverá proteger-me contra qualquer golpe de vento. Venha, vamos experimentá-lo.

Mamina ajudou-a a entrar na roupa, que, ingenuamente chamou de manto da imunidade, e ajustou-a em volta da cabeça de sua senhora. A princesa mirou-se num espelho alto, observando cada detalhe de sua figura envelopada em verde e seus olhos cintilaram de esperança e prazer através da abertura da parte que lhe cobria a cabeça... o manto verde caia em pregas suaves da cabeça aos pés. Suas mãos encobertas faziam ondular os reflexos de luz sobre as dobras do tecido à medida que ela as agitava com uma alegria infantil... Seus pequenos pés surgiam através dos buracos na parte inferior do traje como tímidas crianças rosadas.

“Não há duvida de que estou bem segura dentro disso aqui”  pensou a princesa, “pois o vento não pode soprá-lo nem para cima nem para o lado já que estou fechada da cabeça aos pés e não posso mostrar as mãos mesmo que quisesse. E, se, além disso, usar minha burqa sobre o manto verde de segurança, meu senhor, com certeza, permitirá que eu passeie lá fora a pé... Vou visitá-lo agora e mostrar-lhe isso.”

Ela afastou-se do espelho e foi andando, uma encantadora visão de graça envolta em verde, na direção dos aposentos dosultão...

O príncipe Hassan, precedido por um criado, entrou e examinou o enigma enroupado que estava diante dele.

“Senhor” disse a princesa Zarhil, “nós fizemos este manto e assim vestida vim até vossa presença para rogar-lhe que me permita sair a pé, uma vez que este manto é feito de tal maneira que não poderá ser levado pelo vento ou expor qualquer parte de meu indigno corpo. Veja...”

Zarhil movimentou-se de um lado para outro, dando voltas e mais voltas, mexendo-se bastante para mostrar que realmente não havia nenhuma abertura escondida no manto de seda verde.   

Hassan ficou extasiado. Ali estava sua doce princesa, cuja beleza e meiguice incomuns, ninguém, a não ser ele, conhecia. Ali estava, diante dele, uma figura tremeluzente de sedutor abandono. Suas mãos sob a roupa erguiam-se para ele num gesto de súplica, e a luza que vinha da seda brincava em sua silhueta para cima e para baixo, como fogo mágico... Nesse momento Hassan sentiu muito amor por ela, e apaixonadamente agarrou o pano esticado debaixo do qual se encontravam seus dedos tingidos de henna. Zarhil retribuiu seu toque com um aperto caloroso, inclinando-se para ele. Seus olhos, através da estreita abertura na capa, estavam escuros e suplicantes.

“Meu senhor” disse ela num sussurro, “também usarei a minha burqa sobre o manto, então, certamente o senhor me deixará ir.”

O sultão meneou vagarosamente a cabeça, concordando: “Vá, mas tenha o cuidado de não falar com ninguém.”

E assim, finalmente, a princesa Zarhil pôs-se a pé, a caminho da cidade. Já estava no fim da tarde quando sua forma duplamente velada passou rapidamente pelos portões do palácio. Uma brisa noturna enrolou sua burqa azul clara em torno de seus joelhos, mostrando, por um instante um raio verde brilhante: o manto da imunidade, para ela um maravilhoso manto de liberdade.  


Continua...
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