quinta-feira, 29 de abril de 2010

O MANTO VERDE DA IMUNIDADE PARTE II





Zarhil não se importava de ter que usar véu, pois fora criada dentro desse costume. Mas o que realmente desejava era poder andar até a cidade em sua burqa, que, de qualquer modo a cobria por inteiro, em vez de ter de viajar numa carruagem dura e quente, aos solavancos, cujas janelas impediam-lhe a visão de todas as coisas interessantes das ruas. Seu marido, porém, era um homem rigoroso e dizia que as cenas da cidade não eram para ela. Havia ainda o risco de que o vento soprasse para longe sua burqa, rasgando-a e expondo a jovem a todos os olhos impuros.

Assim, a princesa Zahril sentava-se no terraço e cantava tristes canções para a lua, uma grande pérola suspensa no céu aveludado.

Mamina, sua fiel criada, chorava baixinho, pois as canções eram cheias de anseio por algo que, dadas as circunstâncias, dificilmente se poderia esperar que acontecesse: o canto da princesa, vejam só, falava de um belo e jovem príncipe desconhecido que um dia surgiria do meio de duas estrelas, montado num corcel de asas douradas, e a levaria em seus braços para um lugar onde as mulheres não fossem mantidas ocultas de forma rigorosa.

Nesse ponto, no entanto, ela parava de cantar, pois não tinha conhecimento de tal país, nem sua imaginação conseguia concebê-lo. Aí, fechava seus brilhantes olhos escuros e adormecia só então Mamina aquietava seu pranto.

As estrelas desapareciam, o céu empalidecia, e a noite afastava-se sorrateira, desapercebida.

Um dia, quando Zahril estava perdida em seus pensamentos, ao lado da fonte azul-turquesa no centro do pátio de sua zenana, distraidamente jogando migalhas de doce aos delicados peixinhos dourados que nadavam na água rasa, Mamina aproximou-se e inclinou-se em reverência diante dela.

“Ó princesa, acho que encontrei uma saída.”

“Para o quê, Mamina?” respondeu Zarhil, voltando-se. As pulseiras de ouro em volta de seus tornozelos tilintaram suavemente.

“Fiz uma roupa, princesa, que acho irá agradar ao seu amo e senhor e abrandar sua determinação de modo que você possa ir andando até a cidade.”

“Ai de mim, Mamina. Acho que isso de nada adiantará.” A princesa ergueu seu lindo rosto e olhou para o quadrado de céu azul acima dela.

“Venha ver”, insistiu a escrava. E elas entraram no harém.

Sobre um divã estava estendida uma coisa brilhante de cor verde. Tinha a forma de um saco largo e comprido com duas pequenas aberturas para os pés na parte de baixo e uma abertura na parte superior pela qual uma pessoa podia entrar e, uma vez dentro, o pano ajustava-se em volta da cabeça e do rosto deixando apenas uma estreita fresta para os olhos.


Continua...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O MANTO VERDE DA IMUNIDADE



 

A Travessia Dourada; Sirdhar Ikbal Ali Shah; Edições Dervish

Achei muito estranho quando o mercador de cobre; como todos nós, houvesse arrumado as suas coisas menos um manto de seda verde.

Já tínhamos viajado algumas milhas, quando ele me entregou o pacote.

“Já estou sobrecarregado, meu irmão de fé”, disse-lhe eu, “você não pode acomodar nem esse pequeno embrulho no seu camelo?”

Ele poderia, mas desejava que eu ficasse com aquele manto.

“Depois de viajar e, na vastidão do deserto, pensar e pensar”, disse ele com um brilho estranho nos olhos, “prefiro não ficar com este manto que venerei mais que minha própria vida, pois ele traz-me reflexões que deixam meu coração inquieto. Pegue esta burqa”, continuou, “para que eu possa esquecê-la e a tudo o que representa para mim. Assim poderei morrer com preces de paz em meus lábios.”

Nem eu nem o sheik pudemos esquecer o que o mercador de cobre tinha para nos contar sobre a vestimenta, e não foi sem um pouco de angústia no coração que ele relatou sua história. Deixem-me repeti-la com as suas palavras:

No antigo vale de Sharabad, que se estende entre o grande deserto do Irã e as Montanhas Azuis da Cordilheira do Hindustão, ficava a cidade de Shamshad. Em um palácio sobre a colina que guardava a cidade, vivia a princesa Zahril. A beleza de seu rosto e de suas formas eram tão grandes, que, o próprio deus da Lua deve tê-la criado; assim falavam as línguas dos infiéis. Seu marido, Hassan, o sultão, não permitia que ela fosse vista pelos olhos vulgares das pessoas comuns, pois a gente dos bazares não merecia lançar os olhos sobre tão nobre senhora.

Sempre que a princesa queria sair, só podia fazê-lo numa carruagem fechada, puxada por dois cavalos brancos. Quatro eunucos acompanhavam-na: dois na frente conduzindo os cavalos e dois atrás seguindo a carruagem. Quando chegava ao seu destino, fossem os banhos, os velhos vendedores de tapetes ou ainda os adivinhos que liam a sorte, a porta da carruagem era rapidamente aberta por um dos eunucos e a figura da princesa envolta em sua burqa deslizava para fora e, como um raio, num instante desaparecia de vista. Desta forma, o mundo podia ver muito pouco da princesa e ela, pobrezinha, menos ainda podia ver o mundo. Vivia, portanto, triste, muito triste.

À noite, costumava sentar-se no telhado de seus aposentos no palácio, e contemplava com olhos desejosos o piscar das luzes da cidade a seus pés, suspirando, ao ouvir ao longe o som dos habitantes que cantavam e riam; som que o vento da noite, soprando das montanhas trazia colina acima até ela.

Continua...

domingo, 25 de abril de 2010

Agostinho dos Santos canta "Estrada do Sol"


Estrada do Sol

Agostinho dos Santos

Composição: Dolores Duran e Tom Jobim

É de manhã
Vem o sol mas os pingos da chuva que ontem caiu
Ainda estão a brilhar
Ainda estão a dançar
Ao vento alegre que me traz esta canção

Quero que você me dê a mão
Vamos sair por aí
Sem pensar no que foi que sonhei
Que chorei, que sofri
Pois a nossa manhã
Já me fez esquecer
Me dê a mão vamos sair
Pra ver o sol

sexta-feira, 23 de abril de 2010

COTIDIANO


:(

Aconteceu de estar impaciente
A quentura do dia
Mal me deixa pensar
Logo a chuva cai
Logo o sol volta a esquentar
Cansa-me o cotidiano
De sorrisos impostados
E frases clichês
Eu mesma sinto-me uma impostora
Desprezando na vida
O que deveria/poderia me valer
Detalhes, pequenas coisas
Mas ainda assim importantes
As tristezas fazem parte
Mas não consigo me adequar
Por que não um pedaço do paraíso na terra?
Meu mundo se alarga e se estreita
Em questões de segundos
Sentimentos bipolares
Ligo a TV, desligo-a em seguida
As noticias são de arrepiar
Ou de matar
Treme a terra
Faz-se a guerra
Sofro em meu pensar
Pena de mim, não...
Do mundo em si
No fim de tudo
Quedo-me mudo!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

MISTÉRIOS NO OCIDENTE-O CIRCULO CAVALHEIRESCO


Texto extraído do livro OS SUFIS, Idries Shah; Editora Cultrix  




MISTÉRIOS NO OCIDENTE

O CIRCULO CAVALHEIRESCO



“Quando ainda estás fragmentado,
e inseguro — que diferença
faz quais sejam as tuas decisões?”
(Hakim Sanai, O jardim murado da verdade)


Um grupo de sufis está formulando uma associação que lhes permita levar a cabo o trabalho de desenvolvimento no sentido da própria perfeição. O trabalho, como acontece com todas as atividades dos sufis, tem três partes. O próprio indivíduo precisa mostrar-se à altura de certos padrões pessoais, e eles escolhem o ideal medieval de cavalaria para seu modelo. Isso, por sua vez, dá-lhes a oportunidade de formar uma elite visível. A existência e o aparecimento dessa elite preenche a segunda função: o impacto sobre a humanidade em geral. O terceiro elemento, a reverência ao professor, reside na figura sufista do “rei”, que conduz a comunidade.

Os sufis escolhem como forma externa, o manto de lã azul, com capuz, que é o seu traje normal. Como simbolismo das cores adotam o ouro e o azul, para significar a essência do corpo ou da mente — o sol no céu ou o “pingo de ouro no mar”, como o descreve o sábio sufi Attar. A unidade básica do sufi é o círculo, o halka. Nos rituais comemorativos eles executam os exercícios ou movimentos coletivamente conhecidos como “dança”. Por divisa, adotam um moto árabe a respeito de um escanção, traduzido nos ramos persas por uma sentença rimada, com os mesmos sons, praticamente, do lema da Ordem da Jarreteira.

O santo padroeiro deles é Khidr, o Verde.

Compõem-se os halkas de treze pessoas. Há duas razões para o emprego do número. Em primeiro lugar, os sufis desejam enfatizar que o seu ensinamento interior é idêntico ao de todas as religiões. E o segredo, a mensagem oculta de todas as crenças — a necessidade de um desenvolvimento organizado. Neste caso, a outra religião que mais interessa a tais sufis muçulmanos é o cristianismo. A aceitação da identidade do cristianismo e do islamismo transmite-se pela simples numerologia.

A “unidade”, explicam os sufis da Ordem de Khidr com o seu simbolismo, é igual a “3” para propósitos práticos. E demonstram-no assinalando que a palavra árabe “unidade” (ahad) o adjetivo usado para designar Alá, o Único — se compõe das três letras em árabe: AHD. Por conseguinte, 3 é 1, porque a diferença entre o monoteísmo e o cristianismo é uma diferença de terminologia.

Mas onde entra em cena o 13? Muito simples. Na notação árabe, A é igual a 1, H tem o valor numérico de 8, e D é igual a 4. Adicionem-se esses números e ter-se-á um total de 13. Treze, portanto, passa a ser um número importante para o citado grupo de sufis.

Assim sendo, os halkas desse credo estão sempre agrupados em treze. Treze homens formam uma unidade.

A formação dessa organização verificou-se por volta do ano 1200 da era cristã.

Um século e meio depois, mais ou menos (ninguém tem absoluta certeza da data), surgiu na Inglaterra uma organização misteriosa, inspirada pelo próprio rei, cujos membros foram divididos em dois grupos de treze cada um — o primeiro sob as ordens do rei Eduardo III, o outro sob as do Príncipe Negro. 

Ostentavam as cores azul e ouro, trajavam mantos de lã com capuz, perseguiam metas francamente cavalheirescas. O seu santo padroeiro era São Jorge, equiparado na Síria, onde nasceu o culto, à misteriosa figura de Khidr dos sufis. Denominava-se, de fato, Ordem de São Jorge, o que se traduziria diretamente na fraseologia sufista por Tarika-i-Hadrat-i-Khidr (a Ordem de São Khidr). Tornou-se conhecida como a Ordem da Jarreteira. A palavra “jarreteira”, em árabe, é a mesma que empregam os sufis para designar o seu laço ou elo místico, e também “ascetismo religioso ou monacal”. A palavra designativa da unidade sufista básica (balka), intercambiável no jargão sufista, tem o mesmíssimo radical de que deriva a palavra inglesa “garter” (jarreteira).

Os primeiros registros da Ordem da Jarreteira perderam-se, substituídos pela especulação acerca das derivações e origens da ordem. A bonita história que se conta de que a ordem foi instituída por haver alguém escarnecido de uma jarreteira real, embora descartada por alguns historiadores sérios, pode ter, com efeito, uma base muito interessante nos fatos. Lembremo-nos de que se afirmou que o incidente aconteceu durante um baile. Se olharmos para os fatos do ponto de vista histórico sufista, poderemos fazer uma pergunta que talvez não tenha acudido a outros. Que espécie de baile era aquele? Todo o incidente se parece com uma tentativa de explicar um ritual de dança interrompido, cuja interrupção precisava ser justificada. E provável que nos tenha chegado uma versão truncada. Por que razão, por exemplo, se exibiria uma jarreteira num baile, se foi isso mesmo o que aconteceu? Ou porque a jarreteira fora escolhida para representar, de forma visual, o “laço” da ordem, ou porque “caíra ao chão a jarreteira de alguma dama”.

Qual é a divisa da Ordem da Jarreteira, e que conexão teria ela com a Ordem de Khidr? Superficialmente, não existe conexão alguma entre “Maldito seja quem fizer disso mau juízo” e a frase secreta do “escanção”. Se abordarmos a matéria pelo método convencional, nunca veremos a conexão. Mas se nos deixarmos conduzir mais pelo som do que pelo sentido, um fato estranho se manifestará. A versão francesa da divisa e o som das divisas árabe e persa soam quase como se fossem as mesmas palavras.

Os que tiverem lido boas traduções de poetas sufistas persas, com seus escanções como meio de iluminação do sufi, perceberão a conexão.

O processo pelo qual uma palavra ou frase estrangeira é adotada por outra língua está bem estabelecido na literatura e nos costumes. Existem exemplos numerosos, e o sistema até recebeu um nome, tendo sido dicionarizado como Hobson-Jobson. O interminável cântico religioso da Índia, Ya Hasan Ya Hussein (Ó Hasan! Ó Hussein!) é aceito na Inglaterra com o som de Hobson-Jobson, tentativa dos soldados britânicos de reproduzi-lo. O dicionário clássico de termos e expressões anglo-indianas contém inúmeros exemplos do processo e é realmente chamado de Hobson-Jobson. Na África Ocidental a palavra árabe el-ghaita (cornamusa) foi anglicizada para alligator (jacaré). E sem ir muito longe, todos os londrinos estão familiarizados com o nome de certa taberna, a Elephant and Castie (Elefante e Castelo), originariamente denominada “Infanta de Castela”.

Recentemente, um amigo meu do Oriente Médio deu de presente a um espantado adeleiro, que empurrava a sua carrocinha por uma rua de Londres, um xelim. O homem estivera repetindo com fervor, no tom gemebundo do bufarinheiro: "Any old iron?” (Algum ferro velho?) Para o meu amigo, o modo como ele emitia os sons era indistinguível do grito do dervixe mendicante: O Imã Reza! que os dervixes repetem centenas de vezes por dia e que é ouvido por toda a gente em algumas áreas.

O nome de Shakespeare traduz-se, às vezes, num persa perfeitamente correto e aceitável, por Sbeikh-Peer, “o antigo sábio”.

Uma sociedade que tivesse frases secretas, ou cujo ritual viesse a sofrer uma interrupção, teria tido necessidade de explicar o significado de uma expressão bárbara e dizer exatamente em que se baseava para exaltar a jarreteira. Grande quantidade de outros materiais liga os dois movimentos, mas, como boa parte deles é de caráter iniciatório, não podem ser reproduzidos aqui. Diga-se, todavia, que um nome alternativo para um ramo da Ordem de Khidr é el-mudawwira (o edifício redondo), relacionado com o grande palácio de Bagdá, que pertenceu a Harum el-Raschid. Toda a cidade de Bagdá foi construída em 762 d.C., com certas proporções geométricas baseadas na roda. Grupos sufistas tradicionais, como os maçons do Ocidente, associam a sua dedicação a esse edifício redondo. Pode ser apenas por coincidência que a Ordem da Jarreteira estivesse empenhada na revivência da Távola Redonda, e que o rei Filipe de Valois ansiasse também por dar início a um novo grupo da Távola Redonda.

Até o tempo de Eduardo VI (morto em 1533) a ordem foi chamada de São Jorge, santo padroeiro da Inglaterra, embora a conexão tradicional com a jarreteira remonte às origens da ordem. É possível que duzentos anos depois da sua primeira instituição, o significado da palavra “jarreteira” fosse tão bem compreendido que ela se tornou o nome verdadeiro da ordem. Alterações sucessivas do ritual e do número dos cavaleiros modificaram virtualmente a coincidência sufista original.

Hoje em dia, a Ordem da Jarreteira é ainda a instituição mais importante e altiva da Inglaterra. A idéia de que possa ser de origem estrangeira não é bem aceita por algumas pessoas. Estas, contudo, apenas não compreenderam que, sejam quais forem suas origens, foi na Inglaterra que a ordem atingiu a maior distinção, mantendo digna- mente um seleto rol de membros.

Aqueles que procuraram na Jarreteira uma conexão com a estranha tradição das feiticeiras talvez não estejam tão equivocados quanto se possa imaginar. Pelo menos um ramo desse culto fragmentário na Grã-Bretanha sofreu pesada influência da transmissão hispano-sarracena de um tipo sufista deteriorado, onde uma vaga idéia de “poder mágico” faz as vezes do tema da baraka.

Há uma razão muito coerente para o grupo sufista combinar em sua formulação os elementos azul, ouro, realeza, Khidr (São Jorge) e a proteção das mulheres. Tudo isso tem por base uma única raiz e sua manipulação, se bem não se encontre a mesma coerência na Ordem da Jarreteira, o que nos permíte supor que a Jarreteira é uma tradução das qualidades essenciais do grupo Khidr, que se acham reunidas na raiz KHDR.

Todos os elementos usados no modelo e nos rituais do grupo encontram-se aqui:

KHaDIR = ser verde (islamismo, a matriz do grupo)

KHuDDiR la fi hi = foi abençoado nele (a bênção do grupo)

KHiDaR, KHiDiR = São Jorge, Elias, o padroeiro dos sufis, Khidr

EIKHuDRat = o mar (o oceano da vida, em que o sufi encontra a verdade; o mar, do qual o sufi é uma vaga, muito usado em poesia; o azul em que está o ouro)

AKHDaR = desconfiado; mulher bonita (cavalaria, referindo-se à primeira ordem islâmica de cavalaria, quando Maomé, no princípio do século VII, fundou um corpo de homens para proteger mulheres e caravanas)

KHaDRa = chefe de tribo

ElKHaDRa = o céu, firmamento (do qual emerge o sol, outra alusão ao ouro no azul)

ElaKHaDiR = ouro, carne e vinho. (O elemento ouro do céu ou do mar — a comida e o vinho, denominadores comuns do ritual cristão. O próprio ritual cristão é visto como símbolo da totalidade da comunidade e do desenvolvimento individual, de modo que os sacramentos da Igreja são para o sufi simples fragmento do empreendimento total.)

O emblema do grupo é a palmeira, que deriva da raiz khadar, cortar uma palmeira. A própria árvore, como já tivemos ocasião de observar neste livro, significa baraka e outros elementos básicos do sufismo, gravada, a modo de brasão, no misterioso manto de coroação Hohenstaufen dos reis da Sicília e do Sacro Imperador Romano, que tinham, sabidamente, contatos sufistas.

A época de Eduardo III na Inglaterra assistiu, por certo, a uma extensão dos elementos sarracenos na Europa. A dança nacional inglesa, a morris, há de provir dessas origens. Cecil Sharp — autoridade em dança popular inglesa — ligou a dança “mourisca” européía à provável data da sua chegada à Inglaterra:

“A morris, portanto — que também já se chamou, em outros tempos, moresc da Inglaterra; le morisque e morisco da França; a moresca da Córsega. . . segundo todas as probabilidades razoáveis, é de origem mourisca: não importa que em nosso país tenham se tornado tão inglesas quanto o pugilato... A Holanda, como nos conta Engel, também foi contagiada; uma investigação criteriosa nos mostrará, provavelmente, que a morris, desta ou daquela forma, era conhecida em toda a Europa, e além dela. Não se pode determinar com certeza a data da sua introdução na Inglaterra; a maior parte das autoridades, porém, aponta para o tempo de Eduardo III. Pode ser que, quando John of Gaunt regressou da Espanha, tenha sido a primeira vez na Inglaterra que dançarmos da morris foram vistos”( 1 ) .

Essas danças podem ter sido importadas diretamente da Espanha mourisca daqueles tempos, mas talvez remontem a confrarias sufistas muito anteriores. A ação de montar um cavalo de pau (o zamalzain basco, do árabe zamil el-zain, “cavalo manco de gala”[ 2 ]) é apenas parte do ritual sufista. Esses jograis não são mera “reminiscência dos menestréis árabes”; são representantes dos poetas humorísticos de trajes berrantes, cabelos compridos e rostos pintados que ainda hoje encenam certos ensinamentos metafísicos entre os sufis. De vez em quando montavam em cavalos de pau, às vezes em varas de bambu, simulando idiotia, como “bobos de Deus”. Uma dessas personagens dos dervixes, que costumava cavalgar bengalas, foi entrevistada por Rumi em seu Mathnawi. Esta é uma conexão com as BRSH (bruja = feiticeira), cavaleiras espanholas.

O primeiro registro sufista de uma viagem de instrução à Inglaterra( 3 ) consta das viagens de Najmuddin (Estrela da Fé) Gwath-ed-Dahar Qalandar, nascido por volta de 1232, ou talvez antes. Seu filho, ou outro sucessor (Najmuddin Baba), “seguiu as pegadas do pai” da Índia à Inglaterra e à China em 1338.

O primeiro Najmuddin foi discípulo do ilustre Nizamuddin Awlia, de Deli, que o enviou a Rum (Turquia) para estudar sob a direção de Khidr Rumi. O nome completo de Khidr Rumi era Sayed Khidr Rumi Khapradari — o Escanção — do Turquestão. Não nos esqueçamos de que a Ordem de Khidr (equiparada à Ordem da Jarreteira) tem por divisa uma saudação ao copeiro, cuja taça possui qualidades milagrosas.

Quer a lenda que esse dervixe tenha levado consigo a interpretação do sinal sufista boa (que, na caligrafia estilizada, se parece com o número 4) — a marca do maçom encontrada nos edifícios góticos do Ocidente. Além de formar uma estrutura para o Quadrado Mágico sufista, é também usado pelos Qalandars como diagrama das três posições devocionais (de pé, ajoelhado e prostrado), que podem equivaler aos “instrumentos” dos maçons.

O professor de Najmuddin, Sayed Khidr, era companheiro do professor sufista Suha Suhrawardi (do Caminho da Rosa, às vezes identificado com os rosa-cruzes); de Abdul Qadir, Rosa de Bagdá; e do pai de Jalaluddin Rumi (algumas de cujas histórias se encontram em Chaucer, e que estava escrevendo na época da pretensa viagem à Inglaterra); além de outros professores sufistas muito importantes, como Fariduddin Shakarganj e Shah Madar. Shah Madar ensinou a unidade essencial de todas as religiões, especialmente o caminho esotérico do islamismo e do cristianismo. Seguiu os ensinamentos de Tayfuri e a formulação do Rei ou Senhor do Peixe, Dhu’l-Nun, o egípcio, ou o “Negro”.

Fariduddin Shakarganj (Pai Farid do Suave Tesouro) pertencia à escola chis(h)ti de sufis, e provinha de uma família nobre do Afeganistão. Morreu na Índia, em 1265, onde a sua tumba é reverenciada por pessoas de todas as crenças. Tinha por funções curar os outros e praticar a música. Os músicos chis(h)tis que agueavam pela Ásia munidos de pífaros e tambores, juntando o povo e contando histórias de significação sufista, podem estar ligados ao chistu ou bufão espanhol cujas vestes eram surpreendentemente semelhantes às dos músicos.

Os sufistas itinerantes, chamados qalandars e chis(h)tis, devem ter trazido para o Ocidente outras danças, além dos ritmos rituais e dos que são representados, em parte, pelos dançarmos da morris.

Em sua Weltchronik de 1349, citada pelo dr. Nettl, Hugo de Reutlingen, por exemplo, faz referência à canção em fá maior utilizada pelos bandos de dançarmos que “nos recordam a dança árabe dos dervixes” ( 4 ).

Notas:

( 1 ) C. J. Sharpe e H. C. Macilwaine, The morris book, Londres, 1907, pág. 15.

( 2  ) Legacy of Islam, edição de Arnold e Guillaume, Oxford, pág. 372.

( 3 ) Johu A. Subhan, Sufism, its saints and shrines, Lucknow, 1938, págs. 311 e seguintes, provavelmente citando Kitab-i-Qalandaria, em que essa viagem é descrita circunstanciadamente.

( 4 ) Paul Nettl, The story of dance music, Nova York, 1947, pág. 49.


SÃO JORGE CELEBRADO POR ATTAR, O SÁBIO SUFI



Farid ud-Din Attar, “Elahi-Nâmeh” (O Livro Divino)
Tradução: André Sena

"Três vezes por entre fogo e sangue o pagão girava a roda sobre o corpo de Jorge.  Seu corpo despedaçou-se, pulverizado; e de sua poeira nasceu um jardim de tulipas. 

Em meio a este suplício e tormento, a Voz divina alcançou o supliciado 
através de um mensageiro celeste:

"Aquele que aspira e busca o Nosso amor não poderá beber vinho límpido 
e imaculado. Pois tal é a recompensa eterna dos que são Nossos amigos: a roda que lhes esmagará os sete membros.”

 Perguntou-se a Jorge:
"Homem, puro, desejas algo sobre esta terra?”

Ao que ele respondeu: “O que ora desejo é passar mais uma vez pelo suplício da roda e ter meus membros rompidos afim de que a Voz divina me alcance ainda uma segunda vez, pois Deus prescreveu todas estas penas a minha alma para caminhar ao meu lado em amizade.

Não reconheces em absoluto a grandiosidade dos amigos d’Ele, 
pois levas uma vida descuidada. Sê tu alguém que cultiva Sua amizade,
ou então coloca-te na fileira dos amigos 
de Seus amigos.”


*** 

Ronnie Von - Cavaleiro de Aruanda

                                                       


Salve Jorge!



Oração a São Jorge

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegarem, cordas e correntes se arrebentarão sem ao meu corpo amarrarem.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, a Virgem Maria de Nazaré, me cubra com o seu sagrado e divino manto, me protegendo em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja o meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

E o Glorioso São Jorge, em nome de Deus, em nome de Maria de Nazaré, em nome da Falange do Divino Espírito Santo, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, do poder dos meus inimigos carnais e espirituais, e todas as suas más influências, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós, sem se atreverem a ter um olhar sequer que me possa prejudicar. Assim seja com os poderes de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo. 


Amém!

Cavaleiro de Aruanda

Ronnie Von

Composição: Tony Osanah

 
Quem é o cavaleiro que vem lá de Aruanda
É Oxóssi em seu cavalo com seu chapéu de banda
(2x)
Quem é esse cacique glorioso e guerreiro
Vem montado em seu cavalo descer no meu terreiro
Vem de Aruanda uê
Vem de Aruanda uá
(3x)
Ele é filho do verde, ele é filho da mata
Saravá, Nossa Senhora, a sua flecha mata
Vem de Aruanda uê
Vem de Aruanda uá

Um girassol da cor de seu cabelo - Lo Borges (Ao Vivo)



MinasPraSempre — 23 de maio de 2007 — Uma das mais emocionantes canções de Lô Borges, tocada maravilhosamente ao vivo...em um show de 1984. Uma RARIDADE!


Um Girassol Da Cor Do Seu Cabelo
Composição: Lô Borges / Márcio Borges

Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor de seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo?

Se eu cantar, não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?

Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer dançar comigo?
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo

Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?

A terra azul da cor de seu vestido
Um girassol da cor de seu cabelo

Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?

O meu pensamento tem a cor de seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Suicidal Tendencies How Will I Laugh Tomorrow



How Will I Laugh Tomorrow
Suicidal Tendencies

Here I sit and watch my world come crumbling down
I cry for help but no one's around
Silently screaming as I bang my head against the wall
It seems like no one cares at all

Always an emotion, but how can I explain; how can I explain?
Kind of like the scent of a rose, with words I can't explain, the same with my pain
Caught up in emotion, goes over my head; goes over my head!
Sometimes I got to think to myself is this life or death, am I living or am I dead

The clock keeps ticking, but nothing else seems to change
Problems never solved, just rearranged
And when I think about all the times that I've had
Some were good most were bad

I search for personality and I look for things I cannot see
Love and peace flash through my mind; pain and hate is all I find
Find no hope in nothing new and I never had a dream come true
Lies and hate and agony; thru my eyes that's all I see

If I'm gonna cry, will you wipe away my tears?
And if I'm gonna die, Lord please take away my fear
Before I drown in sorrow, I just want to say;
How will I laugh tomorrow, when I can't even smile today

Today today; when I can't even smile today
Today today; when I can't even smile today
How will I laugh tomorrow, when I can't even smile today
How will I laugh tomorrow, when I can't even smile today

You think it's so funny...
...laugh at this!

So when I look outside my room
I see the world, but not the reason
What is done to me is not fair
You call it fair I call it treason
But I don't know what to do
Give me a sign I'll take whatever
But if you want me here I am
Ain't gonna die forever

And I tried to hold ya
But you just turned away
And I tried to tell ya
But not a word I say
I cried out so loudly
But you just covered your ears
And gave me all the signs
That you don't want my tears

So if you want me here I am
I sit and wait your decision
But my body fights my mind
I headed straight for a collision
So am I getting near or am I still
Looking in all the wrong places
But the only thing that seems to change
Are the looks on the faces...

Doesn't anyone...seems like no one cares at all
I search for personality and look for things I cannot see
Does anyone even care at all?
Love and peace flash through my mind; pain and hate is all I find
Seems like no one cares at all
Find no hope in nothing new and I never had a dream come true
Does anyone even care at all?
Lies and hate and agony; thru my eyes that's all I see
Seems like no one cares at all

How will I laugh tomorrow?
How will I laugh tomorrow?
How will I laugh tomorrow?
How will I laugh tomorrow, when I can't even smile today

Today today; when I can't even smile today
Today today; when I can't even smile today
How will I laugh tomorrow, when I can't even smile today
How will I laugh tomorrow, when I can't even smile today...

GATO VADIO




Largado no sofá 
A porta aberta de par em par
A luz do poste me alumia

A noite é fria

Eu... as sobras do jantar
Nada a pensar
Sem chances, sem sonhos, amor
Já tenho a minha dor

A noite é fria

Atrás do ser, o que posso fazer
Na mesa, a garrafa de vinho, quase vazia
A taça virada, o cigarro apagado
São fiéis companhias

A noite é fria

Gato sem dono, vadio
Saio a pé pela cidade
Arrastando a minha agonia

A noite é fria

Lamento e curo a solidão 
Cantando pra lua a canção
Que era tua
Saiba apenas, querida

A noite é fria

Procuro lugar nos terrenos baldios
Nos becos sombrios
Por cima dos muros
Desligado da ilusão

Ahh... a noite é fria, coração

domingo, 18 de abril de 2010

RECORDAÇÕES DA CASA DA COBRA-CARMEM DOIDA

CARMEM DOIDA


 Mady Benzecry



Carmem-doida! Gritava
a criançada da antiga
praça da prefeitura,
a Carmem-doida endoidava
mandava banana pra todos,
cuspia a dentadura
xingava a mãe e a família
da garotada e berrava
os piores palavrões...

Carmem-doida! E a tua mãe,
está no hospício também?
"No céu! Seus mizerentos
rebentos do Satanás,
na paz do Senhô, ela está!"
E ia ao "Juizado
de Menores" se queixar!

"Seu juiz, não é prussive,
tanta, tanta bandalheira,
eu sou muié de respeito
e não ardimito brincadeira!
A gente tem de acabá
com esses moleque de rua,
já é a quinta dentadura
que eles me faz quebrá,
entonces esta, foi cara,
ganhei ela de natar
e tinha um dente de ouro
bem na frente, seu dotô
eles tem de me pagá!"

E lá se iam dois guardas
a garotada autuar...

Um dia, foi no Natal
uma "vaquinha" correu
na praça da prefeitura
e Carmem-doida ganhou
um presente dos meninos
com cinco dentes de ouro
uma nova dentadura!
E desde então Carmem-doida,
muito mais doida, ficou...

(Mady Benzecry [1] In: Sarandalhas, 1967)

****

O que foi feito de Carmem doida...?! A famosa louca que andava solta, nua ou enfeitada, pelas ruas da cidade, a vagar solitária por tão incompreensíveis e estreitos caminhos de sua mente em torvelinho?
Guardo comigo uma única lembrança de Carmem doida, uma lembrança dolorosamente nítida, que encheu-me de terror nos meus tempos de criança. Descobri como alguns seres humanos podem ser apenas carcaças sem compaixão; desprovidos da centelha de luz divina que ilumina e aquece o espírito, um poço de pura e total escuridão.
Carmem Doida costumava vir muito ao nosso bairro; especialmente a nossa rua, pois, muitas vezes ia à casa de G. C. onde sua esposa, sempre a sua revelia, lhe preparava um prato de comida. Carmem Doida, após saborear a comida e beber um copo de água, lá se ia, contente da vida, ladeira cima. Nós, crianças, ficávamos quietinhas, olhando aquela pobre moça, ainda jovem, tão perdida.
Um dia, para desprazer de todos o velho G. feito o ”ogro” dos contos infantis, chegou quando ninguém o esperava, surpreendendo a esposa no generoso ato de “repartir o pão”, como reza o ensinamento cristão.
O homem sem dó nem piedade, bateu em Carmem Doida com as próprias mãos, aplicando-lhe socos e pontapés. Era tamanha a sua fúria, que ninguém ousou defender a pobre louca e impressionou-me tanto, que eu nunca mais a esqueci. Até hoje me recordo da cena de violência explicita e gratuita. Carmem doida, já tão surrada pela vida, não suportou mais este desacato e  desapareceu, sumiu para sempre do bairro assim como também de nossas vidas e eu, nunca mais soube o que lhe aconteceu.    

<3

Bairro de São Geraldo_ Uma História em Duas Conjugações_Passado e Presente_Virgínia Allan, Edições Governo do Estado        


[1] Mady Benoliel Benzecry, poetisa, nasceu em Manaus em 19 de Fevereiro de 1933, no seio de uma família tradicional do Estado do Amazonas. Viveu por muitos anos no Rio de Janeiro; onde se dedicava, junto com seu marido, o entalhador pernambucano Eugênio Carlos Batista, as artes plásticas. Deixou duas obras publicadas: De Todos os Crepúsculos (1964) e Sarandalhas (1967), sendo, ambos os livros ilustrados pelo pintor Moacir Andrade. Mady Benoliel Benzecry veio a falecer no dia 11 de Julho de 2003

 
### 

CARMEM DOIDA 
por Moysés Arruda  


"Era uma mulher alta, magra, morena, olhos esprimidos, dos quais saíam ou faíscas de ódio ou uma tristeza cinza orvalhada. Gostava de dançar na rua, sozinha, infensa à curiosidade dos transeuntes."

O ódio nascia da provocação dos estudantes, que eram os principais autores do sobrenome indesejado: "Carmen Doida!" A resposta era imediata, furiosa e em forma de insultos diversos, normalmente atingindo a genitora dos interlocutores. "É a tua mãe, filha da putinha, vagabundo." E voltava à sua dança. Se a ofensa persistia, Carmen partia para a pedrada ou para a perseguição, e os estudantes tratavam de se safar como podiam. Sorte deles que sua indignação era passageira e o seu desejo de dançar era maior.

Na verdade, a atitude dos estudantes era uma vingança contra um hábito de Carmen. Ela não podia ver um casal de namorados entregue aos carinhos que logo falava aos berros: "Tapa, tapa logo!", ao mesmo tempo que fazia gestos obscenos. O incentivo servia de denúncia ao público e constrangimento ao casal. Carregava consigo um saco de estopa, que era jogado ao chão nos momentos de raiva. Porém, nas recordações da minha mãe e de outros, sua loucura não era uma ameaça a ninguém em momentos de normalidade, embora sua figura fosse usada pelos pais para garantir a disciplina das crianças. Carmen perambulava por toda a cidade, sempre que conseguia escapar do manicômio do bairro de Flores.

###

Fonte: Mello, Thiago de. Manaus, amor e memória. Philobiblion, 1984. Foram úteis também os depoimentos no Blog do Rogelio Casado rogeliocasado.blogspot.com  Aproveito para parabenizar o autor do blog pelo magnífico trabalho na área da saúde mental que realiza em Manaus.  Agradeço a poetisa Rosa Clement pela permissão de reproduzir aqui o fruto do seu trabalho de pesquisa.