terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A HISTÓRIA DOS DUENDES QUE ROUBARAM O COVEIRO PARTE VI




A nuvem tornou a passar e a cena tornou a se modificar. O pai e a mãe estavam agora velhos e enfermos, e o número dos que o rodeavam diminuíra mais da metade; o contentamento e a jovialidade, porém, estampavam-se em cada rosto e brilhavam em todos os olhos, quando, reunidos à volta do lar, ouviam e contavam histórias de tempos passados. Lenta e suavemente desceu ao tumulo o pai e, logo a companheira de todas as suas penas e trabalhos o acompanhou a um sitio de repouso. Os poucos que lhe haviam sobrevivido ajoelharam-se-lhe à beira da sepultura e regaram, com lagrimas, a verde relva que a recobria; depois, levantando-se, partiram: tristes e enlutados, mas sem gritos agudos nem lamentações desesperadas, pois sabiam que um dia haveriam de encontrar-se outra vez; e de novo se engolfaram na azáfama do mundo, e o contentamento e a jovialidade lhes voltaram. A nuvem parou diante do quadro e ocultou-o da vista do coveiro.

- Que é que você acha disso? – inquiriu o duende, voltando o rosto enorme para Gabriel Grub.

Gabriel murmurou qualquer coisa, dizendo que achava muito bonito, e pareceu meio envergonhado quando o duende pousou nele os olhos de fogo.

- Você! Miserável criatura! – revidou o trasgo, num tom de supremo desdém. – Você! – e parecia disposto a acrescentar alguma coisa, mas a indignação o impediu de continuar; ergueu, portanto, uma das flexibilissimas pernas e, agitando-a pouco acima da sua cabeça, para fazer melhor pontaria, administrou a Gabriel Grubb um belo pontapé; em vista do que, todos os duendes da corte se apinharam à volta do desditoso coveiro e distribuíram-lhe pontapés sem misericórdia, segundo o invariável e estabelecido costume dos cortesãos na terra, que flagelam os que o rei flagela e agradam os que o rei agrada.


Continua...

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