segunda-feira, 15 de junho de 2009

O CAVALEIRO NEGRO



Do livro El Buscador de la Verdad; Cuentos e Enseñanazas Sufíes; Idries Shah; 1982; Editorial Kairós; Tradução e adaptação: Virgínia Allan

Era uma vez, num tempo já perdido no tempo três princesas de um reino distante do Oriente tão formosas quanto a lua.
De acordo com as leis desse país de sonhos, as princesas podiam escolher a quem quisessem para marido, mas, como se demoravam a tomar uma decisão, o povo impacientou-se. As jovens princesas então, pediram ao seu pai, o rei, para que todos os homens disponíveis desfilassem diante delas, bem diante de seus belos olhos, para que assim, desse modo, pudessem escolher o noivo mais rapidamente.
O rei não tardou em atender a solicitação de suas filhas, e mandou pelos quatro cantos do reino, arautos, conclamando em alto e bom som, que “todos os homens, em franca disposição, livres de qualquer estado comprometedor, comparecessem ao desfile, onde seria feita a escolha dos futuros maridos das princesas”.
O proclama causou grande alvoroço, e, no dia determinado, os “homens disponíveis do reino”, metidos em suas melhores roupas, deram o “ar da graça” na praça e uma longa fila, mal o galo cantou chamando o dia; começou a forma-se às portas do palácio.
Havia homens de todos os tipos: baixos e gordos; altos e magros; altos e gordos; magros e baixos, bonitos, feios, louros, morenos, jovens e os não tão jovens assim.
Quando as princesas, finalmente, apareceram à sacada do palácio, foi um empurra pra cá empurra pra lá, com cada um dos pretendentes querendo aparecer mais do que o outro. Os guardas tiveram certa dificuldade em contê-los, e o rei, portanto, para acabar com o tumulto, deu, imediatamente, inicio ao desfile.
A primeira princesa, se enamorou do filho de um dos ministros do reino, um sujeito alto e bonito.
A segunda princesa, escolheu o robusto e orgulhoso filho do comandante dos exércitos, o que não foi surpresa para ninguém, já que todos sabiam que um dia seria assim, pois a princesa nunca escondeu a grande admiração que sentia por ele.
A terceira princesa... Bem, esta não conseguia se decidir por ninguém e, aquele “ror” de possíveis noivos, só fazia aumentar sua confusão. Para não perder mais tempo, a princesa pegou uma maçã e a jogou para o ar, dizendo:
“Aquele que a maçã pegar
meu esposo será”.
Ocorre que, no meio da multidão, aglomerada na praça pública onde tão estranho evento estava acontecendo, havia um jovem maltrapilho, com a ponta do turbante caída sobre o rosto e tão coxo, tão corcunda, que precisava de um bastão pra poder caminhar, todavia, acreditem ou não, foi tal homem que pegou a maçã.

Continua...
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