quinta-feira, 18 de junho de 2009

O CAVALEIRO NEGRO PARTE III



Os guerreiros regressaram a capital do reino, contando a todos os feitos do “Negro Cavaleiro do Céu”, que tão corajosamente os havia salvado e o rei, por sua vez, com o olhar distante, apenas repetia, de vez em quando: “Ah, se eu tivesse um genro como esse...”
Todavia, Ibn Haidar, ainda que fosse esposo de uma princesa, continuou sendo objeto de curiosidade; tratado como uma nulidade e constantemente alvo de zombarias e brincadeiras mal intencionadas.
Alguns meses se passaram e, um dia, enquanto o jovem estava sentado no estábulo, novamente sentiu em seu bolso a pedra esquentar, de modo que a retirou, e, sem esquecer de pensar na pequena moeda, a esfregou em sua mão direita. De pronto, a égua azeviche surgiu a sua frente: “Sobe em meu dorso. Temos um trabalho a fazer”.
A égua azeviche conduziu-o ao palácio real entrando por janela que ficava sempre aberta; justo a tempo de Ibn Haidar pegar e matar a uma serpente que estava a ponto de picar o soberano.
Nesse momento, o rei despertou e viu o que tinha acontecido, mas, mesmo na escuridão, sem poder distinguir as feições de quem o havia salvado, tirou de seu dedo um valiosíssimo anel e lhe entregou, dizendo: “Quem quer que sejas, devo-te a vida. Este anel é um presente para ti”.
Ibn Haidar pegou o anel e a égua, voando, levou-o de volta ao estábulo.
Durante vários meses, sua vida continuou a mesma, até que a pedra o chamou, fazendo a égua aparecer a sua frente: “Põe a roupa e o turbante que estão em meu alforje” disse-lhe ela, “porque temos um trabalho a fazer”.
O animal, desta vez, o conduziu a sala do trono, aonde um homem acabava de ser condenado à morte. O carrasco já havia estendido seu tapete de pele para recolher o sangue e, de espada levantada, somente esperava a um sinal real. Mas, tudo e todos se quedaram paralisados ante a visão da égua azeviche trazendo em seu dorso, “O Negro Cavaleiro do Céu”.
Ibn Haidar esperou por uns momentos e súbito, começa um tumulto na sala do trono com a chegada de um homem que trazia consigo provas de que o condenado era, na verdade, inocente. Não houve uma só pessoa em toda a corte que não quedasse mudo de tanto espanto, e o rei então, disse a misteriosa aparição: “Bênçãos recaiam sobre aquele que interveio a favor da justiça! Toma... eis minha espada... um presente para ti”.
Sem dizer nada, Ibn Haidar recebeu a espada e a égua elevou-se nos ares, de regresso ao estábulo.

Continua...
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