terça-feira, 30 de junho de 2009

RECORDAÇÕES DA CASA DA COBRA-LÍDIA



Dona Lídia era a calma em pessoa e, por demais católica, temente a Deus, a exemplo de São Francisco, resignava-se diante das situações que não conseguia mudar, o que equivale a dizer uma vida atribulada, seis filhos e um marido insensível. Mas, não havia nesse mundo nada que a abalasse, D. Lídia em vez de Lídia, devia chamar-se “Amélia, a mulher de verdade” que nem a canção do Ataulfo Alves e letra de Mário Lago... marido chegava bêbado, xingando Deus e o mundo, lá estava ela, a postos, pronta a tirar-lhe a roupa, as meias, os sapatos e ainda colocá-lo na cama, limpa e arrumada, ao mesmo tempo, balbuciando uma oração, a pedir perdão por ele, seu tosco marido, por citar o Seu Santo Nome em vão... Se as crianças aprontavam, Dona Lídia sorria ou fingia-se de brava a impor respeito... O marido, mau-humorado até a unha do dedão do pé, que detestava ser perturbado, levantava do seu sossego, brigava, e até metia a peia nas coitadinhas... mas ela, Dona Lidia, não... não brigava com ele... nem com as crianças, nem com ninguém! Esperava com paciência a tempestade dos humores passar... não se intrometia nos castigos impostos aos filhos, há não ser ser em última instância.
Aos domingos, nunca faltava à missa e quando voltava para casa, comungada de alma lavada, e livre dos pecados, absolvidos na confissão, estava pronta para qualquer situação. Era inconcebível para quem estava do lado de fora da vida de Dona Lídia, compreender tanta resignação / mortificação. Mulher bonita ainda, de cabelos negríssimos custava-se a entender porque agüentava aquela vida. Ela sorria, brincava, cantava, mas de uma coisa todos tinham certeza; ela não era feliz... não poderia ou então não sabia o que era felicidade... E o que vem a ser essa tal felicidade? De uma forma ou de outra, fato é que essa mulher que se dizia feliz, apaixonada por seu marido, sua casa e seus filhos, resignada, católica praticante, temente a Deus e submissa à Sua vontade, adoeceu gravemente e nenhum médico conseguiu fazer um diagnóstico correto. Sofria de uma doença degenerativa que a fazia arrastar-se, dependendo da caridade dos filhos ou dos vizinhos para poder se alimentar... O marido já nem se dava ao trabalho, agora mais do que nunca, não parava em casa, e, nem assim, acreditem ou não, se ouviu ela o maldizer, ou levantar a voz para reclamar como injusta sua difícil situação. . . Foi-se D. Lidia, foi-se o marido, foi-se uma das filhas, que, matou-se num domingo de sol... foi-se o tempo desta história? Dona Lídia morreu jovem, se foi mártir, santa, acomodada, condicionada, feliz ou infeliz, eu não o sei dizer e ouso pensar que talvez nem a própria Dona Lídia o soubesse... De-lhe o céu a desejada recompensa, seja ele o seu mais justo e fiel juiz.

domingo, 21 de junho de 2009

O CAVALEIRO NEGRO PARTE FINAL

Leite de Leoa parte final

O Cavaleiro Negro; que trazia a cabeça o manto de sua majestade em forma de turbante; no dedo, o anel de rubi e nas costas, a espada real, desmontou e aproximou-se da cama.
“Eis aqui o leite de leoa da ´Terra do Não Ser´”.
“Porém, cavaleiro, chegaste tarde demais”. Disseram todos a uma só voz.
“Meus genros, aqui presentes” disse o rei, “já trouxeram o leite, mas, que na verdade, não me fez bem algum”.
Disse Ibn Haidar: “O leite que trouxeram não vos fez bem porque me foi roubado, uma vez que fui eu que o consegui e, portanto, por causa disso, todas as virtudes especiais que possuía se evaporaram já que não se pode obter benefícios de algo conseguido mediante o roubo. Aqui, ó rei, está o terceiro frasco. Toma um pouco”.
Assim que o rei acabou de sorver o leite, ergueu-se do leito, completamente curado.
“De onde vens cavaleiro...? Quem és...? E por quê tens me ajudado?”.
Disse então, o misterioso guerreiro: “As três perguntas, são, na realidade, apenas uma; desse modo, a resposta dada a qualquer uma delas, responderá as outras”.
O rei não compreendeu, pareceu mesmo estar bastante confuso.
“Muito bem”, continuou Ibn Haidar, “Eu sou o homem que vive no estábulo, o que significa que sou teu genro e é por isso que te ajudo”.
E foi dessa maneira que o misterioso “Cavaleiro Negro do Céu” deu-se enfim a conhecer, e com o passar do tempo, veio a herdar a coroa real, quando o rei foi levado, na plenitude do tempo; para a sua mais longa viagem.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O CAVALEIRO NEGRO PARTE IV


Leite de Leoa Parte III

Durante meses, nada de maior importância aconteceu na vida de Ibn Haidar até o rei adoecer... aí, foi como se sobre o mundo descesse um pesado véu de escuridão.
Em todo o reino, as pessoas iam pelas ruas, tristes e chorosas, como se já estivessem de luto.
Os animais guardaram silêncio; as árvores murcharam e, inclusive o sol, parecia fraquejar. Nenhum doutor, em toda a face da terra, pode descobrir o que afligia o soberano, até que o mais sábio dentre eles, o doutor entre os doutores, assim se pronunciou: “A enfermidade do rei só poderá ser curada com uma dose do leite de leoa trazido da ‘Terra do Não Ser’”.
Imediatamente, os dois genros, do rei se ofereceram de bom grado para a missão e saíram cavalgando do palácio, plenamente decididos a conquistarem a glória de salvar ao seu Senhor e Mestre.
Depois de muitos dias, chegaram a uma encruzilhada aonde se sentava um homem sábio.
O caminho dividia-se em três direções e os dois jovens valentes foram incapazes de se decidirem por qual deles seguir. Explicaram-se ao homem sábio que lhes disse o seguinte: “Estes três caminhos possuem nome. O primeiro se chama ‘O Caminho Daqueles que agem como Nós, o Vinculo de Sangue’; O segundo Caminho é ‘O Caminho Daqueles que pensam e agem como Nós, o Vinculo de Decisão’; e o terceiro caminho é ‘O Caminho da Verdade’”.
O primeiro genro do rei disse: “Tomarei o Caminho de Sangue”, posto que, por causa do parentesco com sua Majestade é que estou aqui”. E em seguida, esporeando o cavalo seguiu o seu destino através do ‘Caminho de Sangue’.
O segundo genro do rei disse: “Tomarei o ‘Caminho da Decisão’, posto que ser decidido faz parte de meu caráter”. E então, esporeando o cavalo, partiu pelo ‘Caminho da Decisão’.
Não demorou muito, o primeiro jovem chegou diante de um homem que se encontrava a entrada de uma cidade e perguntou que lugar era aquele em que viera parar.
“Vieste parar na entrada da ‘Terra do Não Ser’, respondeu o homem “mas daqui não podes passar até que tenhas jogado comigo uma partida de xadrez”.
Assim, os dois se sentaram e jogaram, e o jovem genro do rei, perdeu. Perdeu seu cavalo; a armadura; o dinheiro e finalmente, a liberdade. O homem o fez então entrar na cidade e o vendeu como escravo a um comerciante de carne assada e lá ele ficou por muito tempo.
Ao segundo genro do rei aconteceu à mesma coisa, sendo este, entretanto, vendido como escravo a um confeiteiro.
Após alguns meses, sem qualquer sinal de retorno dos dois jovens cavaleiros, Ibn Haidar sentiu que a pedra esquentava em seu bolso e fazendo como sempre quando isto acontecia, viu surgir a sua frente a égua negra: “Enfim, é chegada a hora... Sobe em mim”.
A égua o levou pelos mesmos caminhos que os dois homens haviam percorrido antes, até que chegaram ao lugar onde se sentava o homem sábio e o cavaleiro negro contou-lhe a sua missão.
O homem ouviu, tal como ouvira os dois outros viajantes, e também lhe deu a opção de escolher entre os três caminhos e Ibn Haidar disse imediatamente: “Escolho o ‘Caminho da Verdade’”.
Antes, porém que desaparecesse caminho adentro foi advertido pelo sábio: “Escolhestes corretamente. Continua o teu caminho, mas, assim que chegares ao jogador de xadrez; em vez de sentar-te e jogar com ele, desafia-o para um combate”.
Ibn Haidar seguiu seu caminho e quando encontrou o jogador de xadrez à porta de entrada da cidade e este pediu-lhe que jogasse com ele uma partida, o cavaleiro negro desembainhou sua espada e gritou seu grito de guerra: “Pela verdade e não por enganos. Enfrenta a realidade, não batalhas de mentiras. Contempla diante de ti “o filho do leão”
O jogador de xadrez acabou por render-se sem luta e contou a Ibn Haidar o que havia se passado aos outros dois seus cunhados.
O homem conduziu a Ibn Haidar pela cidade e mostrou-lhe aonde mantinham presas as leoas e o jovem Cavaleiro Negro, depois de burlar aos guardas e domar as feras; encheu três frascos de leite, pondo dois deles em cada um dos lados do alforje, enquanto o terceiro o guardou debaixo de seu turbante, por precaução contra qualquer perda ou dano, que os frascos, por via das dúvidas, pudessem vir a sofrer. Foi então ao mestre confeiteiro e ao vendedor de carne assada e pagou pela liberdade dos cunhados que, por causa de sua vestimenta de cavaleiro, não o reconheceram. Nessa noite, entretanto, ambos, que sabiam que o estranho cavaleiro havia conseguido o leite das leoas, roubaram-lhe dois dos frascos e fugiram da cidade encobertos pelo manto protetor das sombras.
Ibn Haidar deu-lhes tempo para que alcançassem o palácio e só então, montou a égua mágica, que mais rápida que uma flecha, o levou aos aposentos do rei enfermo aonde se encontravam reunidos os doutores, os cortesãos, assim como os dois jovens genros do rei que muito se admiraram em vê-lo ali.

Continua...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O CAVALEIRO NEGRO PARTE III



Os guerreiros regressaram a capital do reino, contando a todos os feitos do “Negro Cavaleiro do Céu”, que tão corajosamente os havia salvado e o rei, por sua vez, com o olhar distante, apenas repetia, de vez em quando: “Ah, se eu tivesse um genro como esse...”
Todavia, Ibn Haidar, ainda que fosse esposo de uma princesa, continuou sendo objeto de curiosidade; tratado como uma nulidade e constantemente alvo de zombarias e brincadeiras mal intencionadas.
Alguns meses se passaram e, um dia, enquanto o jovem estava sentado no estábulo, novamente sentiu em seu bolso a pedra esquentar, de modo que a retirou, e, sem esquecer de pensar na pequena moeda, a esfregou em sua mão direita. De pronto, a égua azeviche surgiu a sua frente: “Sobe em meu dorso. Temos um trabalho a fazer”.
A égua azeviche conduziu-o ao palácio real entrando por janela que ficava sempre aberta; justo a tempo de Ibn Haidar pegar e matar a uma serpente que estava a ponto de picar o soberano.
Nesse momento, o rei despertou e viu o que tinha acontecido, mas, mesmo na escuridão, sem poder distinguir as feições de quem o havia salvado, tirou de seu dedo um valiosíssimo anel e lhe entregou, dizendo: “Quem quer que sejas, devo-te a vida. Este anel é um presente para ti”.
Ibn Haidar pegou o anel e a égua, voando, levou-o de volta ao estábulo.
Durante vários meses, sua vida continuou a mesma, até que a pedra o chamou, fazendo a égua aparecer a sua frente: “Põe a roupa e o turbante que estão em meu alforje” disse-lhe ela, “porque temos um trabalho a fazer”.
O animal, desta vez, o conduziu a sala do trono, aonde um homem acabava de ser condenado à morte. O carrasco já havia estendido seu tapete de pele para recolher o sangue e, de espada levantada, somente esperava a um sinal real. Mas, tudo e todos se quedaram paralisados ante a visão da égua azeviche trazendo em seu dorso, “O Negro Cavaleiro do Céu”.
Ibn Haidar esperou por uns momentos e súbito, começa um tumulto na sala do trono com a chegada de um homem que trazia consigo provas de que o condenado era, na verdade, inocente. Não houve uma só pessoa em toda a corte que não quedasse mudo de tanto espanto, e o rei então, disse a misteriosa aparição: “Bênçãos recaiam sobre aquele que interveio a favor da justiça! Toma... eis minha espada... um presente para ti”.
Sem dizer nada, Ibn Haidar recebeu a espada e a égua elevou-se nos ares, de regresso ao estábulo.

Continua...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O CAVALEIRO NEGRO PARTE II



Leite deLeoa

Coxeando, o corcunda, sob aplausos e vivas da multidão (que, na verdade, se manifestava dessa maneira mais por hábito do que por se sentir exatamente feliz, pois, interiormente desagradava-lhe a idéia de ter um homem desses como membro da casa reinante) chegou em frente à sacada onde se encontrava a família reunida pra reclamar o seu prêmio, ou seja, a mão da princesa.
Os dois primeiros escolhidos, o filho do ministro e o filho do emir; trocaram olhares e murmuraram entre si, mas o rei dirigindo-se a eles, disse: “A palavra de um rei, uma vez dada, não pode ser retirada. Deixemos então, que esta tola menina case-se com o bufão ou com qualquer outro, assim ela o queira. Pelo menos, tenho dois genros leais e valentes”.
Todavia, o que ninguém sabia, é que o jovem manco fingia ser aquilo que parecia ser. Debaixo da desagradável aparência, apenas um disfarce, estava o famoso príncipe Ibn Haidar, cujo nome quer dizer “filho do leão”, e há tempos fugia de uma implacável perseguição e mesmo tendo conseguido por noiva a filha do rei, não se deu a conhecer a ninguém. A princesa também não se deu conta de quem era seu esposo e apesar de seu aspecto ela o amou mesmo assim.
Após o casamento das três jovens, a princesa caçula e seu marido não foram morar em nenhuma ala do palácio, destinadas aos recém-casados, mas sim, nos estábulos, posto que o rei, furioso com escolha feita por sua filha mais moça, assim o havia determinado, e ambos, confortados pelo amor que os uniam, aceitaram com resignação a vida de pobreza e exílio que a sorte lhes havia preparado.
Ibn Haidar tinha o costume de caminhar, ao entardecer, fora da cidade, entregando-se a contemplação em uma pequena gruta abandonada.
Alguns meses depois, encontrou-se com um ancião, que lhe disse: ”Filho do Leão, ouve o que tenho a te dizer. Deves esperar até o dia do leite de leoa. Quando ouvires dele falar, deverás agir rapidamente para retomar a tua vida.”
O ancião tirou então de dentro de um saquinho pendurado em sua cintura uma pedra transparente que entregou a Ibn Haidar e tornou a dizer: “Toma esta pedra e no tempo determinado a esfrega em tua mão direita pensando em uma moeda pequena e gasta, desse modo poderás chamar a Mágica égua azeviche”.
O velho, após fazer e dizer o que devia, seguiu o seu caminho.
Passado um certo tempo, o rei precisou partir para a guerra a fim de defender os seus domínios. Para enfrentar o inimigo, o próprio rei saiu à frente de seu exército, tendo ao seu lado os seus comandantes e os dois valentes genros, deixando para trás o coxo e disforme Ibn Haidar.
Após sucessivas batalhas, os invasores ganharam terreno e nesse momento, Ibn Haidar sentiu a pedra esquentar dentro de seu bolso, retirou-a e a esfregou em sua mão direita pensando na moeda pequena e gasta. Enquanto assim o fazia, surgiu à sua frente uma esplendida égua da cor do azeviche que lhe disse: “Meu senhor, veste-te com as roupas que estão em meu alforje e cavalguemos para a guerra”.
Tão logo pôs a armadura de cavaleiro, o jovem príncipe saltou sobre o dorso da égua que saiu voando pelos céus até chegar ao campo de batalha.
O misterioso cavaleiro então, lutou tenazmente do alvorecer ao anoitecer, até que o inimigo caísse, derrotado, quase dizimado diante de sua bravura.
O rei foi em direção ao cavaleiro e agradecido, jogou-lhe sobre os ombros o seu próprio manto, dizendo-lhe: “Abençoado sejas, cavaleiro, pois lutaste corajosamente em favor do bem contra o mal que nos ameaçava e nós te seremos gratos para sempre”.
Ibn Haidar, porém, nada disse. Apenas inclinou-se perante o rei, levantando a lança em saudação e, esporeando a égua mágica, subiu até as nuvens e voltou ao seu lugar.

Continua...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O CAVALEIRO NEGRO



Do livro El Buscador de la Verdad; Cuentos e Enseñanazas Sufíes; Idries Shah; 1982; Editorial Kairós; Tradução e adaptação: Virgínia Allan

Era uma vez, num tempo já perdido no tempo três princesas de um reino distante do Oriente tão formosas quanto a lua.
De acordo com as leis desse país de sonhos, as princesas podiam escolher a quem quisessem para marido, mas, como se demoravam a tomar uma decisão, o povo impacientou-se. As jovens princesas então, pediram ao seu pai, o rei, para que todos os homens disponíveis desfilassem diante delas, bem diante de seus belos olhos, para que assim, desse modo, pudessem escolher o noivo mais rapidamente.
O rei não tardou em atender a solicitação de suas filhas, e mandou pelos quatro cantos do reino, arautos, conclamando em alto e bom som, que “todos os homens, em franca disposição, livres de qualquer estado comprometedor, comparecessem ao desfile, onde seria feita a escolha dos futuros maridos das princesas”.
O proclama causou grande alvoroço, e, no dia determinado, os “homens disponíveis do reino”, metidos em suas melhores roupas, deram o “ar da graça” na praça e uma longa fila, mal o galo cantou chamando o dia; começou a forma-se às portas do palácio.
Havia homens de todos os tipos: baixos e gordos; altos e magros; altos e gordos; magros e baixos, bonitos, feios, louros, morenos, jovens e os não tão jovens assim.
Quando as princesas, finalmente, apareceram à sacada do palácio, foi um empurra pra cá empurra pra lá, com cada um dos pretendentes querendo aparecer mais do que o outro. Os guardas tiveram certa dificuldade em contê-los, e o rei, portanto, para acabar com o tumulto, deu, imediatamente, inicio ao desfile.
A primeira princesa, se enamorou do filho de um dos ministros do reino, um sujeito alto e bonito.
A segunda princesa, escolheu o robusto e orgulhoso filho do comandante dos exércitos, o que não foi surpresa para ninguém, já que todos sabiam que um dia seria assim, pois a princesa nunca escondeu a grande admiração que sentia por ele.
A terceira princesa... Bem, esta não conseguia se decidir por ninguém e, aquele “ror” de possíveis noivos, só fazia aumentar sua confusão. Para não perder mais tempo, a princesa pegou uma maçã e a jogou para o ar, dizendo:
“Aquele que a maçã pegar
meu esposo será”.
Ocorre que, no meio da multidão, aglomerada na praça pública onde tão estranho evento estava acontecendo, havia um jovem maltrapilho, com a ponta do turbante caída sobre o rosto e tão coxo, tão corcunda, que precisava de um bastão pra poder caminhar, todavia, acreditem ou não, foi tal homem que pegou a maçã.

Continua...

sábado, 13 de junho de 2009

SERENA


Serena
Alegrou o olhar
Reviu o mar
Roubou um beijo da lua
Sossegou o desespero
Acalmou o cansaço
Dobrou a compensação
De acordar da ilusão
Rumou em silencio
Para a rua de cima
Olhou com distancia
Para o rio do tempo
Sorriu com desembaraço
E juntou novamente os cacos
Não de um coração partido
Mas de um dia dolorido
Gesto de adeus, hora de partida
Momento de despedida
Pedaços de vida
Grãos de areia colorida levados pelo vento

   

sexta-feira, 12 de junho de 2009

PRINCESA PROMETIDA





Há um trovador que canta em meus ouvidos
A triste história de um amor perdido
Vai, assim, em turbilhão as batidas de meu coração
Por quanto tempo mais serei errante por esta terra?
Cavaleiro intrépido, escondido pelas trevas
Longe de tudo o que sempre almejei... Deprimido, inconstante...
Buscando somente um sossegado adormecer
Mas, ainda sinto as amarras invisíveis que me prendem...
Vou por este mundo com passos indolentes e vacilantes
E com pesar, analiso as horas e o tempo dissonante...
O suor me escorre pela testa... Árduo destino... Árdua tarefa...
Pois, na torre mais alta de um velho castelo
Na fabulosa montanha de um lugar distante
Se encontra a beleza que tudo encerra, promessa de vida, a paz na guerra
A donzela querida, princesa dos meus sonhos...
Guiado pela lua vigilante
Alcançarei o impossível antes de nascer o sol...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

PARA ANNA


Anna Clara, minha lua


Anna Clara clareou o escuro
 e ocupou os espaços vazios


ANNA CLARA LUA CLARA ANNA CLARA

ANNA CLARA LUA CLARA ANNA CLAR

ANNA CLARA LUA CLARA ANNA CLA

ANNA CLARA LUA CLARA ANNA CL

ANNA CLARA LUA CLARA ANNA C

ANNA CLARA LUA CLARA ANN

ANNA CLARA LUA CLARA AN

ANNA CLARA LUA CLARA A

ANNA CLARA LUA CLARA

ANNA CLARA LUA CLAR

ANNA CLARA LUA CLA

ANNA CLARA LUA CL

ANNA CLARA LUA C

ANNA CLARA LUA

ANNA CLARA LU

ANNA CLARA L

ANNA CLARA

ANNA CLAR

ANNA CLA

ANNA CL

ANNA C

ANNA

ANN

AN

A

 

 

 

domingo, 7 de junho de 2009

PARA LUISA


Luisa, meu sol


Embora amanhã não seja 23, nem estejamos no mês de Agosto, e nem Luisa tenha ainda 20 anos, senti saudades de minha filha. Ela está em casa, ali, no outro cômodo, dá pra entender... mas, esse tipo de saudade a gente não explica... vive-se! 



             http://www.youtube.com/watch?v=aK8IwAffwYo                        




amanhã é 23

kid abelha

 

Composição: George Israel/Paula Toller



As entradas do meu rosto
E os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano
No final de um mês de Agosto...

Há vinte anos você nasceu
Ainda guardo um retrato antigo
Mas agora que você cresceu
Não se parece nada comigo...

Esse seu ar de tristeza
Alimenta a minha dor
Tua pose de princesa
De onde você tirou...

Amanhã! Amanhã!
Amanhã! Amanhã!...

Amanhã é 23
São 8 dias para o fim do mês
Faz tanto tempo
Que eu não te vejo
Queria o seu beijo
Outra vez...

Há vinte anos você nasceu
Ainda guardo um retrato antigo
Mas agora que você cresceu
Não se parece nada comigo...

Esse seu ar de tristeza
Alimenta a minha dor
Tua pose de princesa
De onde você tirou...

Amanhã! Amanhã!
Amanhã! Amanhã!...

Amanhã é 23
São 8 dias para o fim do mês
Faz tanto tempo
Que eu não te vejo
Queria o seu beijo
Outra vez...(2x)

Amanhã é 23
Faltam 8 dias prá acabar o mês
Faz tanto tempo
Que eu não te vejo
Queria o seu beijo
Outra vez...





quinta-feira, 4 de junho de 2009

LUTO COTIDIANO
















Nascer, viver, morrer fazem parte do cotidiano
Do mesmo modo, as alegrias, os pesares e os enganos
Nunca saberemos quando será a nossa vez 

Lembremos, que, todo dia, a todo momento, estamos por um fio...
Mas, nem por isso esqueçamos que, viver é bom
e fazer o impossível a meta a qual nos disponibilizamos
Compromisso com nós mesmos na não desistência da existência,
por mais angustiosa, sufocante, entristecida que nos pareça

Enfrentemos, com força e coragem
o que nos suceda, exercitando o desapego, amenizando o sofrimento, ouvindo o silêncio
Estando no mundo sem ser exatamente dele
Buscando, no mistério da vida que nos cerca, o equilíbrio, a paz,
a fonte do sossego...

Assim, quando a morte, em qualquer lugar, por fim nos alcance,
seja antes, bem-vinda senhora ou doce criança, estejamos prontos...
Não partamos daqui chorando, pois, é nosso destino humano
sempre partir...


    

terça-feira, 2 de junho de 2009

NEGRO GATO



Que belo porte, que bela cor, que belos olhos... 
Um negro gato, sim senhor...
 (Foto by Raphael Alves)




negro gato
Composição: Getúlio Cortes

Eu sou um Negro Gato 
de arrepiar  
Essa minha história 
é mesmo de amargar  
Só mesmo de um telhado
 aos outros desacato 
Eu sou um Negro Gato 
Minha triste história 
vou lhes contar
 e depois de ouvi-la 
sei que vão chorar
  Há tempos que eu não sei  
o que é um bom prato
 Eu sou um Negro Gato
 Sete vidas tenho 
para viver  
sete chances tenho 
para vencer  
mas se não comer
 acabo num buraco 
Eu sou um Negro Gato
 Um dia lá no morro 
 pobre de mim  
queriam minha pele
 para tamborim  
apavorado
 desapareci no mato 
Eu sou um Negro Gato