sexta-feira, 24 de abril de 2009

CONDICIONAMENTO



Omar Ali Shah

Tradução:Beatriz Telles Rudge

As pessoas são condicionadas a reagir. Às vezes elas não param para pensar: “Será que eu deveria dar esse telefonema? Eu preciso telefonar? Para quem?” O que elas estão fazendo é reagir à palavra impressa – Saiu nos jornais, deve ser verdade”, ou “Eu vi na televisão”, ou ainda: “Meu comentarista favorito disse isso, portanto eu devo fazê-lo”. As pessoas são condicionadas desde o seu tempo de criança; elas são doutrinadas, num grau maior ou menor, do ponto de vista do nacionalismo, da religião, da política e de outras coisas. Como eu já disse, uma certa quantidade de pensamentos ou atitudes condicionadas é perfeitamente razoável. A pessoa deveria e deve crescer e aprender ou entender qual é a sua nacionalidade, ou aquela na qual acredita, o seu status social, a sua história familiar – eles devem ter certos termos de referência, certos pontos de vista. Mas além de um determinado ponto, eles precisam aprender, e deveriam ser ajudados e ensinados a desenvolver termos de referência próprios, a adquirir pontos de vista válidos próprios, a ter certos valores próprios. Quando eu digo que eles precisam ser ensinados, isso não significa que tenham que ser condicionados no sentido de que aprendam através da repetição, maquinalmente, ou seja, que precisem escutar diversas vezes a mesma coisa até que aprendam. O ensinamento significa tornar-lhes disponíveis informações de todos os tipos, de forma que possam lê-las, entendê-las, associá-las com eles próprios, e considerá-las sólidas. Isso não acontece imediatamente – não acontece em nenhuma idade específica, não depende do grau de inteligência ou de instrução da pessoa. É uma coisa constante, que se desenvolve o tempo todo: pontos de vista, termos de referência e outras coisas buscadas em valores significativos. As pessoas podem ser ajudadas a desenvolver esses pontos de vista, atitudes e compreensão por meio da explicação – não necessariamente por interpolação ou interpretação. Uma certa quantidade de interpretação sempre entra nas explicações. Qualquer explicação que você receba de alguém sobre alguma coisa – qualquer coisa – contém um certo caráter subjetivo. Se você perguntar a dez pessoas o que elas acham de um determinado tapete, provavelmente você obterá dez pontos de vista diferentes. Um deles poderia ser: “Nós vimos o tapete e a sua cor era horrível”. Esta pode ser uma avaliação subjetiva porque elas não gostaram daquela cor particular. Se você tomar essa interpretação e então disser que aquele tapete é horrível, como são horríveis todos os tapetes iguais àquele – que pode ser Herari, um Tabriz, ou algo, dado que eles têm cores em comum – você não foi condicionado apenas por aquela frase, pois o condicionamento na verdade leva muito mais tempo. Porém nessa pequena área, da apreciação do Herari ou de outros tapetes, você passa a considerá-los terríveis – “porque quando perguntei a alguém ‘que eu conheço’ – ou ‘em cuja opinião eu confio’, ou ‘em cujo discernimento eu me apoio’, o que ele achava do tapete, ele respondeu: “É horrível”’. Assim, isso passa a ser um termo de referência. Isso não quer dizer que você precisa examinar, experimentar, analisar e duvidar automaticamente de todas as explicações ou opiniões alheias. A pessoa tem, pode ter e deveria ser encorajada a ter uma certa quantidade de discussão sobre certas coisas...


Continua...

Postar um comentário