segunda-feira, 23 de março de 2009

DESTINO


Aventurei-me em impreciso destino, cheio de pedras, florestas, serras e abismos, inexistentes atalhos, mares escondidos, insondáveis, incontáveis vales e profundos precipícios... Que importa? O sol me acoberta nessa viagem ... é o astro meu senhor soberano!

 

Não conto as pedras nesta trajetória, tento nelas não tropeçar, e há duros espinhos e delicadas rosas das selvagens roseiras, que crescem ao longo do caminho que conduz ao mar.

 

Alguém passa, célere, por essa mesma estrada, entretanto, cabisbaixo, marca passo Olhando para o chão, vai sem direção... e em seu descuidado passar, esbarra nas roseiras, tropeça aqui e acolá.

 

Mais adiante, vem um outro miserável andante, que segue, inconsolável, pelo caminho desolado, olhos fitos no espaço, no paraíso almejado, as pedras ignora, salta sobre elas, chuta e empurra algumas delas. Temente ao inferno, toma as rosas pelos espinhos e ferido, vai ele choroso, lamentando-se por todo o caminho.

 

Logo mais adiante, eis que surge um outro viajante na estrada empoeirada, de semblante abatido, sofrido, porém, resplandecente, vivo, que colhe as rosas com cuidado, cortando-lhes os talos e lhes aparando os espinhos e pega das pedras, leva o que pode levar... e vai, por onde passa, construindo pequenos canteiros, o senhor jardineiro...

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