quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

MAR DE HISTÓRIAS - UM ENSAIO SOBRE O PODER CRIADOR DA PALAVRA E A HISTÓRIA ENSINAMENTO PARTE VII



O FILHO DE UM CONTADOR DE HISTÓRIAS PARTE V


Aí, chegou-se ao contador de histórias que sem dizer nada tratou de descer. A água estava bastante fria, mas ele a suportou com vontade de ferro. O ruído novamente aconteceu e foi tão forte quanto mil tormentas e ele se preparou para fechar seus ouvidos. Finalmente, quando pensou que teria que se render, percebeu que havia atravessado os feitiços protetores dos gênios e estava dentro de uma enorme caverna, embaixo d’água. Abriu uma porta e chegou a uma sala aonde a primeira coisa que viu foi uma das princesas, sentada no chão, em companhia de um gênio de horrendo aspecto, em forma de serpente de dezoito cabeças, enrolada, dormindo em um canto.
O contador de histórias agarrou uma cintilante espada que pendia de uma parede e de um só golpe, cortou as cabeças do maléfico gênio.
A princesa correu e beijou sua mão e ao redor de seu pescoço colocou uma corrente de ouro do tesouro real.
‘Onde estão tuas irmãs?’ Perguntou-lhe o contador de histórias.
Ela então abriu outra porta, e dentro da sala contígua estava a segunda princesa, guardada por um gênio em forma de uma gigantesca caveira com pequenas patas. Imediatamente, o jovem pegou de uma adaga que enfeitava uma das paredes e, de um só golpe, separou a atroz cabeça das pernas e o gênio, soltando um gemido, expirou.
Os três jovens, juntos, foram em seguida à próxima sala aonde se encontrava a caçula das princesas, guardada por um gênio, com cabeça de abutre e corpo de lagarto.
O contador de histórias, ao ver que o gênio estava dormindo, rapidamente, se apoderou de um garrote pendurado na parede e o estrangulou.
As duas princesas puseram uma coroa em sua cabeça e uma espada real em sua mão. Então, se apressaram a voltar ao lugar em que a corda se encontrava pendurada, e, o contador de histórias fez com que a primeira princesa a segurasse enquanto que ele puxava a corda, avisando que ela já podia ser içada.
A primeira princesa logo chegou, sã e salva, a margem do lago.
Em seguida, chegou à vez da segunda princesa a ser içada, tornando a corda para o resgate da última jovem.
‘Sobe’, disse-lhe o contador de histórias. Mas a princesa se recusou a fazê-lo e assim lhe disse: ‘Tu és que deveria ir por primeiro... Temo uma traição. Poderiam deixar-te aqui, já que nós três estaríamos a salvo. Teus companheiros poderiam livrar-se de ti e reclamar o prêmio’. Todavia, o jovem recusou-se a subir e o mesmo fez a princesa.


Continua...

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