segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

MAR DE HISTÓRIAS - UM ENSAIO SOBRE O PODER CRIADOR DA PALAVRA E A HISTÓRIA ENSINAMENTO PARTE X



Para cumprir missão tão importante, os atentos guardiões dos adormecidos deveriam usar formas e palavras adequadas, pois “debaixo da linguagem do poeta jaz a chave do tesouro”, é o que nos diz Nizami, poeta sufi. Assim, as palavras, por eles, narradas ou cantadas, readquiriam a força e o poder e, outra vez, abriam aos simples mortais a caixa dos segredos imperecíveis. Um conhecimento valioso escondia-se sob a forma de fábulas, contos populares, lendas etc... Mas, os tempos mudam e nestas condições os sábios guardiões tiveram que também recorrer à palavra escrita e aos demais tipos de linguagem e fontes de informação. Desta maneira, cada história narrada era preservada e passada adiante, habilmente resguardada de qualquer processo degenerativo; artifícios ou deturpações - que ao serem utilizados fazem-na perder toda a sua eficiência - por gente que ao exercerem o humilde ofício de “contador de história”, sabia exatamente o quê e como fazer; agiam assim para que as futuras gerações tivessem um marco e um guia em sua evolução, já que eles sabiam que, se usadas de modo correto, as histórias-ensinamento, feitas de um outro material, bem diferente daquele utilizado nas histórias comuns, sugeririam novas formas de ser e de pensar ao nos colocar - através dos personagens ou até mesmo de lugares e movimentos - em contato direto com faculdades superiores da mente ao espelharem o próprio modo da consciência humana de se comportar. Porém, mesmo após tantos desdobramentos, mesmo assim, nem todos puderam captar a mensagem contida nas palavras das histórias de ensinamento, cuja compreensão varia de acordo com o nível de condicionamento de cada um. Ouvi-las ou lê-las, nos leva a um comportamento bastante comum que é a vontade de interpretá-las por meio de associações de idéias, embora seu conteúdo vá muito além de simples divertimento ou aconselhamento moral.
A emoção é outro grande empecilho para a devida compreensão, já que, geralmente as pessoas são levadas a crer que através dela estão extraindo para si algo muito importante e útil. A emoção, embora não se descarte o real valor de suas funções, é algo limitado. O pensamento de enaltecer ou mergulhar fundo neste tipo de sentimento e considerar isto um ato sublime, foi gerado por anos e anos de condicionamento, quando se ensinava que a melhor maneira para se alcançar a verdade, precisava de abordagens analíticas e associativas; porém apenas em parte isto é correto; apenas em parte... Portanto, devido a diversos fatores, as histórias-ensinamento ficaram então restritas a uma pequena parcela da sociedade.

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