sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

MAR DE HISTÓRIAS - UM ENSAIO SOBRE O PODER CRIADOR DA PALAVRA E A HISTÓRIA ENSINAMENTO PARTE VIII




O FILHO DE UM CONTADOR DE HISTÓRIAS PARTE FINAL



Depois de um tempo, os dois homens, vendo que nada acontecia, decidiram tomar as duas princesas e voltar à corte para reclamar o prêmio que, por direito, corresponderia ao seu companheiro abandonado.
Os malvados ameaçaram as duas jovens, que, se caso elas não apoiassem a sua história de que eram eles os verdadeiros heróis, certamente as matariam. Deste modo, retornaram ao palácio aonde foram recebidos como conquistadores. Eles disseram ao rei que a mais jovem das princesas, havia morrido na caverna e o rei ordenou que se observassem quarenta dias de luto. Passados estes dias, o emir e o ministro se casariam com as duas jovens, as quais, supostamente, tinham resgatado.
Enquanto isso, nas profundezas da caverna dos gênios, o contador de histórias e a jovem princesa se deram conta de que haviam sido abandonados quando a corda não baixou pela última vez. Buscando uma solução, os dois jovens revistaram todas as salas e até que numa delas encontraram uma caixa de latão incrustada de jóias. Quando a princesa a abriu, ouviu-se uma voz que disse: ‘Quais são tuas ordens? Sou o espírito desta caixa. Pede e te será concedido.
O contador de histórias adiantou-se e fez um pedido: que naquele mesmo instante, ele e a princesa fossem transportados, com a caixa, à margem do lago, e foi isso que aconteceu num abrir e fechar de olhos. Em seguida, pediu um grande barco carregado de tesouros e que a espada; a coroa e a corrente; fossem bordados nas velas. Quando ele e a princesa estavam a bordo, o jovem ordenou que voasse no mesmo instante para o porto que ficava ao lado do palácio do pai da princesa.
Assim que viu o barco, o rei pensou: ‘Este é um navio de um poderoso monarca. Apresentar-me-ei para fazer-lhe as honras, já que tem três símbolos de realeza em suas velas, deve ser três vezes mais importante do que eu’.
Então, o rei subiu a bordo do barco e, humildemente, começou a falar com o contador de histórias, pois não o reconhecera debaixo daquelas túnicas e jóias que havia obtido da caixa mágica. Porém, a princesa foi incapaz de se conter e, alegremente, saiu de seu esconderijo e logo contou ao seu pai toda a história.
O rei, ao saber de tudo, expulsou os dois homens, o malvado ministro e o guerreiro, das terras do reino e o contador de histórias casou-se com a princesa, para, juntos, herdarem o reino, na plenitude do tempo.
“E isto, nobres senhores”, disse o filho de um contador de histórias ao terminar seu relato, “vêm apenas vos mostrar o quão importante pode ser um ‘simples’ contador de histórias”.

Postar um comentário