terça-feira, 13 de janeiro de 2009

MAR DE HISTÓRIAS - UM ENSAIO SOBRE O PODER CRIADOR DA PALAVRA E A HISTÓRIA ENSINAMENTO PARTE V


O FILHO DE UM CONTADOR DE HISTÓRIAS PARTE III


Assim, os dois homens, juntos, viajaram, caminharam e cavalgaram, percorrendo lugares distantes e enfrentando muitas dificuldades. Em uma só palavra, fizeram tudo o que seu valor e sagacidade, unidos, puderam pensar; porém, antes mesmo de encontrar quaisquer rastro das princesas perdidas, foram capturados por bandidos e vendidos como escravos ao proprietário de uma pousada que os fez trabalharem duro, feito duas bestas de carga; deixando também aos seus cuidados os escravos e os animais dos viajantes que passavam por ali.
Enquanto isso, no palácio do rei, novamente os dias transcorreram sem novidades. Nenhuma notícia chegava dos dois homens.
Já um longo tempo havia se passado e o rei e sua corte estavam mergulhados no mais profundo pesar. Foi aí então, que, diante de todo este abatimento, certo jovem, contador de histórias; filho de um contador de histórias, que por sua vez, era filho de um contador de histórias, que, fora também filho de um contador de histórias e assim sucessivamente, por incontáveis gerações, se apresentou perante o rei e toda a corte pedindo permissão para partir em busca das desditosas donzelas.
A princípio, o rei recusou-se a atender o pedido, perguntando-se o quê, afinal de contas, poderia fazer um simples contador de histórias, aonde dois de seus melhores homens haviam evidentemente falhado. Mas, depois, dando-se conta de que não poderia, de qualquer modo, piorar ainda mais a situação acabou cedendo e permitindo que o jovem seguisse o seu destino.
O contador de histórias, sem perder tempo, saltou por sobre o seu cavalo e galopou, rápido como uma flecha, em direção ao nascente.

Continua...
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