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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

SE EU ADORMECER NÃO ME ACORDE


Se eu adormecer, por favor, não me acorde
Acordado, não há suporte que acomode minha vida incomodada
Prefiro sonhar estranhos sonhos
do que encarar face a face a dura realidade
e os desenganos sem tamanhos

O sono, em cinza, acolhe-me em seus braços
E em sossego, adormeço, esquecendo os dissabores
Melhor que um bom vinho, que me faça falar a verdade
É adormecer em profundo sono

O sono, eu sei, é irmão gêmeo da morte
E talvez, mais valesse morrer de vez
Mas fraco, covarde, vil humano, ainda vacilo diante do encontro com a dama de negro

Se eu adormecer, por favor, não me acorde
Há poucas flores a enfeitar-me o passo
As alegrias são fitas coloridas e fininhas que amarram
a inquieta quietude a surpreendente fatalidade escondida nos dias

As águas da chuva descem morro, serra, encosta
Levando gente, lembranças, tudo...
É água que mata, chuva desvairada, afogando as esperanças e um desejo de futuro

Se eu adormecer, por favor, não me acorde
Não quero ouvir um réquiem para os mortos
Nem as preces dos humilhados e o choro dos desesperados

É Natal, é Ano Novo e deveria reinar a paz na Terra, mas,
só o que o que se houve sobre ela é “choro e ranger de dentes”...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ESTRANHO DIA




Foi num estranho dia
Que me chegaste
Quando a tristeza ainda me consumia
Porém, com um olhar me alegraste
E nele vi o quão me querias
Revelando-me um amor antigo
Por anos e anos recolhido

Desde então, querido, de minha vida fazes parte
E é um tormento quando não te vejo
Lamentos saem da boca que anseia beijar-te
E os olhos fecho em puro desassossego

Velhas mágoas ao meu peito afloram
E meu canto de esperança eu desafino
Incerto do amor que me devotas
Incerto do rumo do meu próprio destino

Mas, quando surges
Belo e esplendido como o sol
O temor me foge, rápido, veloz
E sou novamente surpreendido pela alegria
Bufão atrapalhado ao teu sorriso acorrentado

RECORDAÇÕES DA CASA DA COBRA-BLUE MODE



BLUE MODE


Hoje a melancolia me invade... isso costuma acontecer muito comigo, sou naturalmente melancólica, faz parte de minha natureza. Pra piorar, chove, (novidade...?!) e logo pela manhã o barulho do rádio do vizinho invadiu o meu quarto... no noticiário as noticias de sempre. Antes costumava acordar com o canto de pássaros, mas já faz tempo que o quintal do meu vizinho deixou de ser uma pequena floresta onde a noite sumia por dentro... Apesar de tudo, ainda há canto de pássaro... Não consegui mais dormir... Agora, decorrida metade da manhã, diante do meu notebook, escrevo, e, enquanto escrevo, vou escutando um velho blues na voz de Big Bill Broonzy... Cansaço! Eu, mesmo sem estar longe de minha terra natal, me sinto com “banzo” também... Minha saudade é outra, mas não menos amarga. Foi nas vozes de lamento, que subiam das plantações de algodão, no sul dos Estados Unidos, que nasceu o Blues, que, no modo comum de falar do Delta do Mississipi, em sua tradução, quer dizer “melancolia”; melancolia que passava das almas e dos corações para as vozes dos seres transformados em escravos que então procuravam amenizá-la, cantando... eu não canto, mas, escuto... e me sinto com “banzo”. Arrancados de sua terra, pelo uso extremo da força, viajando em precárias condições, amontoados nos porões em navios apelidados de “tumbeiros”, para virem plantar e colherem algodão, milho e tabaco para os brancos em estados de Nova Orleans, Mississipi, Alabama, Louisiana e Geórgia os “negros” eram puro desalento... Quanto sofrimento! Nos campos, sob a claridade do sol, punha-se um deles a entoar um verso, que era, em seguida, repetido em coro, pelos outros. As “work-songs” (canções de trabalho) só eram permitidas pelos fazendeiros por imprimirem um ritmo, uma cadência, ao ato de plantar e colher e assim deixar o “negro” menos triste. A princípio as canções eram entoadas nas línguas nativas como o banto e yoruba; mas, com o tempo, elas foram se misturando ao idioma inglês, e, invocando sempre a ajuda de DEUS, a música acabou servindo como um canal, para expor e “curar” seus males, não só a saudade da terra natal, mas, também, as dores de amores e da sua miserável condição. Eu também tenho um blues dentro de mim, e, sai assim, como as antigas “work-songs”; começa aos poucos, num murmúrio e se alonga com a respiração e o pensamento, um lamento... Meu blues sai de meus dedos, salta nas palavras, nas páginas em que escrevo, nasce das histórias que leio; renasce nos contos que reconto vive nos contos que invento e no dia a dia que reinvento. Meu instrumento é o teclado de meu computador, onde pulsa, em descompasso, o meu coração.






segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

RECORDAÇÕES DA CASA DA COBRA-BOM DIA, TRISTEZA







Pablo Picasso (25/10/1881-08/04/1973) Fase azul




BOM DIA, TRISTEZA

Hoje a tristeza veio me visitar. Não marcou hora nem nada me perguntou. Foi entrando sem pedir licença, sem presente de Natal, sem votos de felicidades para o Ano Novo. Incomodada, mesmo assim a cumprimentei. Dei-lhe um meio sorriso e “Bom dia” lhe disse. Com um olhar sombrio ela nada me respondeu, continuou calada enquanto vagueava pela sala mal pintada... Dirigiu-se à mesa pequena e desarrumada... Ouviu o silêncio vazio da casa... Balançou a cabeça em sinal de consentimento. Baixou os olhos, aprumou-se... passou a mão pelo cabelo negro em desalinho. Ajeitou o comprido vestido azul... Queixou-se da cansativa viagem e foi para o quarto; o meu quarto... Calmamente fechou portas e janelas, que, não por acaso estavam abertas, e por onde ainda teimava entrar alguma claridade; uma claridade fria e tímida de um sol amarelado e trêmulo, que logo se escondeu por detrás das nuvens. Por fim, puxou as cortinas, e então todo o meu mundo mergulhou de vez na penumbra. Pedi-lhe que se fosse; expliquei-lhe que, para ela, não havia lugar, pois bem-vinda não era, ao recesso de meu lar. Chorei, implorei... mas ela insistiu em ficar. E agora que aqui está, diz-me a pálida senhora, que muito sente, mas não sabe quando se irá embora, porém, não é sua intenção incomodar... Necessita apenas de um descanso para os pés, uma xícara de café, chocolate ou chá e um ombro pra se encostar...

domingo, 28 de dezembro de 2008

AUSÊNCIA



Suprimo, meu amado,
as longas horas em que te espero
ardendo no fogo invisível do mais puro amor
E como a mariposa ao redor da lâmpada
ensaio minha última dança
E pelas esferas encantadas, escondidas,
vai meu espírito, livre, soberano
ao encontro da rosa mística...
Pois saibas amante adorado,
sobre esta terra,
somos nós como um sopro ou a chama vacilante de uma vela
sonho vago,
que, lentamente, se apaga
na mente daquele que desperta.

sábado, 27 de dezembro de 2008

SERÁ MESMO QUE TUDO ACABA EM SAMBA? PARTE FINAL





A questão toda, depois desse discurso, é, por que escuto blues em vez de samba? Eu, brasileiro, amazônida, perdido nos confins da floresta, por que prefiro o "bom e velho blues" ao nosso "bom e velho samba"? (Tem quem ache estranho, afinal, sou brasileiro e não americano... lá fora acham que brasileiro não sabe fazer nem tocar blues; aqui, nós achamos que o gringo não sabe sambar... ) Tolices à parte, eu respondo que ouço blues mais do que samba porque gosto do formato em que vem revestido... acho poético, vibrante, harmônico e me dá uma enorme sensação de paz... quando ouço "um bom e velho blues" é como escutar as vozes dos anjos ou do próprio Deus... exagero? Acho que não... cantar ou ouvir blues é como fazer uma oração... não era à toa que também era cantado nas igrejas, em forma de spirituals songs, e também posso dizer que ouço blues mais do que samba porque, há muito tempo, o blues e outros ritmos foram incorporados à nossa cultura... ouvir samba ou blues, preferir um gênero mais do que o outro, é apenas questão de gosto. Os elementos que deram origem ao blues lá, também estavam contidos cá. O lamento dos negros cativos no Brasil, misturou-se ao cântico dos europeus que aqui aportaram em busca de novas conquistas. Os portuguêses, impregnados pelo trovadorismo, trouxeram suas cantigas de amor e de amigo; de escárnio e maldizer... holandeses, franceses, alemães, árabes, judeus, italianos... valsas, modinhas, quadrilhas, polcas, óperas (francesas e italianas) tudo serviu de ingrediente para novos rumos (ou experimentos que deram certo) na música... O mesmo se deu nos Estados Unidos... o contacto com outras gentes, a fusão com outros ritmos foi dando ao blues a forma com que hoje se apresenta... mas, muito mesmo antes disso, dos campos de algodão, ao fim da escravidão, procurando meios de sobreviver, iam eles pra lá e pra cá, artistas intinerantes, em espetáculos mambembes, cantando músicas folclóricas, dançando, interpretando, já fazendo uso de instrumentos mais sofisticados... assim surgiram os primeiros blueseiros e as primeiras "blues singers". Esse tipo de espetáculo tem raízes na Idade Média, que , por sua vez, agregou certos hábitos dos povos que vieram do Oriente. No Brasil, o batuque foi o maior legado dos negros vindos de Angola e Congo, lugares de onde foram trazidos o maior contingente de escravos para nossas lavouras e, embora, ainda mantenha certa identidade, acabou por se misturar a outras danças de carácter popular ou não. Acompanhadas por bumbos e palmas, quijançes e marimbas, as canções do batuque tinham como sua maior característica, a improvisação... o dançarino, geralmente ao calor da fogueira, perto de onde também se postavam os músicos, cantava, enquanto os que assistiam a roda, respondiam em coro. Dificil é falar dessa dança, já que houve diversos modos de apresentá-la... Bom, a verdade é que o batuque acabou em samba ou semba (saudação com a qual os dançarinos passavam a vez de dançar) como era na real chamado pelos negros, dividido em inúmeras vertentes, como o samba de roda, que da Bahia foi para o Rio de Janeiro passando adiante os seus ritmos e o seu nome a canção popular em voga na época. Individualidade mesmo do samba, segundo os que entendem, só existe no partido alto e no samba de umbigada certamente ainda praticado nas escolas de samba. O blues teve o mesmo destino ao misturar-se, agregando para si outros ritimos, impossível fugir disso, acontecendo então nos anos 20, a fusão do blues com o jazz... Alan Lomax (musicólogo e folclorista americano, nascido em 01 de Janeiro de 1915 e morto 19 de Julho de 2000) usava a palavra gumbo (espécie de sopa crioula bem temperada cujos ingredientes além dos americanos, eram os africanos, ibéricos e latinos) para designar uma mistura de ritmos de onde surgiu o jazz, que outrora fora precedido pelo ragtime. A fusão com o jazz e a diáspora dos negros acontecida após a depressão, em 1929, proporcionou novas roupagens ao blues, mas, a sua essência permaneceu inalterável.

RECORDAÇÕES DA CASA DA COBRA-A FLOR, A DOR E O AMOR



A FLOR, A DOR E O AMOR


Havia uma flor
Havia uma dor
Havia o meu amor
Esperava que uma supernova
surgisse resplandecente pela estrada
de minha vida afora
Havia o meu amor
Havia uma dor
Havia uma flor
Não devia carregar nenhuma bagagem
Esqueci-me dos conselhos dos antigos sábios
e entreguei-me a inúmeros perigos
Exposta a toda sorte de desatinos
Havia uma dor
Havia o meu amor
Não mais havia a flor
O jardim tão bem cuidado, mergulhado em sombras
Murchou... ressecou... perdeu a cor
Triste, tentei voltar sobre os meus passos
Mas era tarde... a longa estrada se estreitava a cada passada
Havia o meu amor...
Mas ainda havia a dor
Porém, a dor foi amenizando conforme o tempo decorrido
e o trabalho compreendido
Havia boa intenção e a vontade em dar as mãos
Havia compreensão
A alegria secreta tomou conta de meu ser
E entendi, finalmente, o por quê...
De repente...
Não mais havia a dor
Havia somente o meu amor


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

TROVADORISMO PARTE FINAL



Desaparecimento do Trovadorismo, Escola Palaciana e Cancioneiros...

A poesia, em Portugal, devido aos afazeres políticos e muita diversão, propagados pela administração dos reis Afonso IV, D. Pedro e D. Fernando, que se ocupavam mais das coisas materiais que espirituais, a poesia lírica entrou em decadência e ficou esquecida durante certo período de tempo ressurgindo em meados do século XV, desta vez sob a influência da Corte espanhola, que nunca deixou de praticá-la. A poesia desta época apresenta as seguintes características:

1. O linguajar está mais desenvolvido, mais evoluído
2. As formas poéticas apresentam maior variação e o uso do refrão é bem menos freqüente.
3. A poesia já não é mais cantada e, portanto, o poeta (não mais trovador) preocupa-se com a sonoridade e cadência dos versos.
4. Os temas usados continuam os mesmos, porém a distância homem-mulher não recebe mais tanta ênfase.
5. Ao lado da poesia lírica, surge a poesia didática e religiosa, de aspecto extremamente burguês, e praticamente a substitui. Com o fim da fase lírica criativa dos provençais, é natural o curso que se segue, ou seja, o desaparecimento da literatura trovadoresca assim como de seus compositores.

Dentre os principais trovadores do período medieval, se encontram D. Dinis, João Soares de Paiva, Paio Soares de Taveirós, João Garcia de Guilhade, Aires Corpancho, Airas Nunes, João Zorro, Afonso Sanches, Nuno Fernandes Torneol e muitos outros... As poesias do período medieval foram condensadas em coletâneas (cancioneiros) sob a forma de pergaminhos, contendo, muitas vezes, iluminuras ou partituras musicais. Dentre os cancioneiros portugueses estão:

Cancioneiro da Ajuda: A princípio guardado no Colégio dos Nobres, sendo, tempos depois, transferido para a Biblioteca da Ajuda, daí o seu nome, data, a primeira edição, de 1825. Vinte e seis anos mais tarde, Varnhagen lança uma segunda edição, acrescentando-lhe quarenta e duas composições, intitulando-o de Trovas e Cantares de um Códice do XIV Século, ou antes mui provavelmente o Livro das Cantigas do Conde de Barcelos, por achar ser este obra de apenas um poeta. Entretanto, a melhor edição, coube o mérito a ilustre romanista Carolina Michaelis, que, apresentou-o em dois tomos, contendo o primeiro o texto das cantigas, enquanto o segundo trazia as investigações bibliográficas, biográficas e histórico-literárias sobre os trovadores. Pensava ela ainda em um terceiro com notas e glossário, que, infelizmente, referindo-me as notas, não chegaram a aparecer, surgindo, porém o glossário em 1920 no volume 23 da Revista Lusitana. No ano de 1941, O Cancioneiro da Ajuda, foi publicado em Nova York pela Modern Language Association of America, uma edição diplomática completa, com texto de Henry Hare Carter e por fim, em 1945, surge o volume I do Cancioneiro da Ajuda entre a Coleção de Clássicos Sá da Costa, cujo prefácio e notas do professor Marques Braga constam como plágio de Carolina Michaelis. Contêm, este cancioneiro, segundo uns, 310 cantigas, quase todas de amor do século XIII, ou ainda, segundo outros, 467 poesias, todas anônimas.

Cancioneiro da Vaticana: Descoberto em Roma no anos 1843, na Biblioteca Vaticana, por bibliófilos, que tiveram sua atenção despertada por F.Wolf, que, por sua vez, fora espicaçado em sua curiosidade pelo cronista Duarte Nunes de Leão (1530/1608) sobre um Cancioneiro de El-Rei D. Dinis, este cancioneiro possui mais de duzentas folhas, com mil e duzentas cantigas de cento e sessenta autores, do século XIV e nele também estão incluídas as composições de D. Dinis. A primeira edição foi lançada em 1875 por Ernesto Monacci. A segunda edição é de Teófilo Braga e contêm uma introdução histórico-literária sobre os cancioneiros e um glossário.

Cancioneiro Colocci-Brancutti ou Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa: Sem muitas referências, sabe-se apenas que pertenceu antes, a Angelo Colocci e posteriormente ao conde Antônio Brancutti. Com a morte do conde o Cancioneiro passou as mãos de Ernesto Monacci que o vendeu ao governo português, passando este então a figurar na Biblioteca Nacional. Possui trezentas e cinco folhas e pelo menos, mil e quinhentas cantigas de diferentes épocas. Nela aparece a primeira poesia espanhola, e talvez a última composição poética do ciclo trovadoresco. Escrita depois de 1329, é da autoria de Afonso XI (1311/1350) de Castela.

Catigas de Santa Maria: Em idioma galaico-português constituem-se tais cantigas em trechos deveras impressionantes de conteúdo históricos e religiosos.

Cancioneiro Geral de Garcia de Resende: Nele se encontram reunidas todas as composições da Escola Palaciana.

Estudos de Português para o 2º. Grau, 1º. Volume; Elda Randoli Marino
Curso Prático da Língua Portuguesa e sua Literatura; Jânio Quadros



quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

RECORDAÇÕES DA CASA DA COBRA-MIL RAZÕES PARA UM BLUES



TULIPA NEGRA


Graciosa rainha da noite,
que a lua enche de graças e infindáveis carinhos.

Nenhuma canção, jamais, fará jus a tua beleza, pois, nenhum bardo, por mais sábio que seja,
conseguirá apreender o teu real significado.
Por mais que ele cante o amor,
as lágrimas teimarão em rolar
por seu rosto descontente,
já que o negror da tulipa é incognoscível,
e descrevê-la não é possível


Do livro RÉQUIEM; Virgínia Allan, Editora Scortecci




MIL RAZÕES PARA UM BLUES


Misteriosa e fascinante é a flor Tulipa. Originária da Turquia, tulipan (que quer dizer, turbante) pertence à família dos lírios (liliáceas) e costuma florescer no fim da primavera. Reza uma lenda persa que, certa moça, Ferhad, apaixonou-se perdidamente por um rapaz, Shirin, que, entretanto, não correspondeu a essa louca paixão. Rejeitada, Ferhad fugiu para o deserto, aonde ninguém pudesse vê-la chorar... e Ferhad chorava constantemente, dia e noite, de saudade, tristeza e solidão e cada lágrima vertida, caída ao chão, mal tocavam a areia, transformava-se em uma linda flor, a tulipa. A tão decantada tulipa negra, que, na verdade, possui tonalidade marrom-escuro, é conhecida como “rainha da noite” e assim como diz o poema, descrever a sua beleza com exatidão, não é possível. Motivo de inspiração a poetas e escritores, a exaltada beleza maravilhosa desta flor, perde-se no imaginário da humanidade na vã tentativa em decifrar os seus mistérios. Símbolo de perfeição, oculta, dentro de nossas almas, está a sua essência, misturada a nossa, em um casamento feliz e possível. Entretanto, poucos são aqueles que se dão conta deste milagre interior, pois a busca eterna por nós mesmos está, muitas vezes, centralizada apenas nos aspectos externos, deixando-se de lado o retorno positivo proporcionado pela natureza das coisas. Dentro e fora de nós, está a verdade, revestida de vários modos, em variadas formas, seja na imagem de uma criança; de um quadro, de um poema ou na forma de uma flor, portanto, descobri-la não é algo tão distante, e é isto que nos diz a preciosa tulipa, de negras pétalas aveludadas, cuja criação o homem, ainda, não foi capaz, sequer, de igualar. Título igualmente de um livro de Alexandre Dumas, autor de Os Três Mosqueteiros, o romance A Tulipa Negra trata da realização de dois sonhos quase que impossíveis: a concretização de um amor e a produção de uma tulipa negra. A história se passa na Holanda, em pleno século XVII, entre os anos de 1672 e 15 de maio de 1673: Um médico, que também cultiva tulipas, Cornelius van Baerle, é preso, sob falsa acusação pelo crime de traição. Na cadeia, apaixona-se por Rosa, a belíssima filha do carcereiro. Um prêmio de cem mil florins é o que oferece a Associação Hortícola de Haarlem ao desafio proposto de se produzir uma tulipa totalmente negra este é o enredo da história, todavia não foi o belo e intrigante tema do romance de Alexandre Dumas; muito menos a lenda acima descrita, que originaram o nome da mais antiga banda de blues manauara... Fiz o relato acima apenas como uma curiosidade e afim de evitar especulações. Gostamos de ler e escrever, entretatanto, nunca lemos o livro de Alexandre Dumas e, tampouco ainda, já chegamos perto de uma tulipa negra. A tulipa também não é uma flor regional, ou quiçá, nacional, além do quê, floresce no fim da primavera, estação que não temos em nosso estado, mas é um símbolo de recomeço e, pensamos, um sonoro e exótico nome para uma banda cujo gênero foge um pouco ao gosto do grande público... mas, retirando uma lição desse caldeirão, que alguns poderão chamar de "mistura estranha", é sempre bom imaginar a possiblidade do impossível; é sempre bom imaginar que podemos sim, realizar os sonhos. Temos não uma, mas mil razões para um blues, todas possíveis, realizáveis... Nossos sonhos e nossas razões, não são correr atrás de fama e fortuna, claro, seria ótimo que, de repente, elas viessem como enfeite do trabalho árduo, mas temos nós os pés no chão e não voamos nas asas da ilusão, voamos sim, como já dissemos na "razão de um blues", e o que estamos tentando fazer é deixar um legado para o futuro, um legado modesto, porém, digno de nota ou de todos os tons. Desejamos inpirar, promover e abrir novos horizontes... Só assim, nestas condições, é que conseguiremos todos escapar do horrendo estado em que somos jogados, muitas vezes, pela absoluta miséria espiritual, moral e material... Seres inacabados que somos, temos ainda muito o que fazer.

SERÁ MESMO QUE TUDO ACABA EM SAMBA?




O que faz a distinção entre um povo e outro, é justamente, o aspecto sócio-cultural, baseado nos usos e costumes. Pensamos que somos muito diferentes uns dos outros, mas, na realidade, nem somos lá tão diferentes assim. Este aspecto sócio-cultural, que, aparentemente nos distingue e distancia, e, que, algumas vezes até permanece inalterável por décadas, acaba por sofrer mutações com o passar do tempo, já que, o tempo não tem nenhuma intenção de passar sem deixar suas marcas. Tudo muda, tuda passa... é um processo natural. O que hoje possui significado, amanhã o perderá ou ganhará um outro, pois é inevitável a perda das caraterísticas que lhe são próprias pelo contato deliberado, necessário que temos uns com os outros, perdendo-se e ganhando-se, (agregando, enriquecendo ou destruindo) milhões de novas idéias e motivações que, certamente, causarão a alteração do que era, antes, o corpo original. Nós, enquanto povo brasileiro, somos uma mistura de raças e credos; corre em nossas veias o sangue do branco, do índio e do africano. Atualmente, esta mistura tornou-se bem maior, mais abrangente, uma vez que árabes, chineses, japoneses e outros vieram cá também trazer e deixar para sempre sua contribuição. Aliás, tudo em nosso país alterou-se, tomou novas formas, novas faces, novos rumos, desde a língua que falamos, a comida que comemos, a música que escutamos. Nosso folclore se ampliou, mudou; nosso estilo variou. Bom... é fato que "algumas coisas" (me perdoem se a frase soar pejorativa ou politicamente incorreta) continuam acabando em "samba" ou em pizza (a sua escolha) mas esperamos que o tempo inclua "tais coisas" em sua lista de mudanças... porém, façamos nossa parte e ajudemos o tempo; esperemos sim, nem sentados nem em pé, mas, trabalhando... correndo, visionários que somos, a sua frente...


Continua...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

BLUES, UMA DEFINIÇÃO PARTICULAR


A nossa memória é leve e breve. É preciso sempre que um vento sopre e refresque nossas idéias, nossos pensamentos, reavive as lembranças esmaecidas, como acontece ao fogo que está prestes a se apagar. No meio da floresta amazônica canta o uirapuru um triste blues, quem conhece o uirapuru sabe que é um pássaro pequeno de canto melodioso, melancólico e poderoso. O canto se espalha e envolve a quem o ouve... inspira, acalma, enleva, a alma se liberta. A resposta ao canto mágico é imediata, pois todo mundo traz um blues dentro de si e cada um tem o seu jeito de tocá-lo, cantá-lo ou até mesmo (por que não?) de escrevê-lo, de dizê-lo, enfim, uma definição particular. Mesmo tendo surgido em outra terra, de diferente clima e cultura, o blues é universal, pois, é algo inerente ao gênero humano, assim pode soar diferente para cada um, para cada lugar, porém nunca deixa de ser um blues verdadeiro. Poderia dizer como os antigos europeus, que entendiam "blue" como um estado de espírito, uma tristeza mortal, aonde atuavam nossos demônios interiores, isto é, tudo aquilo, todos os sentimentos, que precisavam ser postos para fora; aqui no Brasil o chamamos de "banzo". A história do blues é triste, bela e inesquecível, cheia de encantos com algumas notas (blue note) irônicas de alegria e uma pitada de deboche, enfim uma canção que soa exatamente assim, alegre e triste ao mesmo tempo, aos ouvidos, a alma e ao coração. Embora a sua história tenha começado lá bem longe (ou "longe é um lugar que não existe" como sugere o título de um livro) ao sul dos Estados Unidos, é nos familiar a sua forma, e cada gente, de qualquer parte do planeta, pode traduzi-lo seguindo o seu próprio ritmo, seguindo a sua canção interior, de acordo com a "verdade" que dirige sua própia existência. Para mim, isto é blues.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

RECORDAÇÕES DA CASA DA COBRA-MANAUS, MÃE DOS DEUSES - BREVE DESCRIÇÃO














Foto montagem: Bob Medina 
Cúpula do Teatro Amazonas

   


MANAUS, MÃE DOS DEUSES - BREVE DESCRIÇÃO


A cidade de Manaus, capital do Amazonas, está localizada entre os rios Negro e Solimões.  
Fundada em 1669, com a construção do forte São José da Barra do Rio Negro, recebeu o nome de Manaus (que significa "mãe do deuses") após sua elevação à categoria de vila ocorrida em 1832.
No tempo áureo da exploração da borracha, Manaus ficou conhecida como a "Paris das Selvas", devido ao elevado grau de riqueza e sofisticação, e foi uma das primeiras cidades do país a possuir luz elétrica, tendo na construção do Teatro Amazonas atingido o seu ponto máximo.
Musicalmente, Manaus sofreu as mesmas influências que o resto do Brasil, isto é temos raízes musicais fincadas nas raças branca, índia e negra, acrescentando-se também o tempero introduzido pelos imigrantes árabes e judeus, portanto elementos latinos, afros, orientais e europeus. Outrora, tivemos as óperas e as orquestras trazidas de fora pelos barões da borracha para apresentações exclusivas para a elite, ou mesmo (caso das orquestras) para um evento estritamente particular. Atualmente voltamos aos Festivais, começando com o festival de cinema, passando por ópera e jazz... por todo o estado, ocorrem diversas festas e manifestações folclóricas, embora não com a mesma importância conquistada pelo Festival Folclórico de Parintins aonde as estrelas principais são os bois Garantido e Caprichoso. Mas, não pensem que Manaus é só folclore, também nos embalamos e nos inspiramos outros ritmos sons. Na década de 60, três dos Festivais Estudantis de Música, foram aqui realizados e o rock'n'roll em nossa cidade morena, a nossa "porto de lenha", rolava solto, assim a paixão pelo blues foi uma questão de tempo.
Em pleno século XXI, Manaus possui muitas opções, com shows de bandas que imaginávamos anos luz de nossos sonhos e o "bom e velho blues" tem conquistado seu espaço, aliás, muito merecido, porém a duras penas. É tempo de saber que música está além de qualquer fronteira, não é propriedade de ninguém. Em nossos dias é de se admirar de quem se admira que numa cidade conhecida pela sua vasta floresta e por isso mesmo, chamada algumas vezes de "pulmão do mundo" ou ainda, por causa de seu clima quente e úmido de "Inferno Verde " ou "Sucursal do Inferno" se ouça e se faça blues?!... mas, ora, se aqui é o inferno ou uma sua sucursal, aonde mais poderiam viver os demônios da tristeza, os nossos "BLUEDEVILS"? Afinal não são eles que nos ajudam a compor um belo blues? Bem... seja aqui inferno ou paraíso, a tristeza e a alegria também são seus habitantes e temos nosso direito de expressar tais sentimentos, na forma e no jeito que quisermos, naquele que nos sentimos mais à vontade, e esta forma para nós, é o blues.

sábado, 20 de dezembro de 2008

MENSAGEM DE NATAL E ANO NOVO


Sinceras desculpas lhes peço, caros leitores, pela demora na atualização do blog, demora aliás, causada por certas ocupações e um tantinho (bem tantinho mesmo) de preguiça. Mas antes de finalizar o assunto sobre trovadorismo, quero desejar a todos que me lêem votos de um FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO. Havia pensado em postar uns textos especiais sobre o Natal, porém, os meus andavam tão batidos, tão destituídos de graça, que fiquei com vergonha. Há tempos, anos na verdade, venho pensado em fazer uma versão da história de Dickens sobre um coveiro raptado por duendes na noite de Natal, tinha me decidido que faria isto agora, neste final de ano, “mas o conto é muito longo” e não deu mais tempo; pensei então na tradução de um poema de Poe, OS SINOS, boa intenção que gorou também. Meu estado de espírito, apesar de tudo, é suave e ainda crédulo e afora as desgraças acontecidas em todo o mundo, e o horror que envolveu o belo estado de Santa Catarina, horror que, talvez, poderia ter sido evitado, acredito que “depois da tempestade vem a bonança”. Espero que 2009 seja um ano surpreendentemente maravilhoso para todos. Que possamos conseguir respirar um ar mais puro, e que os comandantes desta nau desgovernada que é nosso mundo, compreendam como é importante a preservação, não só da natureza, mas do todo. Vamos a passos lentos sim, não nego, nessa caminhada em direção a um futuro incerto e por isso devemos continuar a andar de olhos bem abertos, reconhecendo os pontos determinantes de onde devemos prosseguir e um dia, realmente, um sonho da maior parte dos habitantes da Terra, a paz e a boa vontade reinarão, soberanas, por entre os homens.

Um forte abraço e um beijo na alma e no coração.

domingo, 7 de dezembro de 2008

TROVADORISMO PARTE IV






Cantiga de escárnio e maldizer

De fundo satírico, que se apresenta de forma velada, encoberta, assim colocada através do sarcasmo e da ironia, as cantigas de escárnio são usadas com o propósito de esconder as más intenções como a maledicência e a imoralidade, enquanto na cantiga de maldizer o trovador mostra suas reais intenções; nada esconde... a sátira é feita às claras, e o assunto ridículo e escandaloso, aparece num linguajar chulo, até mesmo pornográfico.
Tanto uma quanto a outra forma de cantiga, eram decantadas pelos jograis de má fama e bem refletiam o ambiente rústico e boêmio das tabernas e seus freqüentadores. Os poetas adeptos deste tipo de cantigas eram chamados de Sirventés.
Características:
01. Representantes do gênero satírico, aonde, em tais composições, uma pessoa em particular é exposta ao ridículo, apresentando dentro deste contexto, vários problemas, oferecendo excelente material de estudo da sociedade medieval.

02. Usa-se um linguajar mais popular, sendo constante o uso de palavras e termos de baixo calão.

As cantigas do tempo do trovadorismo tinham como artistas o trovador (oriundo de casa nobre, compunha a letra e a música das cantigas) o segrel (o trovador, porém de origem humilde, do povo) o jogral ou menestrel (apenas o intérprete das cantigas).

Cantiga de escárnio

Nesta cantiga de escárnio, de autoria de Airas Nunes, percebe-se claramente, a crítica feita à sociedade e ao clero da época, que, não sabiam ao certo donde se encontrava a verdade.

Porque no mundo menguou (1) a verdade,
punhei (2) um dia de a ir buscar
e u (3) por ela fui a preguntar
disseron todos: “alhur (4) lá buscade,
ca de tal guisa (5) se foi a perder
que non podemos em novas haver, (6)
nen já non anda na irmandade”.

Nos mosteiros dos frades regrados
a demandei (7) e disseron: m’ assi:
“non busquedes vós a verdad’ aqui,
ca muitos anos havemos passados
que non morou nosco, per boa fé,
nen sabemos ond’ ela agora este (8)
e d’al (9) havemos maiores cuidados”. (10)

(Airas Nunes)

(1) menguou: minguou
(2) punhei: esforcei-me
(3) u: onde
(4) alhur: em outro lugar
(5) ca de tal guisa: porque de tal modo
(6) em novas haver: ter noticias dele
(7) a demandei: perguntei por ela
(8) este: esteja
(9) d’al: de outras coisas
(10) cuidados: preocupações


Cantiga de maldizer

Aqui, neste exemplo de cantiga de maldizer, Pero da Ponte, critica abertamente a pessoa de Don Martin Marco.


Mort’é Don Martin Marcos
ay Deus, se é verdade!
sey ca se ele é morto
morta é torpidade,

***

e morta neycedade,
morta é covardia
e morta é maldade.

Se Don Martinh’ é morto
sen prez e sen bondade,
ay mays mãos costumes
outro senhor catade,
mays non o acharedes
de Roma atá a cidade,
se tal senhor queredes
alhú-lo dermandade.
Pero hu cavaleyro
sey eu par caridade
que vos ajudaria
tolher d’ Il soydade,
mays que vos diga
ende bem a verdade;
non este rey nen conde
mays he outra podestade
que non direy, que dyrei,
que non direy...



A trama conspiratória contra D. Sancho II, levou os trovadores a se insurgirem, criticando amargamente, a vil traição, a cruel deslealdade dos alcaides para com esse rei, surgindo daí uma série de cantigas de escárnio e maldizer. A música, a poesia e a dança se juntaram, solidários no mesmo sentimento e por isso, enquanto o trovador cantava, fazia-se acompanhar por guitarras, saltérios, violas, pandeiros, dos jograis e ministréis.

Continua...

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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

TROVADORISMO PARTE III



Cantiga de Amigo




Na cantiga de amigo, embora fossem os mesmos trovadores a decantá-la (assim como também sucede à cantiga de escárnio e de maldizer) na cantiga de amigo, as palavras são postas na boca de uma mulher de origem humilde; uma rapariga do povo, como uma pastora ou camponesa, que ama o poeta, mas que sente a dor do abandono quando o trovador se enamora de outra mulher ou então quando este atende o chamado para a guerra. Muitos destes trovadores, sob forma de disfarce, usavam roupas femininas (cantigas de mulher). Diferente da cantiga de amor, que apresenta uma face idealista e algumas vezes, erudita, a cantiga de amigo se mostra mais simples, realista. Suas principais características são:

1. De caráter mais popular, as cantigas de amigo fazem uso mais freqüente do refrão, uma vez que é dirigido às festas, ao canto e a dança.

2.Trata dos mais variados assuntos... desde os domésticos aos políticos, portanto, serve como tema de estudos sobre os usos e costumes da época. Dependendo do assunto tratado, as cantigas de amigo se agrupam em bailias (festas e danças) alvas (falam do mar e dos perigos que o cercam) romarias (visitas aos santuários) pastorelas (mostram a vida no campo, assim como o trabalho das pastoras).

3. Existem três espécies de cantiga de amigo: cantiga de meestria (sem estribilho e de alma provençal) cantiga de refrão (com rosto popular) canção paralelística, autóctone (de cunho popular) esta é tida como a mais antiga forma poética da Península Ibérica.


Segue abaixo uma cantiga de amigo, uma das mais antigas conhecidas, de autoria de D. Sancho I, dedicada a uma formosa, porém, perversa mulher, Maria Pais Ribeiro, a que o soberano ofereceu muitas terras. Sua musa inspiradora podia não ter lá os melhores requisitos morais, coisa que, aliás, é de admirar em se tratando de D. Sancho I, que era um monarca preocupado e voltado com as coisas do espírito, mandando, inclusive muita gente estudar em Paris.



Ai eu coitada,
como vivo em gram cuidado
por meu amigo
que ei alongado!
muito me tarda
o meu amigo na Guarda!
Ai eu coitada,
como vivo em gram desejo
por meu amigo
que tarda e não vejo!
muito me tarda
o meu amigo na Guarda!



Mais um exemplo de cantiga de amigo, do cancioneiro de Martin Codax, que segundo alguns viveu entre a segunda metade do século XIII e começo do século XIV.



Ondas do mar de Vigo

se vistes meu amigo?

E ay Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,

se vistes meu amado?

E ay Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,

o por que eu sospiro?

E ay Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amado,

o por que ey gran coydado?

E ay Deus, se verrá cedo


continua...


http://www.gksdesign.com/atotos/medlit/medievalcantigamartincodax.htm
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