terça-feira, 2 de dezembro de 2008

TROVADORISMO PARTE III



Cantiga de Amigo




Na cantiga de amigo, embora fossem os mesmos trovadores a decantá-la (assim como também sucede à cantiga de escárnio e de maldizer) na cantiga de amigo, as palavras são postas na boca de uma mulher de origem humilde; uma rapariga do povo, como uma pastora ou camponesa, que ama o poeta, mas que sente a dor do abandono quando o trovador se enamora de outra mulher ou então quando este atende o chamado para a guerra. Muitos destes trovadores, sob forma de disfarce, usavam roupas femininas (cantigas de mulher). Diferente da cantiga de amor, que apresenta uma face idealista e algumas vezes, erudita, a cantiga de amigo se mostra mais simples, realista. Suas principais características são:

1. De caráter mais popular, as cantigas de amigo fazem uso mais freqüente do refrão, uma vez que é dirigido às festas, ao canto e a dança.

2.Trata dos mais variados assuntos... desde os domésticos aos políticos, portanto, serve como tema de estudos sobre os usos e costumes da época. Dependendo do assunto tratado, as cantigas de amigo se agrupam em bailias (festas e danças) alvas (falam do mar e dos perigos que o cercam) romarias (visitas aos santuários) pastorelas (mostram a vida no campo, assim como o trabalho das pastoras).

3. Existem três espécies de cantiga de amigo: cantiga de meestria (sem estribilho e de alma provençal) cantiga de refrão (com rosto popular) canção paralelística, autóctone (de cunho popular) esta é tida como a mais antiga forma poética da Península Ibérica.


Segue abaixo uma cantiga de amigo, uma das mais antigas conhecidas, de autoria de D. Sancho I, dedicada a uma formosa, porém, perversa mulher, Maria Pais Ribeiro, a que o soberano ofereceu muitas terras. Sua musa inspiradora podia não ter lá os melhores requisitos morais, coisa que, aliás, é de admirar em se tratando de D. Sancho I, que era um monarca preocupado e voltado com as coisas do espírito, mandando, inclusive muita gente estudar em Paris.



Ai eu coitada,
como vivo em gram cuidado
por meu amigo
que ei alongado!
muito me tarda
o meu amigo na Guarda!
Ai eu coitada,
como vivo em gram desejo
por meu amigo
que tarda e não vejo!
muito me tarda
o meu amigo na Guarda!



Mais um exemplo de cantiga de amigo, do cancioneiro de Martin Codax, que segundo alguns viveu entre a segunda metade do século XIII e começo do século XIV.



Ondas do mar de Vigo

se vistes meu amigo?

E ay Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,

se vistes meu amado?

E ay Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,

o por que eu sospiro?

E ay Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amado,

o por que ey gran coydado?

E ay Deus, se verrá cedo


continua...


http://www.gksdesign.com/atotos/medlit/medievalcantigamartincodax.htm
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Curso Prático da Língua Portuguesa e sua Literatura; Jânio Quadros


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