sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

TROVADORISMO PARTE FINAL



Desaparecimento do Trovadorismo, Escola Palaciana e Cancioneiros...

A poesia, em Portugal, devido aos afazeres políticos e muita diversão, propagados pela administração dos reis Afonso IV, D. Pedro e D. Fernando, que se ocupavam mais das coisas materiais que espirituais, a poesia lírica entrou em decadência e ficou esquecida durante certo período de tempo ressurgindo em meados do século XV, desta vez sob a influência da Corte espanhola, que nunca deixou de praticá-la. A poesia desta época apresenta as seguintes características:

1. O linguajar está mais desenvolvido, mais evoluído
2. As formas poéticas apresentam maior variação e o uso do refrão é bem menos freqüente.
3. A poesia já não é mais cantada e, portanto, o poeta (não mais trovador) preocupa-se com a sonoridade e cadência dos versos.
4. Os temas usados continuam os mesmos, porém a distância homem-mulher não recebe mais tanta ênfase.
5. Ao lado da poesia lírica, surge a poesia didática e religiosa, de aspecto extremamente burguês, e praticamente a substitui. Com o fim da fase lírica criativa dos provençais, é natural o curso que se segue, ou seja, o desaparecimento da literatura trovadoresca assim como de seus compositores.

Dentre os principais trovadores do período medieval, se encontram D. Dinis, João Soares de Paiva, Paio Soares de Taveirós, João Garcia de Guilhade, Aires Corpancho, Airas Nunes, João Zorro, Afonso Sanches, Nuno Fernandes Torneol e muitos outros... As poesias do período medieval foram condensadas em coletâneas (cancioneiros) sob a forma de pergaminhos, contendo, muitas vezes, iluminuras ou partituras musicais. Dentre os cancioneiros portugueses estão:

Cancioneiro da Ajuda: A princípio guardado no Colégio dos Nobres, sendo, tempos depois, transferido para a Biblioteca da Ajuda, daí o seu nome, data, a primeira edição, de 1825. Vinte e seis anos mais tarde, Varnhagen lança uma segunda edição, acrescentando-lhe quarenta e duas composições, intitulando-o de Trovas e Cantares de um Códice do XIV Século, ou antes mui provavelmente o Livro das Cantigas do Conde de Barcelos, por achar ser este obra de apenas um poeta. Entretanto, a melhor edição, coube o mérito a ilustre romanista Carolina Michaelis, que, apresentou-o em dois tomos, contendo o primeiro o texto das cantigas, enquanto o segundo trazia as investigações bibliográficas, biográficas e histórico-literárias sobre os trovadores. Pensava ela ainda em um terceiro com notas e glossário, que, infelizmente, referindo-me as notas, não chegaram a aparecer, surgindo, porém o glossário em 1920 no volume 23 da Revista Lusitana. No ano de 1941, O Cancioneiro da Ajuda, foi publicado em Nova York pela Modern Language Association of America, uma edição diplomática completa, com texto de Henry Hare Carter e por fim, em 1945, surge o volume I do Cancioneiro da Ajuda entre a Coleção de Clássicos Sá da Costa, cujo prefácio e notas do professor Marques Braga constam como plágio de Carolina Michaelis. Contêm, este cancioneiro, segundo uns, 310 cantigas, quase todas de amor do século XIII, ou ainda, segundo outros, 467 poesias, todas anônimas.

Cancioneiro da Vaticana: Descoberto em Roma no anos 1843, na Biblioteca Vaticana, por bibliófilos, que tiveram sua atenção despertada por F.Wolf, que, por sua vez, fora espicaçado em sua curiosidade pelo cronista Duarte Nunes de Leão (1530/1608) sobre um Cancioneiro de El-Rei D. Dinis, este cancioneiro possui mais de duzentas folhas, com mil e duzentas cantigas de cento e sessenta autores, do século XIV e nele também estão incluídas as composições de D. Dinis. A primeira edição foi lançada em 1875 por Ernesto Monacci. A segunda edição é de Teófilo Braga e contêm uma introdução histórico-literária sobre os cancioneiros e um glossário.

Cancioneiro Colocci-Brancutti ou Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa: Sem muitas referências, sabe-se apenas que pertenceu antes, a Angelo Colocci e posteriormente ao conde Antônio Brancutti. Com a morte do conde o Cancioneiro passou as mãos de Ernesto Monacci que o vendeu ao governo português, passando este então a figurar na Biblioteca Nacional. Possui trezentas e cinco folhas e pelo menos, mil e quinhentas cantigas de diferentes épocas. Nela aparece a primeira poesia espanhola, e talvez a última composição poética do ciclo trovadoresco. Escrita depois de 1329, é da autoria de Afonso XI (1311/1350) de Castela.

Catigas de Santa Maria: Em idioma galaico-português constituem-se tais cantigas em trechos deveras impressionantes de conteúdo históricos e religiosos.

Cancioneiro Geral de Garcia de Resende: Nele se encontram reunidas todas as composições da Escola Palaciana.

Estudos de Português para o 2º. Grau, 1º. Volume; Elda Randoli Marino
Curso Prático da Língua Portuguesa e sua Literatura; Jânio Quadros



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