domingo, 16 de novembro de 2008

O HOMEM QUE SAIU EM BUSCA DE SUA SORTE PARTE V



Ao longo do caminho, foram colhendo raízes e frutos e em dado momento, pararam perto de uma rocha para descansar e matar a fome, mas um zumbido, muito leve, muito baixo, parecia sair de lá de dentro.
João, antes que sua sorte abrisse a boca e mandasse mais um daqueles conselhos estúpidos, tomou a dianteira e encostou seu ouvido; enquanto escutava pode compreender o que se passava. Dizia assim um grupo de formigas: ‘Se pudéssemos remover esta rocha ou mesmo atravessá-la, poderíamos aumentar nosso território e ter mais espaço para nosso povo. Se algo ou alguém pudesse vir em nossa ajuda... Sem ajuda nada poderemos fazer, pois a rocha é dura demais... Impossível de atravessar... Se ao menos algo ou alguém a pudesse afastar...!
João voltou-se então para sua sorte e disse: ‘As formigas desejam que a rocha seja afastada para que possam aumentar seus domínios, mas que tenho eu haver com rochas, formigas e aumento de território? Preciso é encontrar logo minha fortuna. Isso sim é o que me é importa’.
A sorte de João não disse nada e mais uma vez continuaram a sua jornada.
Andaram, andaram, andaram... andaram mais um tanto... Na manhã seguinte, enquanto se levantavam de sua dormida no descampado, João e sua sorte escutaram vozes de gente se aproximando, brincando, cantando, dançando, gritando, tocando flautas e gaitas em grande alegria.
‘Oras... que diabos de confusão é esta?’ Resmungou João.
‘São diabos em forma de gente muito contente’. Retrucou a sorte.
Acorreram para ver o que acontecia e se depararam com um bando de campônios. Curioso João perguntou a um dos festeiros: ‘O que aconteceu? Qual o motivo de tanta euforia?’
O homem, sossegando um instante, respondeu: ‘Acreditem ou não, ouçam bem o que vou lhes contar... Imaginem vocês... vinha um vaqueiro passando meio encolhido em seu cavalo, quando escutou um bando de formigas, murmurando, aflitas, debaixo de uma rocha. Ele, penalizado, moveu a rocha do lugar para que as formigas pudessem aumentar o seu ninho e o que pensam que encontrou? Um baú de tesouros, cheio de peças de ouro. O vaqueiro o apanhou e o repartiu com seus vizinhos, que, não por acaso, somos nós, os abençoados pela sorte’.
Mal cabendo em seu contentamento lá se foram os campônios descampado afora.

Continua...

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