sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O HOMEM QUE SAIU EM BUSCA DE SUA SORTE PARTE III



No meio do caminho João perguntou: ‘Por onde devemos começar? Tu és a minha sorte e deves saber como tratar desse assunto’.
‘É mais fácil acreditar nisso que acabaste de dizer do que realmente realizá-lo’. Disse-lhe a sorte. ‘Embora eu esteja ao teu lado não há garantias de que reconhecerás aquilo que te está destinado, pois isto exige certa preparação. Deverias, antes de tudo, perguntar a ti mesmo como poderias fazer tal reconhecimento’.
‘Oras, contigo ao meu lado, estou seguro que posso fazer tal reconhecimento, como bem fazes questão de dizer’.
‘Está bem... se assim acreditas... Vem, sigamos por aqui toda a vida e então vejamos o que acontece’.
Andaram, andaram, andaram... andaram mais um tanto. Pararam perto de uma árvore que havia a beira do caminho e um forte zumbido saía de lá de dentro.... A sorte de João disse-lhe então: ‘Encosta teu ouvido no tronco da árvore e escuta’.
João que era teimoso e um tremendo cabeça dura, zangou-se, não via utilidade naquilo, mas se a sua sorte estava mandando, melhor obedecer.
‘Oras... Esta árvore está seca e dentro do seu tronco há somente algumas abelhas que se encontram presas’.
‘Sim, é verdade. As abelhas estão presas, mas, se quiseres podes dar um jeito nisso é só quebrares o galho e elas poderão escapar. Além de ser um gesto generoso pode dar em algum lugar’.
‘Oras...’ disse João, que, como já se sabe, era um tanto teimoso e cabeça dura. ‘Estás a brincar comigo?! Não quero distrações que me desviem do que me é de direito, ainda mais em se tratando de assuntinhos bestas como este. Quem sabe se me fosse oferecido uma certa quantia em dinheiro para quebrar o galho e salvar as abelhas eu me dispusesse a perder um pouco do meu tempo, pois estou sem um tostão e há um longo caminho a ser percorrido. Seria muito burro fazer tal ação sem receber nada em troca’.
‘Tá... Se pensas assim...’ respondeu, bocejando, a sorte de João, ‘será como queres, então. Sigamos adiante’.
Andaram, andaram, andaram... andaram mais um tanto. Tão logo escureceu se estenderam em um descampado para dormir.
No dia seguinte foram acordados por um homem que passava levando atado em ambos os lados de seu burrinho dois enormes potes.
‘Aonde vais; homem de Deus?’ Perguntou a sorte de João.
E o homem respondeu: ‘Vou ao mercado, vender este mel. Com certeza, vale pelo menos, três moedas de ouro. Ontem, quando passava perto da velha árvore que se encontra a beira do caminho ouvi o zumbido de algumas abelhas que lutavam por querer sair. O que pensam que fiz? Quebrei um galho seco e logo um enxame delas começou a voar. Deparei-me com uma grande quantidade de mel! Como podem ver, sou pobre e tenho uma família a sustentar... Adeus, amigos’.
E lá se foi o homem, feliz, seguindo o seu caminho.
João virou-se para a sua sorte, dizendo-lhe: ‘Oras... Era para mim ter recolhido esse mel. Mas, por outro lado, pode não ser a mesma árvore e neste caso, talvez, quem sabe, poderiam ter me picado... e quer saber? De mais a mais não é esta a fortuna que estou buscando’.
A sorte ficou calada. Levantaram-se e prosseguiram a jornada.

Continua...

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