quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O HOMEM QUE SAIU EM BUSCA DE SUA SORTE PARTE II




Com o dinheiro em mãos, deu inicio a jornada, mas como era um pouco avarento, comprou um cavalo meio capenga; cego de um olho e teimoso como uma mula. João tinha pressa, muita pressa... tinha tanta pressa que nem se lembrou de se abastecer com água e alguma refeição e lá se foi, lentamente marchando... ‘po-co-tó, po-co-tó...’, no dorso do cavalo manco.
Ele andou, andou, andou... andou mais um tanto.... Estava cansando dos ‘maus bofes’ do cavalo e quanto mais o fustigava mais o cavalo se enfezava. Não demorou e o cavalo se enfezou de vez e derrubando João, correu numa velocidade que diria-se impossível para um cavalo coxo e cego de um olho. Pobre João...! O dia estava quente e ele já sentia um tremendo cansaço, fome, e sede. Nenhuma estância; nenhuma alma amiga pelo caminho... nenhum teto para servir de abrigo. Achou que sua má estrela tinha terminado quando avistou um poço (um poço dos desejos?) e parou para tomar um gole d’água. Infelizmente, a bolsa onde guardara todo o seu dinheiro, e, que, graças a sua falta de cuidado, se encontrava mal amarrada a sua cintura, desprendeu-se, indo ao fundo. Bem... não era um poço dos desejos e ele, sentindo-se injustiçado, agora mais do que nunca, teve que se conformar e continuar andando.
Andou, andou, andou... andou mais um tanto... Depois de três dias inteiro de caminhada e após gastar mais algumas horas subindo a montanha, João, sujo, desgrenhado, com a língua de fora, por fim, encontrou a sua sorte, tão grande quanto a de seu irmão, deitada de comprido no topo da montanha, de boca aberta e roncando em alto e bom som, dormindo a sono solto. Quase não havia lugar para João, tão cômoda a sua sorte se encontrava.
João zangou-se e pôs-se a sacudi-la, dizendo: ‘Acorda, acorda, acorda... Não achas que já dormiste demais... É por conta dessa tua preguiça que o azar tem me sido constante. Ora, vamos... acorda já!’
‘Ai, ai... pára com isso... já estou acordado. Tens toda razão. Sinto não ter te ajudado antes. Mas agora daqui pra frente, tudo vai ser diferente, fica tranqüilo... Eu não durmo mais’.
João ficou tão contente em saber que sua sorte não dormiria mais que até se esqueceu do cansaço e deu pulos de alegria quase caindo montanha abaixo. Sua sorte é que sua sorte estava atenta e o segurou firmemente pelas pernas no momento exato.
‘Ouça-me’, disse-lhe João, ‘quero que venhas comigo. Assim, estando ao meu lado, saberei aproveitar-te com mais facilidade’.
A sorte de João concordou e lá se foram ambos, juntos, descendo a montanha.

Continua...

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