quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O HOMEM QUE SAIU EM BUSCA DE SUA SORTE




Era uma vez dois irmãos, João e José, que haviam herdado de seu pai um terreno dividido em partes iguais. Enquanto José enriquecia, João só conseguia o suficiente para não cair duro no chão.
João começou a pensar que seu irmão possuía algum tipo de segredo; quem sabe uma fórmula mágica...? e ansioso por descobri-lo, João caminhou até o terreno de José, seu irmão, porém, antes que nele colocasse os pés, um homem alto, que ele nunca tinha visto antes, barrou-lhe a entrada.
“Oras... Se mal lhe pergunte...” Disse João, espantado com o tamanho do sujeito, “quem és tu?”
“Eu sou a sorte de José, o teu irmão”, respondeu o homem, “e sinto te dizer, mas daqui, não poderás passar. Estou sempre de olho, cuidando para que nada de mal lhe suceda”.
“Mas que danado é meu irmão com sua boa sorte. Oras... Quisera eu saber onde posso encontrar a minha”.
“Ah... Se isso é o que queres”, disse-lhe sorrindo o desconhecido, “posso te dizer onde encontrá-la. Mas saiba logo que a tua sorte é um homem muito preguiçoso que dorme o tempo todo no cimo daquela montanha. Deves subir até lá e acordá-lo, se quiseres que tua sorte aconteça, embora devas saber que não é o bastante tê-la ao teu lado, tens que saber aproveitá-la”.
João achava que precisava mudar de vida. Não podia ficar parado ali, vendo o tempo passar... Decidiu-se: Se sua sorte não vinha até ele, ele iria atrás de sua sorte. Venderia sua parte do terreno a João, e, quando voltasse, rico, compraria de volta.
Desse modo, unindo o pensamento à ação, dirigiu-se ao seu irmão José e vendeu-lhe sua parte, pois precisaria de dinheiro para chegar ao topo da montanha aonde sua sorte se encontrava adormecida; a viagem seria longa... a montanha, uma lonjura sem fim...
Continua...

História da tradiçao oral; do livro El Buscador de la Verdad; cuentos e enseñanzas sufíes; Idries Shah; Editorial Kairós por Virgínia Allan
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