sábado, 15 de novembro de 2008

O HOMEM QUE SAIU EM BUSCA DA SUA SORTE PARTE IV



Andaram, andaram, andaram... andaram mais um tanto... Logo chegaram a uma ponte sobre um rio e pararam a fim de admirar a linda paisagem. De repente, um peixe pôs sua cabeça para fora d’água, com a boca se abrindo e fechando, olhando-os de um jeito muito bobo.
‘Oras... Diga-me, sorte, sem me enrolar, isso quer lá dizer alguma coisa?’
‘O que tu achas? Pensas que pode significar alguma coisa?’
‘Oras… Disse para me responderes sem me enrolar. Eu não preciso de eco. Pergunto-te e tu como resposta me devolves a mesma pergunta?
‘Junta tuas mãos em prece e vês se dessa maneira podes compreender o que o peixe está a dizer’.
Mesmo emburrado João fez como a sorte lhe mandou e percebeu que podia entender o que o peixe estava a dizer: ‘Ajuda-me, ajuda-me...’
‘Como podemos te ajudar?’ Perguntou-lhe a sorte de João.
‘Engoli uma pedra muito pontuda. Bate-me no lado esquerda da cabeça e com certeza, poderei voltar a nadar e a brinca na água normalmente’.
‘Oras... um peixe falante... Era só o que me faltava. Só podes ser tu a fazer algum truque de magia. Não sou nenhum tolo. Estou em busca de minha fortuna. Não tenho tempo a perder com tolices. Se te importas tanto, ajudas tu o peixe’.
‘Não!’ Disse a sorte de João. ‘Eu não me intrometerei. Continuemos nosso caminho’.
Andaram, andaram, andaram... andaram mais um tanto... Um tempo depois, chegaram a uma vila e sentaram-se para descansar num banco da pracinha. Eis então que um homem a cavalo entra em disparada, parando somente no meio da praça, em frente a João e sua sorte, e muito contente põe-se a gritar pra toda gente: ‘Um milagre! Um milagre!’
Assim que a pracinha ficou lotada, o risonho cavaleiro voltou a falar: ‘Cruzava a velha ponte, quando, creiam-me vocês ou não, um peixe me pediu que eu batesse com força ao lado esquerdo de sua cabeça, pois assim o livraria de um sofrimento terrível. A dor da pancada seria menor do que o padecimento ao qual estaria condenado se ninguém lhe ajudasse. O que pensam que fiz? Mesmo temendo machucá-lo atendi ao seu pedido e assim que bati uma pedra grande e transparente soltou-se, vindo parar aos meus pés. O peixe voltou a nadar e a brincar sem problema nenhum, mergulhando de volta para as profundezas da água. Para terminar e deixar a todos de queixo caído igual a mim, ao examinar a pedra, grande e transparente, notei que era um diamante, um dos mais raros e perfeitos que já vi’.
‘Oras e como sabes que é mesmo um diamante?’ Perguntou João, abrindo caminho entre a multidão.
‘Bem...meu amigo... não por acaso sou um joalheiro que viaja muito pelos garimpos. Então, conheço as pedras como ninguém’.
‘É um capricho da vida que um homem rico como tu enriqueça cada vez mais. Como dizia meu avô, ganha dinheiro quem tem dinheiro’. Deixei de socorrer o peixe porque me encontro numa missão importante e me vejo obrigado a implorar por um pedaço de pão por causa dos péssimos conselhos que recebo de minha nada admirável sorte’.
A sorte, ao ouvir a reclamação de João, lhe respondeu: ‘Hum... vai ver nem era o mesmo peixe. Talvez isso não passe de uma mera coincidência. Vai ver até este homem esteja a contar balelas. De qualquer modo, já foi... se perdeu... Vais agora chorar pelo leite derramado? Deixemos o que ficou para trás e tratemos de olhar para frente’.
‘Falas com sabedoria. Isso o que acabaste de dizer, pensava eu neste justo momento’.
Feita as considerações, lá se foram João e sua sorte, a favor do vento. Andaram, andaram, andaram... andaram mais um tanto...


Continua...

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