sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A FORMIGUINHA, UM CONTO SEM FIM DO FOLCLORE POPULAR



por Virgínia Allan


Foi um dia, depois do inverno a formiguinha saiu a passear...
Mas, a neve ainda era tanta que a formiguinha não pode andar,
e, ao se perceber aprisionada ao lado da parede de uma casa,
pensou então em quem poderia lhe ajudar...

Pensou e pensou, e para a neve assim falou:
“Ó neve, tu que és tão macia e formosa deixa que me vá....
por favor desprende meus pezinhos pra eu poder passar,
olê, lê, olá, lá”...

A neve respondeu: “Ó, pobre formiguinha, sinto não poder te ajudar,
mais forte do que eu é o sol que me derrete, espera um segundo,
ele nunca esquece, já já aparece”.

Não demorou, o sol apareceu: “Ó sol” disse-lhe a aflita formiguinha,
“que derrete a neve, desprende meus pezinhos pra eu poder caminhar,
olê, lê, olá, olá”...

O sol respondeu: “Ah, formiguinha, sinto te desapontar...
mas a parede desta casa está a me empatar, por isso ela é mais forte,
pois impede de eu te alcançar”.

“Ó parede que impede o sol que derrete a neve se és mesmo tão poderosa
desprende agora meus pezinhos pra eu poder ir-me embora,
olê, lê, olá, lá...”

“Hummm, formiguinha, mais forte do que eu, é o rato que me rói
e não me deixa descansar. Lá vem ele, apressado,
com seus dentinhos afiados pronto a fazer seu trabalho”.


“Ó rato de dentes afiados que rói a parede que empata o sol que derrete a neve,
desprende os meus pezinhos pra eu poder passar,
olê, lê, olá, lá...”

O rato respondeu: “Saiba amiguinha, que mais forte do que eu é o gato,
que sem piedade me caça por todo lugar. Dentro da parede me escondo,
pois pelo buraco o gato não pode passar. Espera um pouco e antes que seja tarde
verás que falo a verdade”.

Não demorou apareceu o gato atrás do rato, remexendo os longos e finos bigodes sem parar.

“Ó gato que pega o rato que rói a parede que impede o sol que derrete a neve
se és tão grande e majestoso prova tua coragem e desprende os meus pezinhos
pra eu poder caminhar,
olé, lê, olá, lá”...

O gato respondeu: “Posso ser grande e majestoso, mas o cachorro é mais corajoso
e ele corre muito pra me pegar.... Sinto não poder te ajudar...
Espera um instante, ele não vai demorar”.

Não demorou e apareceu o cachorro, latindo sem parar...
“Ó cachorro que pega o gato, que pega o rato, que rói a parede que impede o sol
que derrete a neve, és capaz de me ajudar?
Olé, lê, olá, lá....”

Fonte: http//www.jangadabrasil.com.brInformante: Maria da Salete, Recife, PE (Em Lima, Jackson da Silva Lima. "Achegas ao romanceiro tradicional em Sergipe". Revista Sergipana de Folclore, ano 2, nº 3, outubro de 1979, p.69-71)
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