segunda-feira, 4 de agosto de 2008

GATA BRANCA EM DESCANSO


Quieta ela estava, toda enrolada,
bola de pêlo, branca e sossegada
na cadeira de embalo do vovô
Quieta estava...
muito mansa...
a aproveitar o descanso...
nada a perturbava...
nem o lento, monótono, vai e vem
da cadeira de balanço...
fingia dormir, a gata manhosa...
de vez em quando, pondo os olhos a passear
pela sala silenciosa
mas, de súbito, pela janela aberta, entra,
voando, descuidada, uma jeitosa
radiante libélula
vem lá, a pobrezinha, em hora marcada,
de encontro à morte anunciada...
incauta, pousa ela ao pé da escada, depois,
voa, para o alto da porta...
nada repara em sua viagem
vai em zig-zag pelo espaço
sem dar-se conta do perigo à espreita...
o som do bater de asas
acorda quem já não dormia...estica-se, espreguiça-se...
e num salto ágil, eis a bichinha, presa,
entre as patas da gatinha, que, sem pressa
a brincar, a pega e solta e torna a pegar...
Postar um comentário