terça-feira, 1 de julho de 2008

A SONÂMBULA



Sob a lua distante e fria, de olhos fechados ela ia à fonte se banhar.
Os pés, descalços, o macio tapete de folhas pisavam, e, serena caminhava, como se soubesse onde estava na noite enluarada.
Ao chegar à fonte, nua ficava e dentro d’água começava a brincar; os olhos se abriam e tudo em volta reluzia como gema preciosa... mas, dentro das sombras algo se movia, algo escuro e assustador e com olhar invejoso a donzela espia...
Eis que a beleza imprudente, na fonte brincava, a todo perigo indiferente.
O ser que nas sombras espreitava, não ousa se aproximar. Nas árvores, o vento gemia, porém, na fonte, a calma reinava; calma somente perturbada pela alegria da donzela, ninfa encantada sonhando na noite bela.
Fantásticas luzes coloriam as gotas d’água que da fonte caiam e aos pés do estranho ser iam parar; e ele, nelas, timidamente, se mirava, mas o que via não era a sua feia figura e sim a da ingênua donzela que na fonte brincava.
Atônita ficava a besta-fera que nas sombras sofria... Não compreendia que a beleza invejada, dela, também parte fazia, todavia, olhar em seus olhos não podia, tão distante parecia, e, então nas trevas permanecia...
A beleza distraída, na fonte brincava e nem se apercebia do que nas sombras se escondia.
Quando a noite findava e o primeiro raio de sol despontava, a donzela a fonte deixava e de olhos fechados, pelo mesmo caminho orvalhado retornava... inconsciente de seu destino, ela tarda em despertar...
E a besta que nas sombras espreitava, lá, bem dentro de si, sem saber ansiava, por ver a sonâmbula acordar...
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