quarta-feira, 9 de julho de 2008

TULIPA NEGRA



Graciosa rainha da noite, que a lua enche de graças e
infindáveis carinhos.
Nenhuma canção, jamais, fará jus a tua beleza, pois
nenhum bardo, por mais sábio que seja, conseguirá apreender
o teu real significado.
Por mais que ele cante o amor, as lágrimas teimarão em
rolar por seu rosto descontente, já que o negror da tulipa é incognoscível, e descrevê-la não é possível.

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Misteriosa e fascinante é a flor Tulipa. Originária da Turquia, tulipan (que quer dizer, turbante) pertence a família dos lírios (liliáceas) e costuma florescer no fim da primavera. Reza uma lenda persa que, certa moça, Ferhad, apaixonou-se perdidamente por um rapaz, Shirin, que, entretanto, não correspondeu a essa louca paixão. Rejeitada, Ferhad fugiu para o deserto, onde ninguém a visse chorar e Ferhad chorava constantemente, dia e noite, de saudade, tristeza e solidão e cada lágrima vertida, caída ao chão, mal tocavam a areia, transformava-se em uma linda flor, a tulipa.
A tulipa negra, que na verdade possui a tonalidade marrom-escuro, é conhecida como “rainha da noite”. Assim como diz o poema, descrever a beleza com exatidão, não é possível. Motivo de inspiração a poetas e escritores, a exaltada beleza maravilhosa desta flor, perde-se no imaginário da humanidade na vã tentativa em decifrar os seus mistérios. Símbolo de perfeição, oculta, dentro de nossas almas, está a sua essência, misturada a nossa, em um casamento feliz e possível. Entretanto, poucos são aqueles que se dão conta deste milagre interior, pois a busca eterna por nós mesmos está, muitas vezes, centralizada apenas nos aspectos externos, deixando-se de lado o retorno positivo proporcionado pela natureza das coisas. Dentro e fora de nós, está a verdade, revestida de vários modos, em variadas formas, seja na imagem de uma criança; de um quadro, de um poema ou na forma de uma flor, portanto, descobri-la não é algo tão distante, e é isto que nos diz a preciosa tulipa, de negras pétalas aveludadas, cuja criação o homem, ainda, não foi capaz sequer de igualar.

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