domingo, 27 de abril de 2008

RECORDAÇÕES DA CASA DA COBRA-COBRA NORATO [1]


É noite!
A cidade dorme.
Das profundezas das águas sai Norato,
menino encantado em cobra.
Pelas ruas vazias
passeia feito gente.
Silêncio!
Solidão.
A cidade dorme.
Norato, menino encantado em cobra,
mergulha de volta às profundezas das águas.


***

[1] COBRA NORATO I: Reza uma lenda, de origem portuguesa, que Norato ou Honorato, era um moço belo e sedutor, filho de um português muito rico, dono de uma fazenda no Tocantins para o cultivo do cacau. O rapaz, ambicioso, matou o pai afim de ficar com a fazenda e todos os seus bens. Seduzido pela Iara, foi levado por ela para o fundo das águas, encantando-se em Cobra-Grande ou Cobra-Honorato, e ainda Cobra-Norato.
COBRA NORATO II: A versão indígena das bandas do Pará nos conta que Cobra Norato era filho de uma índia que um dia, ao tomar banho no Paraná do Cachoeiri, ficou grávida de um boto. Nasceu-lhe um casal de gêmeos, Maria Caninana e Norato. As crianças, de estranha aparência, foram abandonadas por sua mãe no rio Tocantins. Maria Caninana era má e ao crescer tornou-se o terror dos viajantes e das gentes de barranco. Norato, não suportando mais tanta perversidade, mata a irmã, passando a viver sozinho nas águas da Amazônia. Dizem que em noite de festa, despe-se da pele de cobra e vai dançar a procurar nos bailes alguém corajoso o bastante que o desencante. 


Do livro MORONETÁ-Crônicas Manauaras, Virgínia Allan; Editora Valer 
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