sábado, 22 de março de 2008

A BUSCA





Na ânsia de encontrar o Amigo, demorei-me à beira do abismo; meus olhos ardiam, mas, não cansavam de O procurar e meus lábios, ressequidos, não cansaram de O chamar. 
Na ânsia de encontrar o Amigo, vaguei perdido, noite e dia, perambulando por todos os caminhos, mas Ele não estava por onde andei.
Na ânsia de encontrar o Amigo, tateei na escuridão, clamei e chorei. Mesmo assim, Ele não teve piedade e para mim não voltou a Sua face. 

Na ânsia de encontrar o Amigo, não pude me calar, e, fui consumida pela dor. Meus dias foram somente pena e solidão.
Na ânsia de encontrar o amigo, despojei-me de tudo e vestido de andrajos,  mergulhei na aflição. Humilhado rastejei-me diante de Sua porta.
Quando, porém, meus apelos foram atendidos e o Amigo surgiu diante de mim, tive medo, e, tentei retornar sobre meus próprios passos, mas senti o peso de Sua mão e o terror dominou meu coração.
Ele me perseguiu com o fogo nos olhos e a violência das tempestades. 
Fui aniquilada por Seu beijo. 
A visão resplandecente do Amigo, me matou.


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