segunda-feira, 10 de março de 2008

"ANDAR COM FÉ EU VOU"...




Padecemos de medo, muitos medos.... Medo de morrer, medo de envelhecer, medo de sair de casa, medo de bater na porta errada (acontece)... Temos muitos medos, posso mesmo dizer (frase clichê, mas cabível no texto) que vivemos com medo, mas nunca é demais lembrar que se medo é tortura, negação, medo também pode ser um termômetro, solução e salvação. Usemos então o medo ao nosso favor.

Tomemos como exemplo, algo bom em se fazer uma avaliação, como o fato de reencontrar um amor do passado, “um grande amor” que, agora, exige o presente de um novo começo. Sim, exige, pois há urgência em saber, de ambas as partes, como seria aquilo que não se viveu, que não foi. Entretanto o frio, o calor, que sobem, em ondas, ânsia contida na boca do estômago, romantismo exacerbado, nos leva a pensar em “bater em retirada”, ou pelo menos tentar achar uma “saída estratégica”, quem sabe até mesmo, resistir / desistir... Você recebeu um belo presente que teme desembrulhar. Todavia, sabemos, a vida é feita de escolhas, de coisas boas e ruins e esses receios não têm muito fundamento, servem apenas para nos manter reféns, enclausurados na prisão de nosso eu e isso não vale só para o amor, vale para a vida como um todo e embora muitos acreditem, a vida não é um jogo e quem ousa tratá-la dessa forma e joga, perde, perde feio. Ter medo é natural e se não for exagerado, antes de ser tratado e superado, precisa ser respeitado (digo isso pra mim o tempo todo) e como se supera o medo? Tendo fé... fé na vida, fé no futuro, fé em Deus, fé em tudo, até na pedrinha da sorte que você traz pendurada ao pescoço, ao se ter fé a “magia” ou o milagre, que nos rondam acontece, mas só com a fé tal coisa é possível... “a fé remove montanhas”, porém fé, não deve ser apenas uma palavra vazia, dita da “boca para fora”, nem um sentimento destituído de amor/fervor, sim, fé e amor não se separam. Alguém discorda? Então se falo de um falo de outro.

O difícil disso tudo é que fé não se encontra de bobeira à venda na esquina (duvide daqueles que dizem que a encontraram), nem da noite pro dia, (duvide daqueles que dizem que viram a luz) fé (lá se vão mais clichês necessários) primeiro é semente plantada, que feito uma flor, brota e cresce no terreno da essência e se desenvolve, (algumas vezes, lentamente, outras vezes, raríssimas exceções, como se atingidos por um raio) através de detalhes ou no aprendizado cotidiano das manifestações maravilhosas ou ainda naquelas que estão aquém de nossa compreensão.. Portanto, como sempre a simplicidade nos escapa, não é nada fácil ser uma pessoa de fé, plenamente desenvolvida, já que vivemos expostos a toda espécie de interferências que fraquejam, nos tiram, ou melhor, nos roubam a crença que deveria nos ser inerente. Quando coisas ruins acontecem, pronto, lá se vão as boas intenções, lá se vai a fé e o desespero é o senhor da vez. A crença e a oração já não bastam por si mesmas. Mas, bem, as pessoas não são totalmente parecidas, iguais, umas às outras, elas mudam, reagem e o tempo age. Tudo muda, graças a Deus, o tempo todo. Alguém pode argumentar dizendo que nem tudo muda, nem todas as pessoas mudam e se mudam, é pra pior, quase nunca pra melhor... Sim, talvez, há graus e graus de mudanças, e algumas “mudanças” são tão sutis ou “estranhas”, que parecem, na verdade, retrocessos. Mas, não estou falando do ser humano em particular, falo do ser humano em geral.

Algumas vidas são abençoadas (se você é uma delas, agradeça) e outras são tocadas pelo impensável, pelo improvável, pelo inimaginável (se você não é uma delas, agradeça da mesma forma) e seguem infelizes, perdidas, arrastadas, sofridas, porque, de um modo ou de outro, devem continuar. “Feliz é aquele que possui fé, mesmo que esta seja do tamanho de um grão de mostarda”... Como recuperar a fé, se, acaso a teve algum dia, ou como desenvolvê-la se ele foi ferido, tripudiado, espoliado em sua crença, seus planos e determinação? Manter, cultivar, zelar pela fé é um trabalho árduo nesse mundo e quem está disposto? A maioria das vezes, a fé continua lá, abalada, enfraquecida, mas está lá, a espera de ser redescoberta.

Fé é consciência elevada, é certeza na alma e no coração, uma certeza que ilumina, fortalece e guia, sem causar decepção. Você não a obtêm porque quer, por um ato de livre e espontânea vontade, mesmo sendo extremamente otimista ou um sonhador iludido fazendo o “jogo do contente”, há uma linha muito tênue entre ser otimista e ser um tolo iludido. Sonhar, ter esperança, ser otimista devem ser “remédios” bem dosados, não paliativos que acreditamos terão efeito milagroso em nosso “bom senso” defeituoso. Sejamos ousados, sim, vivamos a vida sim, sem temor, com fé, fiquemos expostos ao que o destino, que vamos traçando para nós, irá nos trazer, enfrentemos tudo, com medo e coragem, misturados, irmanados. Não podemos, é claro, impedir que coisas ruins nos aconteçam, podemos talvez, minimizá-las, usando, para isso a nossa fé como escudo. E para ajudar nessa tarefa, além da intuição, da alma e do coração façamos uso também, do instinto, que é a nossa consciência mais profunda e, por favor, da nobre massa encefálica, nos armando do instinto / bom senso, que nos dá cada respiração. O físico não está separado do espírito, devem trabalhar em conjunto e embora saibamos disso, (sabemos muitas coisas, não?) não conseguimos harmonizá-los de maneira adequada. Desenvolvimento harmônico é o segredo de tudo, do todo. Deixemos de “dar tiros no escuro”, deixemos de “andar às cegas” por caminhos tortuosos, ousemos “navegar por mares nunca dantes navegados”, porém (novamente farei aqui uso de uma imagem de que gosto muito e bem está se tornando comum em meus escritos) antes, achemos a nossa estrela guia, peguemos uma boa bússola e embarquemos dentro de uma nau segura, capitaneada por um experiente e sábio comandante. “Andar com fé... pois a fé não costuma falhar”, mas, onde encontrá-la, como desenvolvê-la, a quem pedir uma luz, isso só cabe a você, é de sua inteira e única responsabilidade.
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